UFMG é a universidade mais sustentável da América do Sul, aponta ranking internacional
Com 78,4 pontos em uma escala de 100 e posicionada na faixa 201-300 entre 1.603 instituições de ensino superior de todo o mundo, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi considerada a universidade de maior impacto em sustentabilidade do Brasil e da América do Sul.
O reconhecimento consta na edição 2026 do THE Sustainability Impact Ratings, ranking de impacto em sustentabilidade da Times Higher Education (THE), revista britânica especializada em métricas do ensino superior. O resultado foi divulgado durante congresso global realizado em Jacarta, na Indonésia, na noite dessa terça-feira (23).
“Ao medir o compromisso das universidades com a sustentabilidade e o impacto social, o ranking da THE vai ao encontro de dimensões fundamentais à UFMG e a esta gestão. A notícia de que a nossa universidade tem liderado a América do Sul nos esforços de implementar a Agenda 2030 da ONU traz renovado orgulho e muita confiança à comunidade universitária. Estamos seguindo um caminho virtuoso”, afirma o reitor da UFMG, Alessandro Fernandes Moreira.
O diretor do Escritório de Governança e Dados Institucionais da UFMG, Dawisson Belém Lopes, afirma que a conquista é histórica: “Desde que os rankings globais de instituições de ensino superior foram criados, há mais de 20 anos, esta é a primeira vez que a UFMG ocupa o topo da classificação na América do Sul. Trata-se de um feito que só é possível graças à enorme quantidade e qualidade das iniciativas voltadas à promoção do impacto social e sustentável em nossa instituição”.
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UFMG tem atuação em todos os 17 ODSs

O THE Sustainability Impact Ratings avalia o desempenho de instituições de ensino superior em ações relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com a UFMG, a instituição desenvolve ações relacionadas aos 17 ODSs da ONU. No cenário global, seu desempenho se destaca principalmente em dois indicadores:
- Energia limpa e acessível (ODS 7), no qual ocupa a 74ª posição entre todas as instituições avaliadas;
- Indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9), no qual aparece na 86ª posição.
Em outros quatro ODSs, a UFMG aparece na faixa global de posições entre 101 e 200, desempenho superior à sua colocação geral no ranking. São eles:
- Água potável e saneamento (ODS 6);
- Ação contra a mudança global do clima (ODS 13);
- Trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8);
- Paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16).
No cenário nacional, além dos dois indicadores em que figura entre as 100 melhores do mundo, a UFMG lidera o ranking brasileiro em outros seis dos 17 ODSs:
- Erradicação da pobreza (ODS1);
- Água potável e saneamento (ODS 6);
- Trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8);
- Consumo e produção responsáveis (ODS 12);
- Ação climática (ODS 13);
- Paz, Justiça e Instituições Eficazes (ODS 16).
Histórico de pontuação da UFMG
A UFMG estreou no THE Sustainability Impact Ratings em 2024, quando foi posicionada na faixa global 401-600, com nota geral de 75,4 pontos. A pontuação é calculada em uma escala de até 100 pontos, atribuídos à instituição mais bem classificada. Naquele ano, o resultado já colocava a UFMG entre as 25% melhores instituições do mundo em sustentabilidade.
Na avaliação de 2025, a UFMG obteve um resultado ainda mais significativo, saltando para a faixa global 301-400 e alcançando a pontuação geral 77. Com esse desempenho, a Universidade passou a integrar o grupo das 15% melhores instituições do mundo no quesito. Agora, na edição de 2026, a UFMG alcançou 78,4 pontos e avançou para a faixa 201-300 entre 1.603 instituições de ensino superior de todo o mundo.
Projetos sustentáveis da UFMG
Entre as iniciativas de sustentabilidade adotadas pela UFMG, destacam-se, entre outros:
- Encontros regulares mantidos por pesquisadores com a comunidade externa para a difusão de temas ligados à sustentabilidade.
- Curso de Especialização em Fontes Renováveis oferecido regularmente pelo Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia desde 2018.
- Trabalho de monitoramento da qualidade de combustíveis realizado diuturnamente em laboratórios da UFMG.
- Pecuária sustentável desenvolvida pela Escola de Veterinária nos 240 hectares da Fazenda Experimental Prof. Hélio Barbosa (FEPHB), em Igarapé.
- Desenvolvimento, por pesquisadores da Universidade, de uma membrana de matriz mista que permite separar, de forma inovadora, o gás carbônico do gás natural utilizado como fonte de energia no Brasil.
Outro destaque é o projeto Oásis, referência regional e nacional desenvolvida no âmbito do Programa UFMG Sustentável. Nesse projeto, em 2016, especialistas foram convidados a apresentar propostas que fossem capazes, por um lado, de reduzir as despesas da instituição com energia elétrica e, por outro, de promover uma maior sustentabilidade no processo de geração e de consumo de energia em seu maior campus, o Pampulha.
Como resultado, foi criada uma minirrede de energia que atua em interlocução com o sistema de abastecimento via Cemig, com foco na cogeração. Assim, se em algum momento falta energia da Cemig, a geração da própria Universidade supre suas necessidades mais emergenciais. Essa minirrede é composta de unidades de geração distribuídas pelo campus, baseadas em tecnologia fotovoltaica e em microturbinas a gás natural, e por bancos de baterias, onde a energia excedente é armazenada.
Em razão dessa minirrede, a UFMG se vale tanto da energia gerada em suas próprias estruturas quanto da energia fornecida pela Cemig. Contudo, com o passar dos anos, a universidade tem dependido cada vez menos dessa segunda fonte, dados os avanços obtidos no âmbito da primeira.
Agenda 2030 é um plano de ação para o planeta
A Agenda 2030 é um plano de ação para o planeta, para as pessoas e para a prosperidade. Criada em 2015 e assinada por todos os 193 estados-membros que compõem a Organização das Nações Unidas (ONU), ela lista 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e estabelece uma série de metas a serem alcançadas até 2030.
O principal objetivo da Agenda 2030 é a erradicação coletiva e colaborativa da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, no entendimento de que ela é o maior obstáculo ao desenvolvimento sustentável do mundo – ao mesmo tempo em que é o maior desafio global.
Os 17 ODSs estabelecidos pela Agenda equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental. Nesse sentido, eles são entendidos como integrados e indivisíveis. Entre suas metas, estão também o alcance da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres e meninas, assim como a concretização dos direitos humanos.
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