América Latina é o mercado de pagamentos mais interessante do mundo? Entenda!
Quando Dmytro Rukin conta para as pessoas que mudou sua carreira para a América Latina para construir infraestrutura de pagamentos, quase sempre recebe a mesma reação. Uma pausa. Depois algo como: “Por que lá?”
Pergunta justa. Alguns anos atrás, a maioria dos operadores globais de fintech estava totalmente focada no Sudeste Asiático, na África ou na Europa. A América Latina era uma nota de rodapé. Um parágrafo no relatório de mercado de outra pessoa. Dmytro Rukin viu algo diferente. Viu 668 milhões de pessoas, 300 milhões de compradores digitais e um mercado de e-commerce correndo em direção a US$700 bilhões até 2027. E viu que quase ninguém estava construindo os trilhos rápido o suficiente para acompanhar essa demanda.
Essa lacuna entre demanda e infraestrutura é onde a LaFinteca atua. E é por isso que Dmytro Rukin acredita que a América Latina é, hoje, o mercado de pagamentos mais interessante do planeta.
Os números falam por si. A penetração de internet na região está em 71,8%. As conexões 4G saltaram de 421 milhões em 2024 para uma estimativa de 446 milhões em 2025. Quase metade de todo o varejo online no local, 47%, acontece pelo celular. A região já fez a transição para o mobile, e comerciantes de São Paulo à Cidade do México estão se adaptando a um consumidor que compra, paga e finaliza transações inteiramente pelo telefone.
O Brasil lidera essa corrida. O mercado de e-commerce do país atingiu US$36,8 bilhões em 2023 e a projeção é de US$66,1 bilhões até 2028. São mais de 80% de crescimento em cinco anos. México, Colômbia, Argentina e Chile estão acelerando logo atrás, cada um com suas próprias dinâmicas, preferências de pagamento e lógica regulatória. O apetite por compras internacionais também é grande. Consumidores locais compram cada vez mais de comerciantes internacionais, o que significa que a demanda por infraestrutura de pagamentos eficiente só cresce.
E é exatamente isso que torna esse mercado tão fascinante. A América Latina é um mosaico de moedas, regulações e hábitos de consumo que mudam cada vez que se cruza uma fronteira. No Brasil, o Pix domina. No México, o pagamento na entrega ainda é comum. Na Argentina, o parcelamento é um estilo de vida. Cada mercado tem suas próprias regras.
A maioria das empresas globais olha para essa complexidade e desiste. Dmytro Rukin olhou e pensou: “aqui está a oportunidade”. Porque complexidade cria uma barreira de entrada. Se você consegue navegar a fragmentação regulatória, conectar métodos de pagamento locais e operar em múltiplas moedas através de fronteiras, você se torna essencial. Você se torna a infraestrutura sobre a qual tudo o mais funciona.
Aí está o que a maioria não percebe sobre a América Latina. Em várias áreas críticas, a região já está à frente de mercados que a maioria presume como líderes. O Pix do Brasil processa mais transações instantâneas per capita do que quase qualquer país do planeta. As estruturas de Open Finance no Brasil e no México estão entre as mais avançadas globalmente. A Colômbia e o Chile estão impulsionando pagamentos em tempo real a um ritmo que surpreenderia qualquer um que não estivesse prestando atenção.
A América Latina está escrevendo seu próprio manual, e as empresas que constroem infraestrutura de pagamentos aqui não estão esperando o resto do mundo perceber.
Segundo Dmytro Rukin, ele escolheu construir neste mercado porque a oportunidade é enorme, os problemas são reais e as pessoas que os resolvem são alguns dos profissionais mais afiados que conheceu em qualquer lugar do mundo. A próxima década das fintechs globais será moldada, em grande parte, pelo que acontecer na América Latina. Portanto, Dmytro Rukin pretende estar no coração dessa evolução.
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