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Google nega que busca IA foi feita para manter usuários longe de sites

Nayak disse que o Google "acredita muito" no ecossistema da web e que vê na internet uma "riqueza" própria
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Google nega que busca IA foi feita para manter usuários longe de sites
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

O Google nunca otimizou a busca para “prender” as pessoas em suas páginas e sempre priorizou ajudar o usuário a encontrar o que procura, disse Pandu Nayak, cientista-chefe de busca do Google, em conversa com a reportagem, durante sua passagem por São Paulo no evento Google for Brasil.

A declaração veio após uma pergunta sobre a ideia de que a nova experiência com IA (inteligência artificial) pode fazer o público passar mais tempo no buscador, fazendo com que as pessoas acessem menos os autores da informação, como sites jornalísticos.

Nayak afirmou que a lógica do produto segue outra direção. “Nós nunca tivemos como métrica manter as pessoas na busca. Isso nunca foi otimizado para isso. Nós sempre otimizamos para ajudar os usuários a conseguir o que eles querem”, disse.

Segundo ele, as mudanças recentes seguem esse mesmo espírito: permitir que as pessoas façam a pergunta “que está na cabeça”. A partir disso, elas podem fazer questionamentos adicionais para esclarecer pontos e se aprofundar no assunto. Na sequência, Nayak disse que o Google “acredita muito” no ecossistema da web e que vê na internet uma “riqueza” própria, por ser um espaço em que as pessoas publicam e se conectam com outras.

“De todas as empresas de tecnologia, o Google,mais do que qualquer outra, acredita muito no ecossistema da web. Pessoalmente, acredito no ecossistema da web, e o Google também, porque acho que a web tem uma certa riqueza que ninguém mais tem. É o local onde as pessoas podem vir e dizer coisas. As pessoas querem se conectar com pessoas”, afirmou Nayak.

O cientista-chefe diz que o Google envia bilhões de cliques todos os dias para sites. Ele ainda afirma que a plataforma tem testado diversas formas para destacar as fontes utilizadas nas respostas geradas por IA, como links laterais, grupos de links ou mesmo destaques das notícias em buscas. Para ele, o objetivo é que o usuário comece pela resposta e, em seguida, use os links exibidos para se aprofundar.

“Nós fazemos um grande esforço para destacar os links que são usados na construção dessas respostas. Estamos ativamente experimentando diferentes formas de trazer esses links à tona”, afirma.

O Google é investigado na Europa e no Brasil pelo uso de respostas de IA. Por aqui, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) quer entender o impacto no tráfego e na receita de veículos na Visão Geral de IA (quando são exibidas respostas de IA) e Modo IA (quando são exibidas respostas a perguntas complexas). Na Comissão Europeia, a empresa é acusada de vantagem competitiva desleal (ao usar conteúdo de terceiros para melhorar seus próprios produtos sem nenhuma compensação) e impacto nos editores (ao reduzir tráfego de sites).


ChatGPT e Busca Agêntica

Questionado se a popularidade do ChatGPT influenciou o Google, o executivo diz que usava IA há anos nos “bastidores” e que o diferencial da OpenAI foi trazer isso ao público. Ele cita que o Google usou inteligência artificial no RankBrain, um algoritmo que ajuda a entender a intenção da busca, e o Bert, um sistema especialista em contexto, que ajuda a entender estruturas de frases dois sistemas que ajudam a compreender o que as pessoas querem encontrar. A equipe de pesquisa do Google foi ainda responsável pela arquitetura “transformer”, que é a base dos LLMs (Grandes Modelos de Linguagem) por trás dos principais chatbots de IA do mundo.

O que realmente veio ‘para a frente’ [para o público] foi a IA generativa. Pegamos o que há de mais moderno e trouxemos para a busca para nossos usuários. Nosso foco realmente é ajudar os usuários a receber informações relevantes e de alta qualidade de volta quando usarem a busca.Pandu Nayak.

Mesmo chefe da área de busca, o executivo diz que ainda se surpreende com os recursos. Ele afirmou, por exemplo, que se interessa por exploração espacial antes do Google, trabalhou na Nasa desenvolvendo um sistema de IA para controlar espaçonaves remotamente. Recentemente, ele foi pesquisar sobre o tema e a busca perguntou se ele queria ser avisado quando saíssem novas informações sobre o tema.

“Achei fascinante a busca ter me perguntado para configurar um agente de informação para me atualizar sobre o tema”, disse Nayak.

Apresentado durante o Google I/O, evento para desenvolvedores do Google em maio, o recurso de busca agêntica ainda não está disponível no Brasil. Apesar do nome “complexo”, é literalmente quando a busca realiza tarefas por você. Além de agentes de informação (como o que permite configurar um lembrete sobre um assunto), o sistema pode, por exemplo, fazer reservas de restaurante em seu nome e até realizar compras por você. Por enquanto, esses sistemas estão disponíveis majoritariamente nos Estados Unidos.

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