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Meta avança em IA que traduz ondas cerebrais em texto sem cirurgia

Sistema não invasivo Brain2Qwerty v2 traduz ondas cerebrais em texto, prometendo revolucionar a comunicação para pacientes com paralisia
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Meta avança em IA que traduz ondas cerebrais em texto sem cirurgia
Foto: Reprodução Adobe Stock

Cientistas da Meta criaram um sistema, o Brain2Qwerty v2, que lê as ondas magnéticas do cérebro enquanto uma pessoa pensa em digitar e traduz esses sinais em palavras em uma tela de computador -tudo usando apenas uma espécie de “capacete”, sem precisar implantar chips ou fazer cirurgias.

O projeto, batizado de Brain2Qwerty, funciona como um tradutor instantâneo dos nossos pensamentos. Para isso, os cientistas usam um exame chamado magnetoencefalografia (MEG), imagine uma espécie de capacete supertecnológico que consegue registrar a atividade elétrica do cérebro enquanto a pessoa digita no ar ou pensa nas letras. O sistema então “traduz” essa atividade direto para a tela, como se a mente fosse o próprio teclado.

A validação científica da descoberta foi publicada na prestigiosa revista Nature Neuroscience. No estudo, a equipe detalha como a primeira versão do sistema conseguiu aprender a decodificar frases a partir desses sinais de forma totalmente não invasiva, ou seja, sem precisar tocar no cérebro do paciente.

Com a atualização para o Brain2Qwerty v2, a Meta conseguiu automatizar e acelerar todo o processo de tradução. Em vez de usar etapas lentas e manuais para adivinhar quando o cérebro estava pensando em uma letra ou palavra, a nova inteligência artificial processa os dados brutos e gera o texto na tela em tempo real, de forma quase instantânea.

Para ensinar a máquina, nove voluntários saudáveis passaram cerca de dez horas digitando frases enquanto usavam o capacete. Enquanto eles realizavam a tarefa, a inteligência artificial mapeava quais áreas do cérebro acendiam para cada letra. O sistema também foi programado com um modelo de linguagem (similar ao corretor ortográfico do seu celular) para prever as próximas palavras e evitar erros de digitação mental.

Testes revelaram um salto gigantesco na precisão: o sistema acertou 61% das palavras, chegando a 78% no melhor caso. Para se ter uma ideia do tamanho desse avanço tecnológico, os métodos anteriores que não usavam cirurgia mal conseguiam passar de uma taxa de acerto de 8%.

Por que isso importa (e para quem)

Hoje, devolver a comunicação a quem perdeu os movimentos exige abrir o crânio para colocar chips. Embora os implantes cerebrais cirúrgicos funcionem bem, eles envolvem cirurgias delicadas, riscos de infecção e são extremamente caros, o que limita o acesso para a maioria das pessoas.

Uma alternativa que funciona apenas “vestindo um capacete” pode devolver a autonomia a milhares de pacientes com paralisia. Pessoas que sofrem de ELA (esclerose lateral amiotrófica), vítimas de AVCs graves ou pacientes que perderam totalmente a capacidade de falar e se mover, mas que continuam com a mente perfeitamente ativa, poderiam voltar a conversar com suas famílias e expressar suas necessidades de forma segura e rápida.

O principal obstáculo atual é que as máquinas de leitura cerebral hoje são grandes e custam caro. Elas parecem grandes scanners de hospital. No entanto, a equipe ressalta que a tecnologia desses sensores está encolhendo rapidamente, e a expectativa é que, no futuro, esse sistema caiba em um boné ou acessório de cabeça comum e acessível.

Código e dados abertos

Para acelerar o avanço da ciência, a Meta liberou os códigos de treinamento do Brain2Qwerty de forma gratuita. O conjunto de dados inicial, coletado em parceria com o Basque Center on Cognition, Brain, and Language, também ficará aberto para que cientistas do mundo todo possam colaborar e evoluir a tecnologia.

Entusiastas e pesquisadores podem explorar todos os detalhes, demonstrações e arquivos diretamente na página oficial. O hub do projeto e as ferramentas para download estão reunidos no endereço facebookresearch.github.io/brain2qwerty/.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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