Estudo com 500 mil pessoas revela hábitos que podem aumentar ou reduzir o risco de Alzheimer
Um estudo realizado durante 10 anos em Harvard com mais de 500 mil britânicos entre 40 e 69 anos identificou 76 fatores associados ao desenvolvimento de Alzheimer e outras demências. Entre eles, cochilos diurnos frequentes, dificuldades financeiras, problemas emocionais e poluição do ar aparecem como os principais fatores associados ao maior risco.
Exercícios regulares, convivência com um parceiro e uso de tecnologias digitais associam-se a menor risco. Publicado em outubro na revista Alzheimer’s & Dementia, o estudo analisou 8.881 participantes que desenvolveram Alzheimer ou demências relacionadas — 1,77% do total.
Os pesquisadores mapearam 193 tipos de exposição diferentes, divididos em cinco categorias: fatores sociais, hábitos de vida, exposições químicas, fatores físicos e características do ecossistema.
Hábitos e condições que aumentam o risco
Cochilos frequentes durante o dia emergiram como um dos fatores mais prejudiciais. Eles alteram os padrões normais do sono e comprometem o sistema glinfático, via responsável por eliminar metabólitos tóxicos e proteínas que se acumulam no cérebro durante o descanso profundo.
Dificuldades financeiras contínuas também elevam significativamente o risco, gerando estresse prolongado, reduzindo a qualidade de vida e limitando o acesso a acompanhamento preventivo de saúde.
Problemas emocionais — depressão, ansiedade, solidão e mudanças de humor — acionam respostas de estresse que sustentam inflamação neural e aceleram a degradação das células cerebrais.
A inalação de poluentes como dióxido de nitrogênio e partículas finas funciona como agente neurotóxico, provocando inflamação no sistema nervoso central. Fumar, ser exposto à fumaça de tabaco em casa e consumir álcool de forma inadequada também estão entre os comportamentos de risco.
O uso de múltiplos medicamentos simultaneamente — polifarmácia — emergiu como o preditor individual mais forte do estudo. Isso não reflete um efeito direto dos remédios, mas a presença simultânea de várias doenças crônicas graves que, por si só, contribuem para o desenvolvimento de demência.
Fatores que reduzem as chances de desenvolvimento
A prática regular de atividades físicas — caminhadas, exercícios estruturados e trabalhos manuais — atua por mecanismos neuroprotetores diretos e pode manter a idade cognitiva menor do que a idade cronológica.
Morar com um parceiro reduz significativamente os riscos: quem vive acompanhado apresentou risco 22% menor em comparação com quem mora com outras pessoas, pois a convivência atenua o isolamento, a solidão e o estresse, além de proporcionar estimulação mental contínua.
Estabilidade financeira e segurança econômica diminuem a carga de estresse ligada ao declínio cognitivo. O consumo regular de ovos também demonstrou proteção — pessoas que nunca comeram ovos tinham risco 76% maior de receber diagnóstico de Alzheimer.
O uso de tecnologias digitais, como computador e celular, associou-se a menor risco, por estimular o funcionamento cognitivo e manter o cérebro ativo. A investigação é observacional: identifica associações entre hábitos e a doença, mas não estabelece relação direta de causa e efeito.
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