Fazer carinho no próprio cachorro por cinco minutos não apaga o estresse na hora, mas pode preparar o corpo para enfrentar a próxima pressão

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Fazer carinho no próprio cachorro por cinco minutos não apaga o estresse na hora, mas pode preparar o corpo para enfrentar a próxima pressão
Foto: Sumeet Ahire/Pexels

Fazer carinho em um cachorro em meio a uma situação estressante não afeta a recuperação imediata do estresse, mas possui efeitos duradouros. Segundo um estudo da Universidade de Innsbruck publicado em Biological Psychology, o carinho prepara o corpo para lidar melhor com uma pressão futura.

64 donos de cães participaram de experimentos que mediam, por meio de eletrocardiograma e registros da atividade cerebral, como o contato físico com o animal afetava o coração, o cérebro e as emoções durante e depois de situações de estresse.

Os pesquisadores compararam dois cenários: em um, o dono podia tocar livremente no cachorro; no outro, o animal permanecia perto, mas sem possibilidade de contato físico.

Como funciona o efeito do toque

Durante a primeira tarefa estressante, fazer carinho no cachorro não reduziu a frequência cardíaca nem alterou os padrões de ondas cerebrais mais rapidamente do que a ausência de contato. A recuperação imediata não diferiu entre os dois grupos.

A diferença apareceu depois, e na segunda situação de estresse, em que os participantes fizeram cálculos matemáticos rápidos, aqueles que haviam tocado no cão mostraram uma resposta biológica mais calma. O toque preparou o corpo para lidar melhor com a próxima pressão e reduziu a reatividade do organismo ao novo desafio.

Por que os cientistas investigavam o toque

Há séculos, humanos e cães mantêm uma relação que começou como parceria prática — ajuda na caça, proteção e cuidado com animais — e evoluiu para uma ligação emocional forte. Pesquisas anteriores já associavam a posse de animais de estimação a resultados concretos: maior sobrevida após problemas cardíacos, menos solidão e maior felicidade geral.

Mas os mecanismos por trás desses benefícios permaneciam obscuros. Gestos simples entre humanos, como dar as mãos ou receber uma massagem nos ombros, reduzem a frequência cardíaca e diminuem a resposta do corpo ao estresse. Os pesquisadores queriam saber se tocar um animal produzia efeitos similares.

Estudos anteriores nunca haviam conseguido isolar o papel específico do toque, porque os participantes quase sempre podiam tocar, olhar e falar com o animal simultaneamente, impossibilitando identificar qual ação gerava o benefício.

Como o experimento foi desenhado

51 mulheres e 13 homens participaram do estudo com seus próprios cães. Os animais tinham pelo menos dois anos, eram saudáveis e estavam acostumados a ambientes novos. Cada pessoa enfrentou dois blocos de testes no mesmo dia: um com contato físico livre e outro sem possibilidade de tocar.

Para provocar estresse, os pesquisadores usaram um quiz de conhecimento geral com cinco segundos por pergunta, seguido de cálculos de subtração rápida no ritmo ditado por um ponto vermelho piscante. Um pesquisador acompanhava a atividade por videochamada e oferecia feedback negativo, o que aumentava a tensão. Entre as duas tarefas, havia um intervalo de cinco minutos.

O que muda para quem tem cachorro

Os dados sugerem que tocar, acariciar ou abraçar o cão pode fazer mais do que oferecer conforto: pode preparar o organismo para uma nova situação de estresse. O toque parece modular como o corpo antecipa e reage a futuras ameaças, reduzindo a sensibilidade à próxima onda de estresse.

As emoções relatadas pelos participantes nem sempre correspondiam às respostas medidas no corpo: o que sentiam podia diferir do que o coração e o cérebro registravam. O benefício emocional dos animais de estimação pode ter raízes na fisiologia do toque, não apenas no aspecto psicológico da companhia.

Sobre o autor

Laura Silveira

Rádio Itatiaia

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