Menos de 5 mil passos por dia aparecem ligados a 80% mais casos de demência, Parkinson e AVC

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Menos de 5 mil passos por dia aparecem ligados a 80% mais casos de demência, Parkinson e AVC
Foto: Jari Lobo/Pexels

Uma análise de dados de rastreadores de atividade física apontou relação entre o número de passos dados por dia e a possibilidade de desenvolver demência, Parkinson e acidente vascular cerebral (AVC). Pessoas que caminham menos de 5 mil passos por dia apresentaram taxas 80% maiores do que aquelas que caminhavam mais de 12 mil passos.

A análise acompanhou, durante um ano, os registros de mais de 22 mil adultos com 40 anos ou mais e consultou o histórico médico deles por outros cinco anos.

A baixa atividade também se associou a mais casos de obesidade, diabetes, pressão alta e depressão. Segundo os pesquisadores, essas condições podem explicar parte do aumento do risco neurológico.

Mais do que uma meta isolada, a quantidade diária de passos pode indicar o estado geral do corpo e da mente ao longo do tempo.

Quanto movimento é necessário para proteger o cérebro

Pessoas que mantinham uma média de cerca de 8 mil passos por dia apresentavam taxas de doença neurológica significativamente menores do que o grupo mais sedentário. Esse patamar é um alvo realista e sustentável para a maioria das pessoas, sem exigir mudanças drásticas na rotina.

Os 8 mil passos equivalem aproximadamente a 150 minutos de atividade moderada por semana, o mesmo valor recomendado por diretrizes federais de saúde pública. Alcançar esse número, portanto, está associado a menor risco de desenvolver Parkinson, demência ou AVC ao longo dos anos.

Usando aplicativos para acompanhar e motivar

Rastreadores de atividade e aplicativos de contagem de passos tornaram-se ferramentas práticas para monitorar esse hábito. Aplicativos como Google Fit, Samsung Health, Apple Health e Fitbit (nos smartphones e relógios inteligentes) registram automaticamente o movimento diário, oferecem metas personalizáveis e enviam lembretes.

Para quem prefere alternativas gratuitas, apps como Pacer, StepCounter e Accupedo também contabilizam passos com precisão e permitem acompanhar progresso semana a semana.

Vale destacar que também modelos de celulares que contam com aplicativos já instalados no sistema que oferecem funções voltadas para saúde física, como a contagem de passos.

A importância da consistência sobre a perfeição

Os pesquisadores enfatizam que manter uma contagem baixa de passos deve servir como sinal para uma avaliação geral da saúde, não como motivo para pânico sobre o risco cerebral. O risco está associado ao padrão de atividade: o que se repete, ano após ano, pesa mais do que um dia isolado.

Pequenas mudanças acumuladas fazem diferença: subir escadas em vez de pegar elevador, estacionar mais longe do destino e dar uma volta depois de almoçar são exemplos que podem ajudar.

Estabelecer objetivos de atividade física realistas e sustentáveis é mais importante do que buscar números que não se consegue manter. Os autores do estudo recomendam uma rotina regular de movimento físico adaptada às capacidades atuais, com foco em melhorias graduais em vez de mudanças radicais.

O alvo de 8 mil passos é um ponto de partida factível, respaldado por evidência científica e associado a menor risco de doença neurológica.

Por que passos diários protegem o cérebro

O movimento físico regular não protege o cérebro de forma isolada. Segundo os pesquisadores, a atividade consistente melhora condições gerais de saúde, como peso, controle do diabetes, pressão arterial e humor, e essas melhorias podem contribuir para a proteção neurológica.

Assim, caminhar mais funciona como indicador de um corpo e de uma mente mais saudáveis ao longo do tempo, associados a menor risco de doenças como demência e Parkinson.

A relação não é mágica nem direta entre o número de passos e o funcionamento cerebral. Pessoas que se movem regularmente também controlam melhor o peso, o açúcar no sangue, a pressão e a saúde mental, fatores que se acumulam para reduzir riscos neurológicos graves.

Quando contar passos pode não ser suficiente

Os pesquisadores alertam que manter uma contagem baixa de passos é um sinal de atenção, mas isso não significa que atingir 8 mil passos proteja completamente contra doenças neurológicas ou cure problemas de saúde já existentes. O número de passos é apenas um entre vários indicadores que devem ser considerados em uma avaliação geral da saúde.

Os autores ainda reforçam que estudos adicionais seguem sendo necessários para confirmar definitivamente essa ligação.

Sobre o autor

Laura Silveira

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