O sinal continua amarelo. Os números da inflação de janeiro em Belo Horizonte, divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), indicam que 2019 ainda vai exigir de consumidores, governo e empresas controle e austeridade. A inflação da Capital aumentou em 1,87% em janeiro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a evolução dos gastos das famílias com renda de um a cinco salários mínimos.

O índice já refletiu no humor do consumidor. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) referente a janeiro de 2019, resultado das entrevistas realizadas entre os dias 1º e 29 de janeiro, alcançou 39,27 pontos, apresentando uma queda de 0,38% na comparação com o mês de dezembro de 2018. Destaca-se ainda, que o índice permanece abaixo dos 50 pontos, nível que separa o pessimismo do otimismo. As componentes “Emprego” e “Situação Econômica do País” foram as que mais contribuíram para a queda do ICC-BH do mês de janeiro, com variação igual -0,38 do índice geral.

O item Situação Financeira da Família em Relação ao Passado também apresentou queda (-0,59%), podendo ter reflexo das obrigações a pagar no primeiro mês do ano, como o IPTU, IPVA e os gastos com educação e material escolar. Por outro lado, com 31,49 pontos, observa-se a maior pontuação para a componente Inflação desde agosto/2013, quando foi registrado 32,56 pontos, refletindo uma melhora na percepção dos consumidores sobre o comportamento dos preços na capital mineira.

Para a coordenadora de Pesquisa do Ipead, Taíse Martins, a alta da inflação em janeiro é um comportamento esperado, porém, em 2019 o número surpreendeu e ficou acima dos 1,7% registrados no mesmo mês do ano passado.

“O ano já começa pressionado, mas esperamos que ao final a inflação tenha se mantido dentro da meta. Janeiro apresenta algumas características especiais como os gastos com material escolar, os impostos como IPTU e IPVA e as contas feitas durante as festas de fim de ano. Tudo isso já foi sentido pela população, o que fez com que o índice de confiança caísse.

Passadas as eleições a esperança do trabalhador na recuperação da economia havia aumentado, mas já em janeiro voltou a cair. Quando observamos os preços da cesta básica é fácil entender essa reação, pois é na hora de fazer supermercado e sacolão que as pessoas mais percebem o quanto o seu dinheiro perdeu poder de compra”, explica Taíse Martins.

De acordo com a pesquisa, dos grupos avaliados, a maior alta veio dos produtos não alimentares, que englobam gastos com habitação e itens pessoais, com crescimento dos preços de 2,75% no mês. Logo em seguida, o conjunto de alimentação na residência apresentou elevação de 2,04% nos preços. O grupo de produtos administrados teve crescimento de 1,7% e habitação 0,85%. Na outra ponta, destacou-se o item alimentação fora da residência, com queda nos preços de 1,14%.

O custo da cesta básica apresentou a quarta alta consecutiva no mês de janeiro/2019, igual a 2,29%. Os principais responsáveis pelo aumento do preço da cesta foram a carne “Chã de dentro” (9,97%) e o “Feijão-carioquinha” (14,26%). O valor da cesta foi igual a R$ 426,75 no mês.