Eleições e futebol: Desmistificando o Brasil
Faltam menos de três meses para as eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. A corrida eleitoral se intensifica após a Copa do Mundo 2026, um dos maiores eventos esportivos do planeta. Mas o que existe em comum entre duas coisas tão diferentes quanto eleições e futebol?
A resposta está no comportamento do povo brasileiro diante desses dois acontecimentos. Nas eleições, os derrotados costumam justificar o resultado afirmando que o povo não sabe votar. No futebol, após uma eliminação, os torcedores também apontam erros, pedem mudanças e responsabilizam treinadores, dirigentes e a estrutura do esporte.
Eleições e futebol são exemplos da polarização presente no cotidiano brasileiro. Uma análise mais profunda, porém, mostra que há sabedoria na percepção popular. Não se pode aceitar a ideia de que o povo não sabe votar. Muitas vezes, os erros estão nas interpretações da classe política, nos interesses de grupos organizados e na dificuldade de ouvir a vontade da população.
Nas eleições de 2022, as pesquisas já demonstravam elevada rejeição aos dois candidatos que chegaram ao segundo turno. O resultado refletiu esse cenário, com elevado número de votos brancos, nulos e abstenções. Ainda assim, os mesmos grupos políticos voltam a ocupar o centro da disputa eleitoral.
E o que dizem as pesquisas realizadas de 10 a 14 de julho de 2026? Que de 47% a 50% dos entrevistados rejeitam ambos (Lula e Bolsonaro — agora o filho, devido à prisão do pai). É mais uma mostra que o povo sabe o que quer e o que não quer. Mantém-se coerente. A classe política e a sociedade civil precisam analisar e respeitar a vontade do povo brasileiro. É assim que se procede em um regime democrático, com respeito à decisão popular, a voz das ruas.
No futebol, a realidade também revela mudanças. O Brasil deixou de conquistar uma Copa do Mundo há mais de duas décadas e perdeu protagonismo internacional. Especialistas apontam, entre os motivos, problemas de gestão e crise ética nas instituições esportivas.
O mesmo ocorre com instituições públicas. A degradação ética, moral e administrativa compromete a confiança dos cidadãos e prejudica a imagem do País.
O nível de corrupção institucional é tão grande que a FGV-Ibre estima que esse mal consume anualmente de 2,4% a 4% do PIB, o que equivale a R$ 346 bilhões a R$ 540 bilhões por ano. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) estima valor ainda maior, de 5% a 7% do PIB, entre R$ 675 bilhões a R$ 945 bilhões/ano.
Os governos que criam desigualdades severas não gostam dos pobres, mas sim da pobreza porque dessa forma mantêm abertas as fábricas de votos. São os responsáveis por uma população sem renda digna e sem educação de qualidade, e pelo aumento dos privilégios que só aprofundam o abismo social.
Essa situação leva à perda da capacidade de escolha e compromete a liberdade econômica, política e de expressão da população, favorecendo a implantação de novas formas de escravização de um povo em pleno século XXI. É o retrato do Brasil das últimas três décadas.
Ouça a rádio de Minas