Expansão da Cenibra em Minas esbarra em lei que restringe compra de terras por estrangeiros
Uma das maiores produtoras de celulose do mundo, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) possui a mesma capacidade de produção há 20 anos e segue sem expectativa de ampliá-la. Um dos principais motivos para isso é a dificuldade que a empresa enfrenta diante da legislação nacional para adquirir áreas para aumentar o plantio de eucalipto.
“Para pensarmos em novas expansões de produção de celulose, o primeiro ponto é a garantia da produção de madeira”, afirma o diretor-presidente da Cenibra, Júlio Ribeiro, em entrevista ao Diário do Comércio.
“Existe uma lei brasileira que impede a aquisição de terras por empresas estrangeiras ou empresas com capital majoritariamente estrangeiro. Isso é algo que pesou muito para não crescermos ao longo desses anos”, explica.
Segundo o executivo, também existem algumas discussões em andamento sobre a legislação, mas até o momento as restrições permanecem. Conforme ele, diversas empresas atuam em prol de uma revisão da lei, porém isso ainda não ocorreu.
De fato, o tema é motivo de debate há décadas. Em uma recente movimentação a respeito, em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou as regras restritivas à compra de imóveis rurais por empresas estrangeiras ou com maioria do capital estrangeiro.
Empresa tem capacidade de produzir 1,2 milhão de toneladas por ano desde 2006
Localizada em Belo Oriente, no Vale do Aço, a Cenibra completou 53 anos de história no último dia 13. A empresa foi fundada em 1973 em uma parceria da Vale com um consórcio de empresas japonesas e passou a ter capital 100% japonês em 2001.
Atualmente, a Cenibra é controlada pela japonesa Oji Holdings Corporation. A unidade industrial da empresa tem duas linhas de produção de celulose branqueada de fibra curta de eucalipto e capacidade instalada de cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano desde 2006.
“Um dos pontos mais críticos para nós é a aquisição de terras, porque toda grande empresa de celulose tem nas florestas próprias a sua fonte de insumos, e são volumes muito grandes, que não dá para serem supridos por pequenos produtores”, reitera o diretor-presidente.
Ribeiro detalha que a Cenibra utiliza 85% de madeira própria e 15% oriunda de terceiros, por meio de um programa de fomento florestal com mais de 600 produtores, no qual investe cerca de R$ 140 milhões por ano. A empresa tem plantio de eucalipto em 54 municípios mineiros, número que sobe para mais de 80 se considerada a plantação dos parceiros.
Investimentos em modernização e otimização da planta
Embora mantenha, há duas décadas, a mesma capacidade de produção, e não tenha neste momento projeto para expandi-la, a Cenibra investiu ao longo dos últimos anos na modernização e otimização da planta em Belo Oriente e planeja investir mais.
O diretor-presidente revela que a empresa realiza um estudo de viabilidade econômica para a instalação de uma nova caldeira a biomassa em substituição às existentes. O objetivo é aumentar a eficiência e a capacidade de geração de vapor para o processo industrial.
Sem estimar valores, Ribeiro afirma que o projeto deve custar milhões de dólares. O atual cenário geopolítico global e do mercado tem imposto incertezas e dificultado a aprovação de aportes de grande porte, de acordo com o executivo, no entanto, ele espera que o investimento seja autorizado nos próximos seis meses.
Pressão de preços e custos altos impactam setor
O ano tem sido desafiador para o setor de celulose, incluindo a Cenibra, que sofre com alta nos insumos e logística e pressão de preços por baixa demanda e verticalização da China, de acordo com Ribeiro. O diretor-presidente salienta que os balanços das empresas no fechamento de 2026 deverão indicar resultados inferiores aos de 2025.
Conforme ele, ainda que os preços da celulose branqueada de fibra curta tenham reagido em relação ao ano passado, estão abaixo de US$ 600 a tonelada, sendo que o patamar considerado bom é de pelo menos US$ 650. Além disso, os custos estão subindo acima da inflação, pressionados pelo aumento de preços de itens, como fertilizantes, combustíveis, frete marítimo e energia, impactados pelas guerras em curso.
Neste ano, a produção da Cenibra deve ficar um pouco menor que 1,2 milhão de toneladas, assim como as vendas, de acordo com Ribeiro. Em 2025, a empresa produziu um pouco mais de 1,2 milhão de toneladas e vendeu aproximadamente esse volume.
Segundo o executivo, entre um percentual entre 95% e 98% da produção em Belo Oriente é vendido para o exterior. As exportações são divididas em cerca de 40% para a Europa, 40% para a Ásia (sobretudo a China), 15% para a América do Norte e 5% para o mercado spot.
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