Agropecuária mineira cobra diálogo ‘menos áspero’ no novo governo Lula

Presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo defende respeito às diferenças ideológicas e espera melhora na relação com o governo federal.
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Agropecuária mineira cobra diálogo ‘menos áspero’ no novo governo Lula
Foto: Adobe Stock

A agropecuária de Minas Gerais espera encontrar um diálogo “menos áspero” com o governo federal no quarto mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para além disso, o setor defende que seja feito um esforço conjunto para que a importância do setor seja mais divulgada para os brasileiros e para outros mercados.

O presidente do Sistema Faemg Senar (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais/ Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Antônio de Salvo, afirma ao Diário do Comércio que o diálogo com o governo, nos últimos quatro anos, foi áspero, porque o setor foi rotulado como “bolsonarista” e porque era preciso discutir as questões do setor com mais de um ministério (da Agricultura e Pecuária, e do Desenvolvimento Agrário, recriado em 2023, quando o petista assumiu o terceiro mandato).

“Precisamos continuar tendo um diálogo claro e é isso que esperamos: que, neste quarto mandato, o presidente eleito tenha um diálogo limpo, menos áspero conosco, para que possamos seguir fazendo o nosso papel, independentemente da posição ideológica, tanto por parte do governo como por parte de alguns produtores rurais que nitidamente têm uma ideologia mais voltada ao lado conservador, diferente da (linha) do governo eleito”, salienta.

“Somos proprietários rurais, confiamos no que fazemos, temos confiança de que o Brasil precisa da gente e nós precisamos de um governo que nos ouça e que nos entenda, porque nós não queremos o mal da nação, nós queremos o bem da nação”, reforça. Antônio de Salvo diz que o setor tem esperança e deseja voltar a ter um diálogo positivo com o governo federal, algo que já ocorreu em outros mandatos de Lula e na época de Dilma Rousseff, mesmo com campos ideológicos distintos.

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Diálogo depende da escolha do novo ministro da Agricultura

Questionado se a agropecuária mineira está mais otimista ou pessimista para o próximo governo do petista, o presidente do Sistema Faemg Senar afirma que é preciso aguardar a definição dos ministros para ver como a gestão será conduzida. Antônio de Salvo acrescenta que o diálogo positivo também parte da escolha de um ministro da Agricultura que tenha a sensibilidade de entender os reais problemas do País. Segundo ele, existem bons nomes que podem ajudar o presidente reeleito e, embora o setor agropecuário e o governo federal não precisem ser amigos, devem se respeitar.

Nesse sentido, o presidente do Sistema Faemg Senar diz que a agropecuária não é a causa dos problemas climáticos e, sim, a solução, com o sequestro de carbono; traz divisas para o País, além de ajudar a balança comercial a ser superavitária; contribui para gerar segurança alimentar; e produz riqueza para ser distribuída pelo governo para a população.

Ao pontuar sobre o que o terceiro mandato de Lula fez que ajudou o setor agropecuário e precisa seguir no quarto mandato, Antônio de Salvo destaca a abertura de novos mercados no exterior e as iniciativas de fortalecimento do setor de energia limpa.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)