Minas certifica 13 fazendas de algodão sustentável e eleva competitividade no mercado internacional

Com mais de 17 mil hectares certificados, Minas Gerais busca ampliar a rastreabilidade e atender às exigências de compradores internacionais
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Minas certifica 13 fazendas de algodão sustentável e eleva competitividade no mercado internacional
Foto: Divulgação Amipa

A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) concluiu o ciclo de certificação da safra 2025/2026 com 13 propriedades rurais aprovadas no programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). As fazendas também mantêm o reconhecimento internacional de sustentabilidade da Better Cotton Initiative (BCI).

A certificação atesta o cumprimento de critérios relacionados à legislação trabalhista, às práticas de manejo ambiental e à eficiência da gestão das propriedades. Esses requisitos são cada vez mais valorizados na comercialização da pluma de algodão, especialmente no mercado internacional.

Com compradores cada vez mais atentos à origem e às condições de produção da fibra, as certificações ABR e BCI ganham relevância na comercialização do algodão, sobretudo nas negociações internacionais.

Minas Gerais ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de algodão do Brasil na safra 2025/2026, com mais de 39 mil hectares plantados, dos quais mais de 17 mil hectares são certificados. Em 2023, o Estado registrou a maior produtividade do País, com 2.045 quilos de pluma por hectare.

A aprovação no ABR ocorreu após a realização da Verificação para Diagnóstico da Propriedade (VDP) e a implementação do Plano de Correção de Não Conformidades (PCNC), etapas conduzidas com suporte técnico da Amipa.

Segundo o presidente da entidade, Daniel Bruxel, a certificação das 13 propriedades demonstra que os produtores mineiros têm incorporado esses critérios à gestão das fazendas. “Além de atender às exigências do mercado, o processo melhora rotinas, amplia a segurança dos trabalhadores e torna a operação mais eficiente”, afirma.

O consultor técnico da Amipa, Luis André de Queiroz, explica que a certificação conjunta ABR e BCI exige o atendimento de 90% dos critérios estabelecidos, além do cumprimento integral dos Critérios Mínimos de Produção. “Ofertamos os modelos de documentos e a assessoria técnica para que as propriedades adotem os protocolos exigidos pelo mercado”, afirma.

O trabalho começa meses antes da auditoria oficial, com diagnósticos preventivos para identificar adequações necessárias nas propriedades. A preparação é acompanhada pela equipe técnica da Amipa, que orienta os produtores sobre o atendimento aos critérios exigidos.

Sobre o ABR

Algodão
Foto: Divulgação Seapa

A conformidade trabalhista é um dos principais pilares do ABR, que exige o cumprimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e da Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31). Criado em 2012 pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o programa também estabelece critérios relacionados às boas práticas agrícolas, à saúde do solo e à destinação de resíduos.

A transparência das ações do programa foi ampliada em 2026 com o lançamento do primeiro relatório de sustentabilidade elaborado com base nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), referência internacional para a divulgação de informações ambientais, sociais e de governança. Segundo o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, a iniciativa atende à demanda do setor por informações estruturadas.

“O setor têxtil necessita desses dados, e atualizamos os temas estratégicos do programa para reportar esses avanços de forma estruturada”, afirma.

O ABR também avalia práticas relacionadas à sustentabilidade e à gestão climática das propriedades, como o uso de energia fotovoltaica, a adoção de plantas de cobertura e o mapeamento de emissões de carbono. Esta última iniciativa é desenvolvida em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Desde 2025, com a estruturação do Instituto ABR, representantes dos produtores, da indústria, da academia, de organizações não governamentais (ONGs) e de marcas do varejo internacional participam das discussões sobre o direcionamento estratégico do programa. Nas propriedades, a aplicação dos critérios é acompanhada por auditorias e procedimentos de controle.

O Grupo Farroupilha, sediado em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, mantém cinco propriedades certificadas distribuídas entre os municípios de Buritizeiro, no Norte de Minas; Coromandel e Presidente Olegário, no Alto Paranaíba; e São Gonçalo do Abaeté, no Noroeste do Estado.

Segundo a gerente de saúde, segurança e sustentabilidade do grupo, Carolina Lara Vasconcelos Ferreira, a auditoria externa contribui para demonstrar o cumprimento dos critérios de produção. Ela explica que, para os compradores, a certificação oferece garantias relacionadas ao controle do uso de defensivos agrícolas, à disponibilização de equipamentos de proteção aos trabalhadores, à realização de exames médicos e aos treinamentos periódicos.

“O monitoramento rastreia da semente até o fardo, preservando a qualidade da fibra, que é processada em nossa unidade em Patos de Minas”, relata.

Rastreabilidade

Algodão
Foto: Divulgação Amipa

Segundo a Amipa, a aprovação no ABR permite que o produtor comercialize a safra como algodão certificado BCI, conforme as regras aplicáveis aos programas. A rastreabilidade dos produtos e a comprovação de informações sobre sua origem e seus impactos ambientais e sociais ganham importância no comércio internacional, especialmente diante da evolução das exigências regulatórias da União Europeia (UE) para as cadeias de fornecimento.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) referentes à safra 2024/2025 mostram que o Brasil responde por mais de um terço do volume global licenciado. Para ampliar a participação de propriedades mineiras nesse mercado, a Amipa adota um ciclo de adaptação de dois anos, com diagnóstico e implementação de melhorias no primeiro e auditoria e certificação no segundo.

“Trabalhamos em conjunto com o Estado no programa Certifica Minas Algodão. Nossa meta é formar uma teia de certificações que dê garantia total à indústria têxtil sobre a fibra que sai de Minas Gerais”, afirma Queiroz.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.