Atlas Fertilizantes vai inaugurar fábrica em Uberaba com meta de reduzir dependência de importações

Empresa mudou cronograma da construção para ter solidez financeira no projeto, que pretende fabricar 530 mil toneladas por ano do insumo
Atlas Fertilizantes vai inaugurar fábrica em Uberaba com meta de reduzir dependência de importações
Foto: Divulgação

A Atlas Fertilizantes, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, que já havia programado a construção de uma fábrica para entrar em operação em 2028, refez a rota e prevê inaugurar a unidade somente em 2031. A projeção é produzir 530 mil toneladas anuais de nitrato de amônio.

Os investimentos na unidade podem chegar a US$ 1,1 bilhão (R$ 6,04 bilhões na cotação atual) para cumprir todas as etapas previstas e se tornar operacional. O valor anterior era de US$ 850 milhões (R$ 4,86 bilhões). O reajuste também fez parte das mudanças para que o projeto pudesse seguir um cronograma sólido e cumprir os prazos.

“A mudança de rota no projeto foi um ajuste de cronograma. O nosso propósito é lidar com um grande desafio do Brasil, aproveitando a grande vantagem natural que o País tem: reduzir a dependência de importação de fertilizantes e fazer isso com o que o Brasil tem, que é a natureza e todos os seus elementos, para produzir de maneira muito competitiva e de baixo custo hidrogênio verde, que leva ao dia a dia dos fertilizantes nitrogenados verdes”, diz o CEO da Atlas Fertilizantes, Lieven Cooreman.

Cooreman explica que a intenção é ter um custo de produção competitivo para atender bem o mercado nacional. Para isso, porém, é necessário ter um contrato de energia de longo prazo com uma produtora de energia renovável. “São contratos de 10 anos, o que nos permite produzir o nitrato de amônio sem um custo maior para o agricultor. O agricultor hoje tem sempre a margem bastante apertada, com todos os insumos e os custos financeiros, o que complica bastante a situação do agro; todo mundo sabe”, confirma o executivo.

E completa: “O nosso produto será vendido pela chamada paridade do produto importado. Hoje, o Brasil importa 97% do seu nitrogenado, então vamos garantir que o produtor não tenha nenhum incremento de custo em relação ao produto que ele já importava”.

Segundo a empresa, há duas frentes de parcerias a construção da fábrica avançar. Uma, já anunciada, é com a Casa dos Ventos, maior desenvolvedora de projetos renováveis do País. A outra é diretamente com os clientes, que vão ajudar a viabilizar a operação. “Já construímos parcerias que cobrem 22% da capacidade da planta, que é de 530 mil toneladas por ano, ou seja, cerca de [117 mil] toneladas. Já fechamos contratos comerciais de offtake de 10 anos com misturadores de fertilizantes na região de Uberaba”, explica o CEO.

Ele acrescenta também que a empresa vai buscar parceiros como o BNDES, outras instituições financeiras de desenvolvimento e bancos comerciais. “Neste momento, trabalhamos no desenvolvimento da engenharia e na negociação dos contratos comerciais e de energia. Depois vem a decisão financeira para a construção, que exigirá a garantia de US$ 1,1 bilhão entre bancos e investidores”, comenta Cooreman.

Região estratégica

A futura fábrica da Atlas Fertilizantes deve gerar 2 mil empregos durante as obras. Com a planta pronta, a previsão é de até 500 empregos diretos.

O empreendimento poderá abrir uma nova era para Uberaba e para o Triângulo Mineiro, que terá também, em breve, outra fábrica de fertilizantes, da Agrion, em Frutal, tornando a região um polo estratégico para a produção de fertilizantes no País.

“Escolhemos Uberaba porque é uma localização estratégica, próxima ao mercado consumidor. Só para ter uma ideia, ao redor de Uberaba há 3 milhões de toneladas de demanda de nitrato de amônio. Vamos produzir 530 mil. Então, estamos muito tranquilos: a demanda na região é enorme. Uberaba também tem vocação agroindustrial e um centro de inovação agrícola. Acreditamos que a cidade reúne as condições ideais para um projeto desse tamanho”, conclui o CEO da Atlas Fertilizantes, Lieven Cooreman.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Especial
Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas