Agronegócio

Biofábrica em Goianá amplia acesso a controle biológico de pragas no Estado

Parceria entre instituições instala biofábrica em Goianá para ampliar o uso de controle biológico e reduzir defensivos químicos.
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Biofábrica em Goianá amplia acesso a controle biológico de pragas no Estado
Foco da unidade de Goianá é produção da vespinha do gênero Trichogramm | Foto: Reprodução Adobe Stock / Zhang Yongxin

A busca constante por uma agropecuária mais sustentável e por práticas que respeitem o meio ambiente tem estimulado a criação de biofábricas. Exemplo disso foi a instalação de uma unidade em Goianá, na Zona da Mata de Minas Gerais. A biofábrica tem o objetivo de ampliar o acesso de produtores ao controle biológico de pragas, especialmente em áreas de milho e hortaliças.

Fruto de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Goianá, a Embrapa Milho e Sorgo, a Emater-MG, o Grupo de Estudos da Agricultura Familiar da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o projeto visa incentivar práticas agrícolas mais sustentáveis por meio do controle biológico. A unidade vai utilizar insetos para auxiliar no combate às pragas de forma natural, reduzindo o uso de defensivos químicos e promovendo mais equilíbrio ambiental na produção agrícola.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Vinícius Guimarães, explica que a criação de biofábricas é importante para descentralizar a produção de insumos biológicos, permitindo maior acesso aos produtores. Além disso, reduz o uso de defensivos químicos e os custos de produção.

“A inauguração da biofábrica de insetos em Goianá é um marco estratégico porque descentraliza a produção de tecnologia biológica, levando-a para dentro do território da agricultura familiar”.

Ainda conforme Guimarães, com a instalação da unidade no município haverá o fim do gargalo logístico, já que antes, os agricultores dependiam do envio do controle biológico pelos Correios.

Vinícius Guimarães
Chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Vinícius Guimarães | Foto: Divulgação Sinval Lopes

“Qualquer atraso no transporte “quebrava” a janela ideal de aplicação na lavoura, anulando a eficiência do manejo. A produção local zera esse risco. Além disso, promove a redução de custos e do uso de defensivos, uma vez que o produtor passa a ter acesso fácil a uma alternativa eficaz para reduzir o uso de inseticidas químicos, o que barateia o custo total de produção e agrega valor ecológico à sua colheita”, disse.

Microvespas produzidas na biofábrica atuam no combate natural às pragas

Conforme a Embrapa, a biofábrica de Goianá é focada na produção da vespinha do gênero Trichogramma, um dos agentes de controle biológico mais eficientes da agricultura. Essas microvespas atuam fazendo o parasitismo de ovos.

“Elas encontram os ovos das pragas – como lagartas – e depositam seus próprios ovos ali dentro, impedindo que a praga nasça e destrua a plantação. É uma ação preventiva e natural. Na Zona da Mata, o foco principal está nas lavouras de milho, para o combate à lagarta-do-cartucho, e na produção de hortaliças. Mas a tecnologia é amplamente aplicável a outros cultivos afetados por lepidópteros (mariposas e borboletas)”.

Guimarães explica que investir em bioinsumos é garantir o futuro e a resiliência da agricultura por três pilares fundamentais: sustentabilidade e saúde, independência tecnológica e fortalecimento da agricultura familiar.

“Os bioinsumos preservam a biodiversidade do solo, protegem os polinizadores, reduzem a contaminação de recursos hídricos e garantem um alimento mais limpo para o consumidor e mais segurança de manejo para o trabalhador rural. Além disso, são uma alternativa que diminui a forte dependência do campo em relação a insumos químicos importados e flutuações de preços internacionais. Com eles, há ainda o fortalecimento da agricultura familiar, já que alinham o pequeno produtor às exigências modernas de mercados que remuneram melhor produtos baseados na transição ecológica e na agrobiodiversidade”.

Expansão

Devido à demanda crescente pelo controle biológico no Estado, o modelo e a articulação construídos em Goianá já servem de referência e aprendizado para o fortalecimento da estratégia em outras regiões de Minas. “O próximo município mapeado para receber essa experiência de expansão, fruto do compromisso de gestão e visão estratégica da Embrapa Milho e Sorgo, é Porteirinha, no Norte de Minas Gerais”, finaliza o chefe-geral da empresa pública.

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