Conab estima recordes para produção de etanol e área de cana 26/27
A produção de etanol do Brasil deverá somar um recorde de 40,69 bilhões de litros na safra 2026/27, alta de 8,5% frente ao ciclo passado, em uma temporada em que o país contará com crescimento da safra de cana com uma área cultivada histórica, maior destinação da matéria-prima para a produção do biocombustível e também crescimento da fabricação do produto à base de milho, de acordo com dados da Conab publicados nesta terça-feira (28).
A produção de etanol do centro-sul, principal região produtora, foi prevista em 36,98 bilhões de litros, avanço de 8% na comparação com a temporada passada, de acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada 2026/27, iniciada em abril.
A Conab citou ainda que o mercado de etanol está mais favorável que o de açúcar, cujos preços oscilaram na bolsa de Nova York próximos a mínimas de cinco anos, recentemente. No caso do combustível, a alta do preço do petróleo por conta da guerra do Irã poderia influenciar a cotação da gasolina, estimulando ainda mais a produção do biocombustível.
“Ao longo da safra… o direcionamento industrial poderá sofrer ajustes conforme o comportamento dos mercados de açúcar e combustíveis. O cenário de preços do açúcar e a instabilidade no mercado do petróleo tendem a favorecer o direcionamento para a produção de etanol, especialmente o hidratado”, disse a Conab, citando o tipo de combustível usado diretamente nos carros flex.
A produção brasileira de etanol de cana foi estimada em 29,26 bilhões de litros, crescimento de 7,1% em relação ao ciclo anterior. Já a fabricação de etanol de milho deverá aumentar 12,3% para 11,4 bilhões de litros, destacou a Conab.
“Assim como nos últimos anos, a estimativa de produção de etanol de milho deve crescer. A região Centro-Oeste continua sendo a principal produtora de etanol de milho, mas o Nordeste vem ganhando destaque com novas unidades de produção”, adicionou a Conab.
Mais cana e área recorde
A safra de cana-de-açúcar do Brasil deve alcançar 709,13 milhões de toneladas em 2026/27, o segundo maior volume da série histórica, atrás apenas da colheita de 2023/24, com um crescimento de 5,3% do volume ante a temporada passada, estimou a Conab.
Segundo a estatal, a produção de cana deve ser beneficiada por uma melhora na produtividade e maior área a ser colhida, que atingirá um recorde, ajudando a minimizar um menor direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar.
A área a ser colhida com cana no ciclo no Brasil deverá somar 9,12 milhões de hectares, aumento anual de 1,9%, que deve apagar por pouco uma máxima histórica vista em 2016/17 (9,05 milhões de hectares).
A Conab citou migração de pastagens e áreas antes destinadas a culturas anuais, como soja e milho, ao explicar o aumento do cultivo de cana.
Já produtividade média foi prevista em 77,75 toneladas por hectare, aumento anual de 3,4%.
Considerando apenas o centro-sul, onde os percentuais de aumento são semelhantes em área e produtividade, a expectativa é de que a safra atinja 649,77 milhões de toneladas, avanço de 5,4% frente à anterior.
Leve queda no açúcar
A Conab estimou que a produção de açúcar do Brasil, maior produtor e exportador global, deverá cair 0,5%, para 43,95 milhões de toneladas em 2026/27, como reflexo de um mercado mais favorável ao etanol. No caso do centro-sul, o volume produzido deverá recuar 1,4%, mas ainda ficará um pouco acima de 40 milhões de toneladas.
“Assim, embora a safra 2026/27 se inicie com perspectiva de maior oferta de cana, o ambiente internacional segue menos favorável para a remuneração do açúcar exportado”, constatou a Conab.
O Brasil teve uma produção recorde de 45,7 milhões de toneladas na temporada 2023/24, de acordo com dados da Conab.
A estatal comentou que a produção mundial de açúcar em 2025/26 permaneceu em expansão, com impulso da Índia e Tailândia, além da oferta brasileira.
Conteúdo distribuído por Reuters
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