Agronegócio

Minas Gerais domina Mundial do Queijo com mais de 170 medalhas

Estado reafirma liderança no setor, conquistando prêmios Super Ouro, Ouro, Prata e Bronze para queijos e derivados
Minas Gerais domina Mundial do Queijo com mais de 170 medalhas
De Araxá, Queijo Minerim, da Fazenda Só-Nata, um casca florida com 60 dias de maturação, conquistou o Super Ouro | Foto: Arquivo pessoal / Alexandre Honorato

Minas Gerais, na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, em São Paulo, reafirmou sua posição como uma das maiores potências do setor lácteo do País, consolidando tradição, qualidade e inovação na produção de queijos e derivados. O Estado conquistou mais de 170 das 567 medalhas distribuídas durante o evento, considerado um dos eventos mais relevantes do setor no País.

Conforme os dados divulgados pela organização, entre as medalhas conquistadas, que somaram 172, estão 23 Super Ouro, 42 Ouro, 52 Prata e 55 Bronze. As premiações foram conquistadas por queijos, doces de leite, iogurtes e manteigas. Ao todo, o certame contou com 2,7 mil produtos vindos de vários estados do País e do mundo. Os produtos foram avaliados por cerca de 300 jurados.

De acordo com a coordenadora técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Fernanda Quadros, o Mundial do Queijo tem grande relevância para os produtores mineiros.

“Desde a primeira edição do Mundial, nós da Emater-MG participamos como jurados. Nesta edição, foram seis pessoas. A participação dos produtores mineiros no evento é muito importante e sempre incentivamos a se inscreverem. A participação no concurso é uma forma de melhoria contínua dos queijos e derivados, já que os produtores recebem os resultados e ficam sabendo onde é preciso melhorar”.

Queijos
Produtos do Laticínios Lejane, de Aiuruoca, receberam várias premiações, dentre elas, também um Super Ouro (última foto) | Foto: Arquivo pessoal / Ricardo Correa

Para os produtores que conquistam medalhas no concurso, os ganhos são inúmeros. “Conquistar medalha no Mundial do Queijo é um grande reconhecimento do trabalho do produtor. Vender o queijo com o selo de campeão na embalagem conta muito. É um marketing que faz a diferença. Além disso, mostra que o produtor está no caminho certo. Geralmente, os vencedores registram alta na procura e nas vendas. Os consumidores valorizam e buscam pelos produtos premiados”, explica a coordenadora-técnica da Emater-MG.

Entre os queijos campeões da 4ª edição do Mundial do Queijo estão produtos do Laticínios Lejane, de Aiuruoca, no Sul de Minas. Além de conquistar a medalha Super Ouro com o Queijo Minas Meia Cura, o Lejane também foi agraciado com outras quatro medalhas de Bronze, concedidas ao Queijo Tipo Gouda; ao Queijo tipo Brie com salsa tartufata; Queijo tipo Gouda “A Tal’ Chica” e à Manteiga de primeira qualidade com sal.

O CEO do Laticínios Lejane, Ricardo Correa, destaca a importância da premiação: “Em se tratando de um concurso mundial, com mais de 2.700 queijos inscritos, essas conquistas refletem o resultado do trabalho de uma grande equipe e nos trazem ânimo de seguir adiante. A Lejane, com praticamente três anos de mercado, vem se posicionando nacionalmente como uma grande indústria, mas com a arte de queijaria artesanal, com criações autorais. Esse reconhecimento no 4º Mundial, bem como no 3º Mundial e no Mondial du Fromage, na França, no ano passado, certamente demonstra nossa dedicação”.

Em Araxá, no Alto Paranaíba, o produtor Alexandre Honorato, da Fazenda Só-Nata, também conquistou a medalha Super Ouro, com o Queijo Minerim, um casca florida com 60 dias de maturação.

“Conquistar uma medalha é muito importante e gratificante, assim sabemos que o nosso queijo vem mantendo a qualidade e ganhando novos prêmios. Sou o atual campeão mineiro, bicampeão estadual e já tinha ganhado um ouro lá na França, no Mondial du Fromage, porém, um Super Ouro é formidável”.

Honorato explica que a conquista de medalhas é reconhecida pelo mercado e ajuda a alavancar as vendas. “O mercado valoriza as medalhas, que são uma grande ajuda para elevar as vendas. Nosso queijo é o Queijo Minas Artesanal (QMA), com diferentes tempos de maturação. Esse Super Ouro foi um queijo que minha esposa começou a produzir, que é o casca florida, mas ainda não estamos produzindo para venda”.

Os queijos produzidos na Fazenda Só-Nata são vendidos para vários estados, mas a maior parte das vendas acontece mesmo em Araxá. “O mercado tem comprado bem nossos queijos pela qualidade. Nós não temos muito problema de venda. O desafio maior é manter a qualidade com o volume de queijos que produzimos”, explicou.

Uma visão detalhada de uma mesa de premiação ricamente organizada, apresentando uma vasta coleção de reconhecimentos individuais. Cada item é um disco dourado com um miolo em preto e amarelo.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Fernanda Quadros

Em São Roque de Minas, na região da Canastra, o produtor José Antônio de Faria, da Fazenda Santiago, conquistou uma medalha Super Ouro com o Queijo Canastra, com 15 dias de maturação. A produção, que é familiar, gira em torno de 50 a 60 queijos por dia.

Conforme a produtora e filha de José, Raquel Costa Faria, a produção de queijos é uma tradição antiga da família, que hoje já está na sexta geração. Esta foi a terceira medalha conquistada no Mundial do Queijo do Brasil, já que na edição de 2022 o queijo foi agraciado com a medalha de ouro e na de 2024 com uma prata.

Queijo Canastra 15 dias,
Queijo Canastra 15 dias, de José Antônio de Faria, ficou agora com Super Ouro foto | Foto: Arquivo pessoal / José Antônio de Faria

“Sou a sexta geração da família na produção de queijos. Em 2022, com o incentivo da minha prima e sem meu pai saber, mandei, pela primeira vez, um queijo para o concurso e ganhamos a medalha de ouro. Agora, ganhar o Super Ouro é uma grande satisfação, ainda mais por sermos pequenos produtores. A medalha vai ajudar a divulgar nosso queijo, a atrair turistas para visitar a fazenda e ajudar a agregar valor”, disse a produtora.

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