Minas Gerais lidera Cup of Excellence 2026 com mais de 80% dos melhores cafés
Minas Gerais não lidera a cafeicultura brasileira apenas em volume de produção. O Estado também se destaca pela qualidade dos grãos e pelo potencial de agregação de valor à atividade. Na edição 2026 do Cup of Excellence Brazil, considerado um dos principais concursos de cafés especiais do mundo, os mineiros foram os responsáveis por produzir 22 dos 27 melhores cafés especiais da espécie arábica cultivados nesta safra, o equivalente a 81,5% do total. Minas também garantiu o primeiro lugar nas três categorias avaliadas.
O Cup of Excellence é organizado no Brasil pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Alliance for Coffee Excellence (ACE). Nesta edição, os cafés passaram por avaliações às cegas de jurados nacionais e internacionais. Para receber a premiação, os lotes precisaram alcançar pelo menos 87 pontos, em uma escala de 100 pontos.
No Cup of Excellence Brazil, a predominância mineira foi registrada nas três modalidades do concurso: Experimental, Via úmida e Via seca. Além disso, o café com a maior pontuação da competição, 92,25 pontos na escala de zero a 100 da competição, também é mineiro e foi produzido pela Ipanema Agrícola, em Conceição do Rio Verde, na região da Mantiqueira de Minas.
O lote da Ipanema Agrícola foi o melhor da categoria Experimental e, ao alcançar mais de 90 pontos, foi considerado um café presidencial. A categoria Experimental selecionou os melhores cafés que passaram por processos inovadores e/ou de fermentação induzida. Ao todo, foram 10 vencedores e todos de Minas Gerais, com o grande campeão sendo o lote da variedade Geisha produzido pelo grupo Ipanema Agrícola.
Na mesma categoria, a segunda colocação ficou com o Sítio São Pedro, de Vargem Bonita, na região do Café da Canastra, com 90,13 pontos. O terceiro lugar foi conquistado pela Fazenda Campo Alegre, em Piumhi, também na região da Canastra, com 90,10 pontos.
Na categoria Via Úmida, destinada aos frutos que passaram pelo processo de remoção da casca por meio de cilindros descascadores, resultando em cafés despolpados, desmucilados ou cerejas descascados (CD), foram sete vencedores, destes, cinco foram produzidos em Minas Gerais.
O campeão da categoria foi o produtor Cleverson Daniel da Silva, que conquistou o certame com um café Geisha cultivado no Sítio Vargem Alegre, em Cristina, na Mantiqueira de Minas. A bebida alcançou a pontuação de 91,31, que o elevou ao patamar de café presidencial.
Ainda na categoria, outro café que conquistou a chancela presidencial foi um blend das variedades Catucaí Amarelo e Geisha, produzidas no Sítio São Taruma, na Mantiqueira de Minas, que alcançou a nota 90,58 pontos e ficou em segundo lugar. O terceiro melhor café via úmida também é mineiro, da região do Cerrado e produzido na Fazenda Lagoa dos Estulanos – Café DBarbosa. Com o lote, o cafeicultor Vitor Marcelo Queiroz Barbosa alcançou 89,92 pontos.
Assim como nas demais categorias, na Via Seca (café natural, colhido e seco com casca) os produtores de Minas Gerais também foram destaque. O café campeão foi produzido por Hilda Cândida da Silva, um Geisha cultivado no Sítio Nossa Senhora das Candeias, em Cristina, na Mantiqueira de Minas. A bebida obteve a pontuação presidencial de 91,29 pontos.
A categoria teve outros dois cafés presidenciais, com nota superior a 90 pontos. São os lotes de Flávio Márcio Ferreira da Silva, da variedade Arara produzida na Fazenda Olhos D’Água, em Campos Altos, no Cerrado Mineiro, com 90,88 pontos e a amostra de Jarbas Cleto Lopes, também da variedade Arara, cultivada no Sítio Bela Vista, em São Gonçalo do Sapucaí, na Mantiqueira de Minas, com 90,48 pontos.
Para o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, o Cup of Excellence, a cada ano, se consolida como uma ferramenta para a descoberta de novos produtores, origens e de agregação de valor aos cafés especiais. Além disso, é importante por projetar os vencedores do certame no mercado global.
“Essa é a principal função da competição: agregar valor ao café especial brasileiro por meio do protagonismo do produtor. O cafeicultor vencedor ganha uma versatilidade enorme, podendo comercializar o grão cru com valor agregado e com rastreabilidade, inclusive com nome no pacote mundo afora, torrar e vender, e explorar o turismo na propriedade e região. Isso também realça a conexão com o respeito aos serviços ambientais e à educação da comunidade. Essas possibilidades que o Cup of Excellence abre permite que o produtor brasileiro se consolide, de fato, como marca global”, disse.
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