Produção pecuária de Minas Gerais avança com alta nos abates, leite e ovos

Produção pecuária de Minas Gerais avança no segundo trimestre de 2026, com crescimento no abate de bovinos, suínos e frangos
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Produção pecuária de Minas Gerais avança com alta nos abates, leite e ovos
Conforme IBGE, abate de bovinos em Minas cresceu 4,9% no segundo trimestre deste ano frente a 2025 | Foto: Reprodução AdobeStock / Marcus

A produção pecuária em Minas Gerais cresceu ao longo do segundo trimestre de 2026. Segundo os dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre abril e junho, o Estado registrou aumento no abate de bovinos, 4,9%, suínos, 1,5%, e frangos, 0,7%. Houve crescimento também na aquisição de leite e na produção de ovos, com avanços de 1,4% na industrialização de leite e de 4,3% na postura de ovos. O incremento é resultado da demanda aquecida nos mercados interno e externo.

A analista de agronegócios do Sistema Faemg, Nathalia Rabelo, explica que o avanço na produção pecuária mineira vem de um mercado consumidor aquecido e também da capacidade dos produtores em investir na produção.

“Esse movimento está relacionado à combinação entre demanda, capacidade produtiva e eficiência das cadeias. Na avicultura de corte e na suinocultura, o fortalecimento das exportações brasileiras tem contribuído para ampliar os canais de comercialização e sustentar a atividade. Já na cadeia de ovos, o mercado interno tem papel mais relevante, enquanto as exportações funcionam como uma alternativa de diversificação”, confirmou.

Conforme o IBGE, o abate de bovinos em Minas aumentou 4,9% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, somando mais de 1 milhão de cabeças. No período, o peso das carcaças chegou a 247,4 mil toneladas, 6,1% a mais. Com o resultado, o Estado ocupou a quarta posição entre os maiores produtores, atrás de Mato Grosso, São Paulo e Goiás.

Quanto às exportações de carne bovina, conforme a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), entre janeiro e junho, a carne bovina seguiu como a mais exportada do grupo das carnes, faturando US$ 678,5 milhões. No período, embora o volume, 123,2 mil toneladas, tenha caído 3,9%, a receita aumentou 12,9%, devido à valorização de 17,4% no valor médio pago pela tonelada.

Abate de suínos e frangos também registra alta

Resultado positivo também no abate de suínos. Em Minas Gerais, no segundo trimestre, foram 1,91 milhão de cabeças abatidas, 1,5% a mais. O peso acumulado das carcaças alcançou 175,4 mil toneladas, representando aumento de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025. Além do consumo aquecido no mercado interno, já que os preços seguiram mais competitivos que os cortes bovinos, a demanda externa também cresceu.

Conforme a Seapa, as exportações de carne suína seguiram em crescimento, encerrando o primeiro semestre com alta de 32% e um aumento de 21% na receita (US$ 45,8 milhões).

A gerente executiva da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Bianca Costa, afirma que apesar da suinocultura mineira manter uma trajetória de crescimento da produção e do abate, esse crescimento não significa, necessariamente, sustentabilidade financeira para o produtor.

Suíno
Em MG, foram abatidas 1,91 milhão de cabeças de suínos, o que representa 1,5% a mais frente ao ano passado | Foto: Reprodução AdobeStock / Maria

“Estamos atravessando um período de crise, com prejuízos acumulados desde janeiro deste ano. Ou seja, a produção cresceu, o abate cresceu e o consumo acompanhou, porém as margens de rentabilidade permanecem totalmente descoladas, com prejuízos bastante importantes para a cadeia”, analisou.

Para o restante do ano, o desafio será justamente buscar esse equilíbrio. “A suinocultura mineira tem capacidade produtiva, eficiência e mercado, mas precisamos transformar esse crescimento de volume em maior equilíbrio econômico ao longo da cadeia. O dado do abate é positivo do ponto de vista da produção, mas, neste momento, mais importante do que produzir mais é garantir que essa produção seja economicamente sustentável para quem está na ponta”, explicou a representante da Asemg.

Frangos

Quanto ao abate de frangos, ainda que em níveis menores que os dos bovinos e suínos, houve aumento de 0,7% no número de cabeças abatidas, que encerrou o trimestre em 120,1 milhões. O peso das carcaças também aumentou, chegando a 263 mil toneladas, variação positiva de 0,6%.

Além do consumo interno, o abate de frangos foi estimulado também pelas exportações. Os dados da Seapa mostram que os embarques de carne de frango alcançaram, no primeiro semestre, US$ 210,8 milhões, com aumentos de 14,4% no valor e 8,6% no volume (102,7 mil toneladas).

Frango
Abate de frangos, ainda que em menores níveis que bovinos e suínos, teve incremento de 0,7% | Foto: Reprodução AdobeStock / Cynoclub

A produção de ovos de galinha, no segundo trimestre de 2026, somou 127,6 mil dúzias, o equivalente a um aumento de 4,3%. No período, o efetivo de galinhas foi de 21,5 milhões de cabeças, crescendo, assim, 1,9%. O Estado é o segundo maior produtor de ovos do Brasil, respondendo por 10,2% da produção nacional, atrás apenas de São Paulo. Minas registrou o maior aumento absoluto de produção do País no período, com 5,32 milhões de dúzias a mais.

Minas lidera produção de leite e amplia volume industrializado

No segundo trimestre de 2026, a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária foi de 1,75 bilhão de litros, equivalente a um acréscimo de 1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O volume industrializado, 1,72 bilhão, cresceu 1,4% em Minas Gerais. Conforme o IBGE, o Estado continuou liderando o ranking de aquisição de leite, com 23,8% da captação nacional, seguido por Paraná (16,2%) e Rio Grande do Sul (13,1%).

Segundo os dados do IBGE, no segundo trimestre do ano, o preço líquido médio do litro de leite pago ao produtor foi de R$ 2,70, mostrando uma recuperação expressiva da baixa do preço verificada nos trimestres anteriores. O preço aumentou ao longo do trimestre, passando de R$ 2,66 em abril, para R$ 2,68 em maio, e atingindo o maior valor, de R$ 2,75, no mês de junho.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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