Pedidos de recuperação judicial no agronegócio de Minas dobram no primeiro trimestre
O agronegócio de Minas Gerais registrou 34 pedidos de recuperação judicial ao longo dos primeiros três meses do ano. O volume representou uma alta de 100% quando comparado com o trimestre imediatamente anterior e queda de 40% frente ao primeiro trimestre de 2025. Conforme o indicador da Serasa Experian, no Brasil foram 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado e de 16,21% frente ao quarto trimestre de 2025. Crédito mais caro e seletivo está entre os fatores que comprometeram as finanças.
O head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, explica que o crescimento dos números no começo de ano reflete a continuidade de desafios que já vinham pressionando a saúde financeira de parte dos produtores e empresários do setor nos últimos anos.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”.
Ainda conforme Pimenta, para uma reversão do cenário, só com mudanças significativas no mercado. “Daqui para o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.
O gerente de soluções agro da Serasa Experian, Frederico Poleto, explica que, quando comparamos o primeiro trimestre de 2025 com o primeiro trimestre de 2026, Minas Gerais registrou redução de 40% nos pedidos de recuperação judicial, passando de 57 para 34 registros. Apesar da queda, segundo ele, é preciso ter cautela na interpretação dos dados, já que não houve avanços no mercado que permitiriam uma recuperação do setor.
“Como os casos são associados ao trimestre em que foram identificados nas publicações dos tribunais e não necessariamente ao trimestre em que o pedido foi protocolado, existe uma defasagem variável entre protocolo, publicação e captura. Então, parte da oscilação pode refletir o ritmo de disponibilização dos processos. A leitura mais adequada é de uma oscilação pontual que vai precisar ser confirmada nos próximos fechamentos. Vale ressaltar que, em relação ao quarto trimestre, inclusive, houve aumento de 17 para 34 registros”.
Os dados da Serasa Experian mostram que a maior parte dos pedidos de recuperação judicial foi verificada entre os produtores rurais. No caso dos produtores pessoa jurídica, foram 13 pedidos protocolados no primeiro trimestre, frente aos 20 em igual período de 2025. Já os produtores rurais pessoa física entraram com 14 pedidos, ante os 31 registrados anteriormente. Conforme o Serasa, os pedidos de empresas somaram sete, ante os seis registrados entre janeiro e março de 2025. No Brasil, as empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio fizeram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 18,5% diante das 81 solicitações registradas no mesmo período de 2025.
“O volume estadual é relativamente pequeno. Foram 23 registros a menos concentrados entre produtores rurais que atuam como pessoa física ou pessoa jurídica, enquanto as empresas relacionadas à cadeia do agronegócio passaram de seis para sete pedidos. Por isso, não há base suficiente para afirmar que ocorreu uma melhoria estrutural da situação financeira no setor”.
Com o resultado, Minas Gerais encerrou o primeiro trimestre ocupando a quinta posição entre os estados com mais pedidos de recuperação judicial. O ranking foi liderado pelo Mato Grosso, com 135 pedidos, Goiás, 73, Paraná, 50, e Mato Grosso do Sul, com 38.
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