Menos pedidos de recuperação judicial não afastam desafios do agronegócio mineiro

Custos elevados, crédito seletivo e endividamento desafiam o agronegócio mineiro, apesar da queda nos pedidos de recuperação judicial.
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Menos pedidos de recuperação judicial não afastam desafios do agronegócio mineiro
Foto: Adobe Stock

Enfrentando um ambiente econômico desafiador em função dos custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento, o agronegócio de Minas Gerais registrou 88 pedidos de recuperação judicial no primeiro semestre de 2026. O número representa redução de 26,7% em relação às 120 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Somente entre abril e junho, foram 54 pedidos ante 63 no segundo trimestre de 2025, recuo de 14,3%. Apesar da queda, Minas Gerais manteve a quarta posição no ranking nacional de estados com maior número de solicitações no período.

Conforme os dados da Serasa Experian, o levantamento reúne pedidos de produtores rurais pessoa física e jurídica, além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio. Assim como em Minas, no Brasil, ao longo do segundo trimestre, foram 448 pedidos de recuperação judicial registrados, uma queda de 20,7% em relação às 565 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025.

A queda no número de pedidos precisa ser analisada com cautela. Conforme o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, apesar da redução, o movimento pode não significar uma reversão do cenário de desafio financeiro vivido pelo agronegócio, uma vez que as condições econômicas continuam impactando empresas, pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor em Minas Gerais e no Brasil.

Leia mais: Indústria láctea de Minas mira R$ 46,2 bilhões em 2027 e cobra diálogo sobre reforma tributária com próximo presidente

“A retração registrada nos pedidos de recuperação judicial pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores. Ainda assim, o ambiente segue desafiador, marcado por custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento”.

Ainda segundo Pimenta, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres. “A preservação do fluxo de caixa, o planejamento financeiro e a busca por alternativas de renegociação continuam sendo fundamentais, enquanto a recuperação judicial deve permanecer como último recurso”, afirma.

Ao longo do segundo trimestre, mesmo registrando queda nos pedidos de recuperação judicial, Minas Gerais se manteve na quarta posição entre as unidades federativas no número de solicitações, respondendo por 12,1% dos pedidos. O ranking foi liderado por Mato Grosso, com 107 solicitações, seguido por Goiás, com 84 pedidos (18,8%), São Paulo, com 72 (16,1%) e Minas Gerais, com 54.

Conforme os dados da Serasa, no segundo trimestre de 2026, houve redução dos pedidos de recuperação judicial em todas as categorias pesquisadas.

Entre os produtores rurais pessoas físicas, foram registradas 197 solicitações, queda de 10,5% em relação às 220 registradas no mesmo período de 2025. Em nível nacional, Mato Grosso concentrou 54 solicitações desse perfil no período, seguido por São Paulo (28), Goiás (22), Minas Gerais (21) e Paraná (15).

Já entre os produtores rurais pessoas jurídicas, foram 160 solicitações, recuo de 34,2% em relação às 243 registradas anteriormente. A queda de 10,8% aconteceu nos pedidos feitos por empresas da cadeia agro, com 91 solicitações ante as 102 registradas no segundo trimestre de 2025.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.