Tomate sobe 71% e batata fica 37% mais cara na CeasaMinas em setembro; veja o que pesou nos preços

Boletim da Conab mostra alta de hortaliças em setembro, com impacto das chuvas sobre a colheita; maçã também encareceu, enquanto banana e cenoura ficaram mais baratas

O preço do tomate comercializado na Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) de Belo Horizonte, localizada na cidade de Contagem, na Região Metropolitana de BH (RMBH), subiu 71,24% em setembro na comparação com agosto e alcançou R$ 5,24 por quilo. A alta foi a mais expressiva entre as cinco principais hortaliças acompanhadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no entreposto mineiro. A batata também pesou no bolso, com valorização de 37% e preço médio de R$ 3,11 por quilo.

Os dados fazem parte do 10º Boletim Hortigranjeiro de 2026, divulgado pela Conab neste mês de outubro, com informações referentes à comercialização de setembro.

Além do tomate e da batata a cebola ficou 35,21% mais cara na CeasaMinas, com preço médio de R$ 4,80 por quilo. Entre as frutas, o destaque foi a maçã, cuja cotação avançou 16,89%, para R$ 6,09 por quilo. Em sentido contrário, a cenoura, a banana e o mamão registraram queda de 16,66%, 15,83% e 11,06% respectivamente.

Chuvas pressionam preços

Segundo a Conab, a valorização do tomate ocorreu em um cenário de chuvas intensas e frequentes nas áreas produtoras do Sudeste e do Sul do País. As precipitações, conforme a entidade, reduziram o ritmo da colheita e retardaram a maturação dos frutos, diminuindo a quantidade disponível para comercialização.

Já a movimentação de tomate na CeasaMinas recuou 11% em setembro, em relação ao mês anterior, reforçando o cenário de menor disponibilidade no entreposto mineiro. O cenário também contribuiu para impulsionar a alta dos preços.

Assim como o tomate, a oferta de cebola diminuiu. A Conab afirma que o volume comercializado nas dez centrais de abastecimento analisadas no País caiu 9,3% em relação a setembro de 2025. Na CeasaMinas, a movimentação recuou 20% na comparação mensal.

Batata sobe e cenoura fica mais barata

O boletim aponta ainda que o aumento de 37% do preço médio do quilo da batata em Minas Gerais – R$ 3,11 em setembro ante R$ 2,27 em agosto – acompanhou a tendência nacional, marcada pela recuperação dos preços após dois meses consecutivos de queda.

Segundo o levantamento, a oferta permaneceu em patamares baixos, enquanto o aumento das chuvas reduziu o ritmo da colheita. Minas Gerais, por sua vez, teve participação relevante no abastecimento das centrais analisadas: o Estado forneceu 33,68 milhões de quilos de batata em setembro, atrás apenas de São Paulo, com 34,74 milhões de quilos.

A cenoura seguiu trajetória oposta. O preço médio na CeasaMinas caiu 16,66%, para R$ 2,65 por quilo. A redução acompanhou o movimento nacional, no qual a cotação média ponderada recuou 16,03%.

Apesar da diminuição da oferta em parte dos mercados, a Conab avalia que o volume disponível foi suficiente para pressionar os preços para baixo. Em Belo Horizonte, a comercialização de cenoura aumentou 6% em relação a agosto.

Frutas têm movimentos opostos

Entre as frutas, a maçã registrou a alta mais relevante na CeasaMinas. O preço médio subiu 16,89% em setembro, chegando a R$ 6,09 por quilo. No conjunto dos entrepostos pesquisados, a valorização foi de 11,99%, com preço médio de R$ 7,19 por quilo.

A Conab atribui o movimento principalmente ao consumo dos estoques armazenados em câmaras frias após o encerramento da colheita. Já a banana ficou 15,83% mais barata no entreposto mineiro, com preço médio de R$ 2,87 por quilo. A queda foi mais intensa que a média nacional, de 2,63%.

De acordo com a análise da Conab, o mercado apresentou comportamentos distintos entre as variedades prata e nanica. A demanda mais fraca e a qualidade inferior dos frutos pressionaram os preços da banana nanica, enquanto a maior oferta limitou as cotações da variedade prata.

O que esperar dos preços em outubro

Os dados da primeira quinzena de outubro indicam que parte das altas registradas em setembro continuou no mercado mineiro. A cebola ficou 19% mais cara na comparação com a média do mês anterior, enquanto a batata subiu 12%.

A cenoura, por outro lado, apresentou queda de 20% no mesmo intervalo. Para a alface, a Conab identificou aumento de 23% na CeasaMinas.

A gerente de produtos hortigranjeiros da Conab, Flávia Starling, ressalta que a ocorrência de chuvas nas regiões produtoras pode continuar interferindo na oferta de hortaliças. Para a cebola, por exemplo, a perspectiva apresentada pela gerente é de manutenção da pressão sobre os preços, devido às dificuldades de colheita.

O boletim da Conab acompanha mensalmente os preços e os volumes comercializados de produtos com maior representatividade nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) e maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): alface, batata, cebola, cenoura, tomate, banana, laranja, maçã, mamão e melancia.

Os dados utilizados foram coletados nas Ceasas localizadas em São Paulo, Belo Horizonte/Contagem, Rio de Janeiro, Campinas (SP), Vitória (ES) Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Recife (PE), Rio Branco (AC), e Fortaleza (CE). Em conjunto as unidades concentram parcela expressiva da comercialização nacional de hortigranjeiros.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026


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