Crédito: Léo Lara/Universo Producao

A 14ª CineBH anuncia a seleção filmes que integram a mostra temática “A Cidade em Movimento”. São 16 filmes – médias e curtas independentes realizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte e que dialogam com a vivência urbana diante de contextos sociais propostos pela curadoria. A seleção desse ano levou em conta o cenário imposto pela pandemia do novo coronavírus para pensar sua temática, definida como “Sonhar a cidade”. Os filmes podem ser assistidos 30 de outubro a 2 de novembro no site cinebh.com.br.

A proposta da curadora Paula Kimo foi de pensar a relação entre a cidade e o sonho a partir dos seguintes questionamentos: qual cinema é produzido quando se parte do sonho, tanto aquele que conduz de forma onírica e inconsciente, quanto àquele que é possível produzir e fabricar na tentativa de imaginar o amanhã? O que o cinema é capaz de produzir quando se é provocado a pensar os desafios da cidade na perspectiva do sonho? Se é impedido de vivenciar a rua, a cidade – como vem acontecendo por conta da pandemia –, como é possível experimentá-la através do sonho? Que cidade se pode sonhar, experimentar e debater por meio das imagens?

Diante da seleção dos 16 títulos que vão compor A Cidade em Movimento de 2020, a curadora detectou que a cidade se tornou espaço provisoriamente restrito, o que concentrou a conexão com ambientes domésticos e as redes, sejam virtuais ou psicológicas. “Talvez para a grande maioria de trabalhadores, a vida segue uma falsa normalidade, na qual as máscaras fazem parte do cotidiano e o risco de contrair a doença ameaça, mais uma vez, a população menos favorecida. Ainda nesses tempos, os sonhos passaram a inundar noites e dias, ocupando espaço na arte e na poesia, provocando o trânsito e o encontro mesmo num contexto de confinamento social”, comenta Paula Kimo. “São filmes produzidos na cidade e a partir dela: pessoas, memórias, sonhos, movimentos e forças políticas que fundam a vida cotidiana e projetam pensamentos para algum futuro”.

Sessões – A curadora definiu quatro sessões, de forma a tematizar diversos aspectos e colocar em debate, nas Rodas de Conversa transmitidas pelo site do evento, as relações e conexões entre os filmes e a temática. A primeira sessão, Pandemia criativa, reúne um conjunto de filmes produzidos nesse cenário de exceção sanitária, na cidade de Belo Horizonte, em sua maioria gravados de forma independente e isolada, mas também em atrito com a cidade e suas subjetividades. Organizados juntos, tais filmes convidam a pensar os limites e as possibilidades de criação audiovisual no contexto da pandemia. O bate-papo sobre a sessão será no dia 30 de outubro, às 19 horas, com o crítico e pesquisador João Paulo Campos.

A segunda sessão é intitulada Corpos dissidentes, com filmes que transitam pelo universo LGBTQIA+. Corpos que renunciam aos padrões hétero e cisnormativos buscam falar da diversidade sexual, liberdade, amor e invenção; encontros, olhares e ritos de passagem traduzem gestos políticos de uma comunidade que se coloca e se impõe na dinâmica social e também nas telas do cinema. A Roda de Conversa acontece com a jornalista, performer e produtora Juhlia Santos, no dia 31 de outubro, às 19 horas.

Em O teatro em cena, produções que discutem o teatro belo-horizontino e seus desafios diante de uma situação emergencial que fechou as salas de espetáculo e os espaços coletivos onde os artistas se apresentavam, criando um vácuo de incertezas sobre o futuro. Na Roda de Conversa, no dia 1º de novembro, às 19 horas estará a atriz e dramaturga Marina Viana.

Por fim, a quarta sessão se chama A paz é branca ou a resistência tem cor e reúne três curtas-metragens sobre histórias, personagens e obras do cinema negro belo-horizontino, com filmes que tematizam o debate sobre o racismo e seu enfrentamento, por meio da expressão artística e política, e terá Roda de Conversa com a pesquisadora Maya Quilolo, no dia 2 de novembro, às 19 horas.

Programação CineBH

Filmes estarão disponíveis de 30 de outubro a 2 de novembro no site cinebh.com.br

Sessão1– Pandemia criativa

– Destino | 3’ | Matheus Gepeto | 2020

– Presa | 3’ | Joana Bentes | 2020

– Vem vindo alguém, será? | 1’ | Luis Evo | 2020 [FILME CONVIDADO]

– Aqui, nem eu | 6’| Gustavo Aguiar, Gustavo Koncht, Raiana Viana, Maria Flor de Maio | 2020

– Cidade sem mar | 5’| Felipe Nepomuceno | 2020

– O menino e o gato | 10’ | Célio Dutra | 2020

– Submundo | 1’| Adriano Gomez | 2020

– Vigília | 8’ | Rafael dos Santos Rocha | 2020

Roda de conversa: 30 de outubro, quinta-feira, às 19 horas

Convidado especial: João Paulo Campos | crítico e pesquisador de cinema

Sessão 2: Corpos dissidentes

– Looping | 12’| Maick Hannder | 2019 [FILME CONVIDADO]

– Babi & Elvis | 17’ | Mariana Borges | 2019

– Exu matou um pássaro | 24’ | Vinicius Sassine | 2020

Roda de Conversa: 31 de outubro, às 19 horas

Convidada especial: Juhlia Santos | jornalista, performer e produtora

Sessão 3: O teatro em cena

– Ao Teatro | 15’ | Rita Clemente | 2020

– Cenas Curtas 20 Anos: A Festa dos Encontros | 46’ | Marcos Coletta e Paula Dante | 2019

Roda de conversa: 01 de novembro, às 19h

Convidada especial: Marina Viana | atriz e dramaturga

Sessão 4: A paz é branca ou a resistência tem cor

– Kilombo Souza – Memória, história e resistência | 6’ | Realização Coletiva | 2019

– Coragem | 26’ | Mel Jhorge | 2019

– Calmaria | 24’ | Catapreta | 2019

Roda de conversa: 02 de novembro, às 19 horas

Convidada especial: Maya Quilolo | Antropóloga, mestre em Comunicação e realizadora audiovisual