Crédito: Divulgação / Filme Para’í

Hoje, começa a 14ª edição da CineBH – Mostra de Cinema de Belo Horizonte e o 11º Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting, com programação gratuita e realizada em ambiente virtual. Até 2 de novembro serão cinco dias de intensas atividades: 54 filmes nacionais e internacionais em pré-estreias e mostras temáticas, (14 longas, 4 médias e 35 curtas), 20 debates, painéis e rodas de conversa, 3 masterclasses internacionais, 3 laboratórios de roteiro, 1 oficina, 1 estudo de caso e mais de 200 encontros de coprodução. Informações, inscrições, links e acessos já podem ser feitos no site www.cinebh.com.br, local de realização do evento.

A noite de abertura dará o tom da 14ª CineBH, com a apresentação do eixo temático em 2020, “Arte Viva: Redes em Expansão”. Com direção, roteiro, montagem, edição e finalização de Chico de Paula e criação conjunta com Raquel Hallak, coordenadora geral da mostra, uma performance audiovisual transmitida ao vivo mostrará as questões levantadas pela curadoria para serem debatidas durante o evento. A própria forma de pensar a performance encontrou eco na temática, num período em que a pandemia fez fecharem espaços de convívio.

“O momento é o de materializar as aberturas num contexto completamente digital. Se antes elas eram fortemente marcadas pela presença e proximidade entre os artistas e público, compartilhando um mesmo espaço, agora elas pretendem manter presentes a inquietação e a perturbação, aspectos tão naturais das artes vivas”, aponta Chico de Paula. “O espaço se amplia, se torna mais diverso, complexo, e também difuso. Precisamos abandonar o conforto e adensar essa linguagem, tão essencial em nosso tempo”.

A performance terá participações especiais de Josy Anne (atriz, cantora, compositora e tamborzeira), Nath Rodrigues (cantora, compositora e instrumentista), Ricardo Aleixo (poeta) e Marcelo Dai (cantor e multi-instrumentista). A trilha sonora é do Barulhista.

Além de falar da temática, a abertura conta com a participação do destaque desse ano: o Pandêmica Coletivo Temporário de Criação. Iniciativa de uma rede de artistas espalhada por todas as regiões brasileiras, o Pandêmica se tornou exemplo de como as artes presenciais se adaptaram com potência ao fechamento dos espaços de convivência e como adotaram a linguagem do audiovisual em seus trabalhos. O público poderá conhecer mais sobre o Pandêmica nas duas atividades da noite logo após a performance de abertura.

A primeira será o debate inaugural da Mostra, às 20 horas, intitulado justamente “Arte viva: Redes em expansão”, que vai reunir Juracy de Oliveira, diretor e criador do Pandêmica; Grace Passô, dramaturga e diretora; Germano Melo, ator e diretor; e Luciana Romagnolli, crítica e pesquisadora. A conversa vai tratar de obras criadas durante a pandemia e as implicações deste momento histórico sobre a cultura do teatro e do audiovisual.

Em seguida, será transmitida, ao vivo, às 21h30, a encenação de “12 Pessoas com Raiva”, dirigida por Juracy de Oliveira e que adapta o clássico texto “12 Angry Men”, de Reginald Rose. A peça original já foi adaptada para cinema e televisão e ganha aqui uma versão genuinamente brasileira, que imagina um júri formado durante a pandemia e deliberando, pela plataforma Zoom, o destino de um suposto criminoso. As contradições, opressões e injustiças do país afloram durante esse verdadeiro thriller, que reconfigura as possibilidades de uma apresentação ao vivo valendo-se de tecnologias contemporâneas e linguagem audiovisual.

Pré-estreia – Ainda na primeira noite da CineBH, o público poderá assistir, em pré-estreia mundial, o filme “Coisas Úteis e Agradáveis”, dirigido por Germano Melo e Ricardo Alves Jr, em inspiração e adaptação livres a partir do conto “As Cartas de Amabed”, de Voltaire. Inicialmente pensada como teatro, a encenação é vertida para o cinema com todos os elementos que caracterizam especialmente a obra de Ricardo, tendo o corpo e a voz de Germano com catalisadores dos efeitos dramáticos.