Menos consumidores devem receber 13º salário em Belo Horizonte em meio ao avanço da informalidade

Parcela de consumidores que receberão o benefício caiu de 58,9% para 46,4% em um ano, em meio à busca por melhores remunerações fora do mercado formal
Menos consumidores devem receber 13º salário em Belo Horizonte em meio ao avanço da informalidade
Foto: Arquivo/Diário do Comércio/Alessandro Carvalho

A proporção de consumidores que já receberam ou vão receber o 13º salário caiu de 58,9%, em 2025, para 46,4% em 2026 em Belo Horizonte, segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). A queda pode estar atrelada a permanência de trabalhadores na informalidade e a busca por atividades que ofereçam remunerações mais atrativas.

Segundo a pesquisa, o indicador retoma um comportamento similar aos anos de 2018, 2021 e 2024, nos quais mais da metade da população pesquisada não contou com o rendimento extra do 13º salário. Dentre os que receberão o benefício, 24,7% devem utilizá-lo para pagar contas atrasadas e quitar dívidas. Outros 17,1% indicaram que deverão “Poupar para outros fins”.

De acordo com o gerente de Pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, embora o mercado de trabalho apresente uma oferta expressiva de vagas com carteira assinada, parte dos trabalhadores ainda não foi absorvida pelo emprego formal ou tem optado por outras modalidades de ocupação. Nesse cenário, atividades informais, como serviços de transporte e entrega por aplicativos, aparecem como alternativas para quem busca maior remuneração e flexibilidade.

“As pessoas procuram trabalhos que ofereçam melhores remunerações, mas isso não significa que estejam encontrando essas oportunidades no mercado formal. A maior oferta de vagas não quer dizer, necessariamente, que os empregos disponíveis sejam vantajosos para os trabalhadores”, destaca Antunes.

Outro destaque apontado pelo especialista é uma tendência que pessoas estão se resguardando mais com esse gasto para pagar alguma divida atrasada. A opção “Poupar para outros fins” subiu da terceira para a segunda posição, saltando de 11,11% em 2025 para 17,14% em 2026.

“As pessoas estão tentando economizar o máximo possível para conseguir honrar tanto as dívidas atuais quanto os compromissos que já sabem que terão pela frente, como as despesas escolares”, analisa Antunes.

A mudança nas prioridades de uso do 13º salário em Belo Horizonte também se reflete nos gastos com lazer e turismo. A opção “Viajar”, que ocupava a segunda posição entre as destinações do benefício em 2025, com 11,8% das menções, caiu para a quinta colocação em 2026, representando 7,6% das respostas.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).


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