Mercado reage mal ao adiamento da privatização da Copasa
O mercado reagiu mal ao adiamento do cronograma de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em função de um processo de revisão dos termos da desestatização, anunciado na quarta-feira (27) em fato relevante. Como reflexo, as ações da empresa fecharam o dia em queda de 4,71%, cotadas a R$ 50,75.
Nos bastidores, a principal especulação é de que o governo mineiro optou por atrasar o calendário para realizar alterações nas condições da oferta de ações após receber propostas inferiores ao que idealizava. A avaliação geral indica que os valores ofertados por interessados pelos papéis da companhia não satisfizeram o Estado.
O planejador financeiro CFP® e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, acrescenta a esse provável motivo a tese de que o governo evitou vender as ações por um valor “barato”, que, possivelmente, não seria revertido em benefícios ao próprio Estado. Ele afirma que o contexto de eleições e o cronograma apertado também podem ter impactado na decisão.
“Não é interessante para o Estado, no ano eleitoral, reportar prejuízo numa privatização tão grande e importante como essa”, ressalta.
“Foi protocolada a oferta [pública de distribuição secundária de ações, na Comissão de Valores Mobiliários – CVM] apenas no dia 20 de maio, com data já para a precificação no dia 2 de junho. Uma janela relativamente curta que talvez, por conta desses últimos dias e pelo preço não ter tido uma sensibilidade de acordo com o que o [governo] havia previsto nessa venda, fez com que eles acabassem decidindo por adiar”, pontua.
Para o especialista e sócio da Valor Investimentos, Gustavo Trotta, além da hipótese mais plausível de que o valor da oferta ficou abaixo do esperado, outros motivos podem ter pesado para a decisão. Um deles trata-se de entraves jurídicos ou de governança de última hora, que exigem passar por um novo comitê de coordenação. O outro se refere ao ambiente de mercado, já que as ações chegaram a cair quando o pedido da oferta foi protocolado.
Companhia não detalhou os motivos da decisão
Vale dizer que a Copasa não detalhou as razões pelas quais o calendário da privatização foi postergado para modificações nas regras da desestatização. No comunicado, a empresa disse apenas que determinadas condições serão objeto de alteração devido à verificação de fatores supervenientes e que divulgará posteriormente as novas versões do: prospecto preliminar, formulário de referência, lâmina da oferta e aviso ao mercado da oferta.
Como informado anteriormente, dois grupos teriam apresentado propostas para adquirir 30% dos 50,03% detidos pelo governo estadual na Copasa, em uma operação que poderia atingir R$ 10 bilhões. O vencedor da disputa estava previsto para ser anunciado pela companhia mineira justamente nessa quarta-feira.
O primeiro interessado, já confirmado oficialmente, foi o grupo Livorno, composto por Itaúsa, Fundo Soberano de Singapura (GIC), Equipav e Aegea. O segundo nome, ventilado na mídia de forma extraoficial, foi o grupo Equatorial, acionista da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Adiamento pode impactar confiança no processo de privatização
O adiamento do cronograma de privatização da Copasa, conforme Sharau, gera no mercado incerteza quanto ao real acontecimento da desestatização. Segundo Trotta, o ruído de execução cobra um prêmio de risco.
“Quanto mais tempo o processo se arrasta, mais cara fica a janela política. Estamos em ano eleitoral, o calendário aperta e se a operação não sai em 2026, a tese de privatização entra em cheque”, avalia. “Analista tem um cenário pessimista de valor justo para a companhia. Então, com todos esses pontos, a confiança fica prejudicada por conta do atraso”, pontua.
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