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Economia

Aumento na tarifa de energia terá forte impacto na economia

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Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino
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O anúncio feito ontem  pela Agência Nacional de Energia Elétrica  (Aneel) de reajuste de 52% na bandeira tarifária vermelha deu um banho de água fria nas empresas que esperavam a retomada do crescimento econômico neste segundo semestre. O DIÁRIO DO COMÉRCIO ouviu lideranças do comércio e da indústria de Minas Gerais, que não descartaram um cenário sombrio composto pela expectativa de aumento da inflação e do desemprego.

Para evitar que os comerciantes de Belo Horizonte tenham aumentos significativos nos custos de seus negócios, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, anunciou que vai usar todos os canais de comunicação com os associados para orientá-los sobre a melhor forma de economizar energia e água. 

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“O aumento da conta de energia elétrica impacta diretamente as empresas. A energia é um insumo básico para todos. Estamos projetando um crescimento entre 5% a 7% no comércio com as indústrias em pleno funcionamento. Mas, se houver racionamento, este crescimento  pode ser menor”, avaliou.

Demissões

Preocupados em não repassar os custos gerados pelo aumento de energia elétrica para os consumidores, Silva acredita que os lojistas devem procurar enxugar outros gastos. “Como a população também vai ser onerada e como com a pandemia muitos consumidores ficaram endividados, repassar o reajuste para os produtos pode não ser a melhor opção. Acredito que possa haver redução do quadro de funcionários”, avaliou. 

Ainda conforme Silva, as vendas no comércio ainda não aumentaram o suficiente para repor as perdas causadas pelo período de fechamento devido às medidas sanitárias contra o coronavírus. “Ainda estamos enfrentando uma epidemia. Este anúncio realmente não foi bem-vindo”, afirmou.

Uma das alternativas que deve ser incentivada, conforme o presidente da CDL-BH, é a migração dos comerciantes para a energia fotovoltaica, por meio da parceria com a Cemig Sim. A compra de energia fotovoltaica, pelos lojistas, pode reduzir em até 23% os valores das contas.

Quando a CDL-BH fez o primeiro convênio com a Cemig Sim,  tínhamos uma  projeção de  consumo de 50 mil kWh. Mas foi tão positivo que estamos levando agora 700 mil kWh. Quem paga R$ 2 mil de conta, a energia tem um desconto de R$ 400; dá um valor diferenciado”, afirmou.

Além de oferecer a alternativa de investimento em energia fotovoltaica, a  CDL-BH deve instruir seus associados sobre quais estratégias adotar para garantir a redução do consumo de água e de luz. “Vamos dialogar com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e com a Cemig. E alertar sobre o que fazer em caso de racionamento”, afirmou.

Otimista

Já o  vice-presidente da Câmara de Energia, Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Marcio Danilo Costa, é um pouco otimista.  Embora acredite que o aumento da energia vá impactar a inflação e promover o reajuste dos custos de produção industrial, ele não acredita que o aumento de 52% da tarifa vermelha anunciado pela Aneel possa aumentar os índices de desemprego.

“Mesmo com aumento de custos, há uma tendência positiva de crescimento da economia no segundo semestre”, afirmou. Ele, no entanto, ressaltou considerar que o impacto vá equivaler à eficácia das medidas que serão adotadas pelo governo federal no enfrentamento da crise hídrica e  energética.

Costa também disse não acreditar que a alta da conta de luz possa provocar o desabastecimento das indústrias, que precisam desse insumo na produção das mercadorias. “O que pode acontecer é o aumento dos custos de produção e o repasse dos valores das mercadorias, aumentando a inflação”, disse.

Economista vê decisão em momento inoportuno

O economista Paulo Casaca,  da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), considerou o aumento anunciado pela Aneel uma ducha de água fria na recuperação esperada nas vendas pós-pandemia. Segundo Casaca, ele acredita que este tipo de reajuste prejudica todo o comércio, pressionando a alta dos preços e da inflação.

“Praticamente tudo o que se consome depende de energia. Vai impactar a produção e distribuição de insumos, o poder de compra dos consumidores  e aumenta também a insegurança em relação à possibilidade de haver racionamento, o que pode piorar ainda mais a  situação”, afirmou.

Para Casaca, o reajuste acontece em um momento inoportuno, uma vez que, com o início da melhoria dos indicadores econômicos, esperava-se a retomada dos investimentos em busca do aumento das vendas. 

“Isso torna o ambiente empresarial mais inseguro. Sem garantias de que não haverá racionamento energético, muitos podem investir menos. Isso não vai ajudar na retomada econômica. Além do aumento da inflação que já está acontecendo, a redução do poder aquisitivo da população impacta as expectativas de aumento de vendas”, analisou.

Falta de investimento

Ainda conforme o economista, o aumento da bandeira tarifária vermelha patamar 2 anunciado pela Aneel  não pode ser atribuído somente à crise hídrica enfrentada pelo País. “Isso vem no sentido contrário ao que se espera em uma época de retomada das atividades econômicas. Este aumento caiu como uma bomba. Se houvesse mais  investimento em energia sustentável e não tivéssemos tido tantas queimadas, talvez a situação fosse outra”, afirmou.

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