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Economia
Egawa: a economia brasileira já começou a dar sinais de estabilidade - Alisson J. Silva

O ambiente de mudanças políticas no Brasil, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), somado a uma série de transformações no ambiente de negócios e na relação com investidores, poderá ajudar a alavancar a demanda por aço no mercado interno e, consequentemente, no mercado do setor siderúrgico. Para o diretor para as Américas da Nippon Steel & Sumitomo Metal (NSSMC), sócia majoritária da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), Kazuhiro Egawa, o País tem potencial de sair do consumo atual de menos de 100 quilos (kg) per capita para 500 kg nos próximos anos.

O cálculo do executivo se apoia em dados da Associação Mundial do Aço (WSA, na sigla em inglês), que leva em conta a demanda do produto por área e o crescimento da população. “O potencial existe, assim como a demanda. É necessário, porém, que se melhore o ambiente para atração e concretização de investimentos”, disse o diretor em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO.

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Entre as mudanças necessárias, segundo Egawa, estão a maior segurança jurídica e a desburocratização do Judiciário, bem como a tomada de decisões e adoção de ações administrativas previsíveis e oportunas. “Desde a eleição de Bolsonaro, a economia brasileira já começou a dar sinais de estabilidade e já desperta o interesse de investidores. O mercado siderúrgico tem espaço para crescer e o País precisa estar preparado para receber o capital externo”, ressaltou.

Neste sentido, o diretor da Nippon lembrou que a China, com um consumo per capita do insumo superior a 500 kg, elevou substancialmente seu patamar em cerca de dez anos, a partir dos anos 2000. “Se o País se empenhar, esse crescimento poderá ocorrer em menos tempo. A população está crescendo e são cerca de 200 milhões de pessoas demandando produtos de aço pelo País”, argumentou.

Sobretaxas – Em relação ao mercado internacional, o executivo chamou a atenção para os conflitos comerciais entre China e Estados Unidos e os impactos dos mesmos no mundo inteiro, especialmente no Brasil. Segundo ele, as sobretaxas impostas pelos dois países afetaram os preços no mundo inteiro, diante do contexto de economias integradas e comércios multilaterais.

“Até o ano passado, as siderúrgicas brasileiras se encontravam em boas condições de preços e mercado. A partir de agora, veremos como ficarão os impactos dessa guerra comercial e as dificuldades para a exportação de itens feitos a partir do aço para estes países”, comentou.

Já a restrição dos países europeus para a importação de produtos derivados do aço, anunciada na última quarta-feira (dia 16), ainda é uma incógnita para Egawa. É que a proposta ainda precisa passar por um período de preparação final por parte da Comissão Europeia. A medida, conforme os europeus, é uma resposta ao grande fluxo de produtos siderúrgicos que passou a entrar no mercado local, a partir das restrições criadas por pelo presidente norte-americano Donald Trump. A proposta da comissão prevê um total de 26 produtos a serem taxados.

“No caso do Brasil, sete tipos de aço serão filtrados. Ainda estão sendo discutidas as condições. A Usiminas tem exportações para a Europa e precisa acompanhar para ver como será impactada. Poderão ocorrer dificuldades ou facilidades. Não há como prever”, concluiu.

Visita – O diretor para as Américas da Nippon Steel & Sumitomo Metal (NSSMC), sócia majoritária da Usiminas, Kazuhiro Egawa, esteve em visita ontem ao DIÁRIO DO COMÉRCIO. Em reunião com o diretor-presidente do DC, Luiz Carlos Motta Costa, com o diretor Executivo e de Mercado, Yvan Muls, e a diretora de Relacionamento e Negócios, Adriana Muls, traçou panorama sobre o mercado do aço nos âmbitos nacional e internacional. O executivo também falou sobre os negócios da siderúrgica japonesa.

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