Cesta básica em BH sobe 2,07% em outubro, puxada por tomate e batata

Alimentos acumulam alta de 5,55% em 2026, e custo da cesta chega a R$ 783,98; IPEAD projeta novos aumentos até o fim do ano, pressionados pela sazonalidade
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Cesta básica em BH sobe 2,07% em outubro, puxada por tomate e batata
Foto: Charles Silva Duarte/ Arquivo Diário do Comércio

O preço da cesta básica em Belo Horizonte subiu 2,07% em outubro, na comparação com setembro, e chegou a R$ 783,98, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD/UFMG). A alta foi puxada principalmente pelo tomate e pela batata inglesa, que tiveram aumentos de 19,20% e 19%, respectivamente.

O resultado marca o segundo mês consecutivo de avanço no custo dos alimentos essenciais na capital mineira. Dessa forma, a cesta básica acumula alta de 5,55% em 2026 e de 5,01% nos últimos 12 meses. Apenas em setembro e outubro, o custo aumentou R$ 26,79, enquanto em julho e outubro a redução registrada foi de R$ 47,57.

O tomate foi o produto que mais pressionou o orçamento no mês, com contribuição de 1,60 ponto percentual para a variação total da cesta. Já a batata inglesa respondeu por 0,77 ponto percentual. Segundo o gerente de Pesquisa do IPEAD, Eduardo Antunes, as condições climáticas desfavoráveis, especialmente o excesso de chuvas, ajudam a explicar a elevação dos preços dos dois alimentos.

“Principalmente para o tomate, as condições climáticas não estão muito satisfatórias. Com muita chuva, acaba elevando o preço do produto. A batata inglesa também vai um pouco nesse sentido”, explica.

O pão francês também contribuiu para o encarecimento da cesta. Embora tenha apresentado uma alta mais moderada, de 1,85%, o produto acrescentou 0,32 ponto percentual à variação mensal, devido à sua participação no custo total da alimentação básica.

Arroz volta a subir após período de preços baixos

Outro destaque do levantamento foi o arroz, que ficou 7,70% mais caro em outubro. No acumulado do ano, o cereal registra alta de 14,24%, embora a variação em 12 meses seja de apenas 1,15%.

Antunes avalia que o movimento representa uma recomposição dos preços após um período de valores significativamente baixos. Segundo ele, houve momentos em que pacotes de cinco quilos eram encontrados por menos de R$ 15. Agora, os preços voltam a patamares mais próximos dos praticados anteriormente.

“O preço reduziu bastante nos últimos tempos, depois daquela alta significativa que teve uns dois anos atrás. Agora, ele volta a subir novamente. Não é que esteja mais caro, mas o preço está voltando a um patamar mais comum”, pontua.

Apesar da pressão de alta sobre a cesta, quatro dos 13 produtos pesquisados tiveram redução de preços em outubro. A maior queda foi da banana caturra, com recuo de 5,77%, seguida pelo café moído (-3,46%), pela farinha de trigo (-3,08%) e pelo chã de dentro (-2,20%), item que teve a maior contribuição negativa para o custo total da cesta, de 0,81 ponto percentual, ajudando a conter parte dos aumentos registrados nos demais alimentos.

Ainda assim, as quedas não foram suficientes para compensar a pressão exercida principalmente pelos hortifrutigranjeiros.

Sazonalidade deve manter pressão sobre os alimentos

A perspectiva para os próximos meses é de continuidade do movimento de alta. De acordo com Antunes, a proximidade das festas de fim de ano costuma elevar a demanda por alimentos, especialmente carnes e produtos típicos do período, o que também influencia os preços dos itens que compõem a cesta básica.

Embora não necessariamente haja um aumento extraordinário da procura pelos produtos básicos, a movimentação geral do mercado de alimentos acaba repercutindo nesses preços.

“Como a cesta básica é toda feita por produtos alimentícios, imaginamos que a tendência seja de alta, com pequenas quedas pontuais em alguns produtos. Mas, em termos gerais, provavelmente a cesta vai apresentar um movimento de alta até o final do ano”, afirma o gerente.

Expectativa para o El Niño

Além da sazonalidade, as condições climáticas podem representar um fator adicional de pressão. Antunes chama a atenção para os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as lavouras brasileiras, especialmente no Sul do Brasil, região importante para a produção de arroz.

O pesquisador lembra que as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024 não provocaram o impacto sobre os preços do arroz que chegou a ser esperado naquele momento. No entanto, avalia que novos episódios de chuvas intensas podem afetar significativamente a produção e, consequentemente, os preços.

“Se isso vier nessa magnitude que todos estão prevendo, pode impactar de maneira muito significativa o preço dos produtos. Condições climáticas muito adversas vão causar um impacto significativo na elevação de preços”, alerta.

Diante desse cenário, a orientação aos consumidores é pesquisar preços antes de realizar as compras. Segundo Antunes, a comparação entre estabelecimentos é uma medida importante para preservar o orçamento doméstico, especialmente em um período de aumentos sucessivos nos preços dos alimentos.

Peso no salário mínimo

Apesar da elevação nominal, o custo da cesta básica representou 48,36% do salário mínimo em outubro, abaixo dos 49,18% registrados no mesmo mês de 2025. A comparação considera o salário mínimo vigente em cada período.

Em outubro deste ano, a cesta custava R$ 37,42 a mais do que um ano antes, mas comprometia uma parcela menor do salário mínimo, indicando ganho real de poder de compra nesse recorte.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.