Depois das chuvas, o renascimento: comerciantes transformam perdas em recomeços na Zona da Mata
As enchentes que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais em fevereiro destruíram mercadorias, interromperam operações e colocaram em risco anos de trabalho de milhares de pequenos empresários. E quando a água baixou, muitos deles responderam, e vêm respondendo à crise, da mesma forma que construíram seus negócios: empreendendo. Mais de 97% dos negócios da região são formados por microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas (MPEs).
Em Juiz de Fora e Ubá, os donos de pequenos negócios criaram novos formatos de venda, abriram operações emergenciais e buscaram alternativas para manter empregos e preservar empresas. Três meses após a tragédia, suas histórias revelam que a recuperação econômica da região está sendo construída pela capacidade de adaptação de quem se recusou a desistir. Juntos, esses empreendedores reescrevem histórias que lembram a da Fênix, ave mitológica símbolo da capacidade de renascer após a adversidade.
Há aqueles que, felizmente, já começam a deixar para trás o cenário de lama e destruição. É o caso do empresário João Paulo Schetino, de 37 anos, 16 deles à frente da Marcio’s Frios, loja de carnes e frios fundada por seu pai no Centro de Ubá, uma das áreas mais devastadas da cidade.

Depois de três meses de portas fechadas para contabilizar danos e reorganizar a estrutura, ele reabriu o estabelecimento no último dia 23 com uma única sensação: alívio por ter sobrevivido. Até realizar o tradicional corte da fita de reinauguração, os desafios foram inúmeros, desde a fatídica madrugada de 24 de fevereiro, quando as águas da chuva atingiram 2,94 metros de altura dentro da loja.
“Tive perda total de estoque e equipamentos, um prejuízo estimado em cerca de R$ 5 milhões”, conta Schetino, que, antes do desastre, havia acabado de reformar a empresa e substituir todos os balcões de frios.
“Tinha equipamento que sequer havia sido ligado. Estávamos com a loja 100% nova, com pisos e layout renovados. Fizemos um investimento de R$ 800 mil em novos equipamentos”, relata.
Parte das máquinas foi recuperada após sucessivos reparos. Outras precisaram ser substituídas. Por isso, segundo o comerciante, foi necessário interromper temporariamente as atividades.
Das cinzas, uma nova operação
Ao longo desses 90 dias, João Paulo Schetino teve a oportunidade de comprar um imóvel próximo à sua loja. No local, com menos de 130 metros quadrados, cerca de sete vezes menor que o espaço atingido pelas enchentes, ele abriu, a toque de caixa, a Marcio’s Express, uma operação focada exclusivamente na venda de carnes.
Segundo o empresário, a nova operação foi fundamental para preservar os empregos de 50 funcionários e evitar demissões em massa. “É uma loja que tem estrutura para 15 colaboradores e hoje está funcionando com 50”, explica. Para isso, afirma que precisou fazer um verdadeiro “malabarismo de RH”, implementando, entre outras estratégias, um sistema de rodízio de férias para a equipe.

Apesar de registrar boas vendas, o faturamento da Marcio’s Express ainda está longe dos cerca de R$ 2,2 milhões mensais alcançados pela Marcio’s Frios antes das enchentes, conforme aponta Schetino. “Eu não consigo trabalhar com lucro, porque a minha folha é muito alta para essa loja, mas ela me deu sobrevivência”, diz. Mesmo após a reabertura da matriz, ele pretende manter a filial em funcionamento.
“Saímos de uma loja para duas no meio de um furacão. Então esperamos reconquistar o faturamento de antes, tornar a Express viável e, nos próximos anos, conseguir uma expansão de forma mais saudável”, revela o empresário, que planeja recuperar os prejuízos acumulados nos últimos três meses em um prazo máximo de cinco anos.
Das águas, um novo caminho
Outros empresários que também se reinventaram após as trágicas chuvas de fevereiro foram o casal Ive de Assis, de 50 anos, e Menon de Almeida, de 51. Depois de enfrentar três enchentes consecutivas entre os dias 23 e 25 daquele mês, a loja de tintas da dupla de sócios, a Decor Colors, no Centro de Juiz de Fora, acumulou prejuízos de R$ 96 mil e precisou permanecer fechada por uma semana.
Quando as portas voltaram a abrir, o cenário ainda era desafiador. Com muitas contas para pagar, parte da estrutura comprometida e estoque praticamente zerado, os empresários precisavam encontrar uma forma de manter o negócio funcionando. A saída surgiu em um modelo que, até então, parecia pouco provável para o segmento: as vendas por encomenda. A loja passou a adquirir as tintas junto ao fornecedor somente após a confirmação dos pedidos dos clientes.
“Foi desafiador no início porque nem nós acreditávamos nesse tipo de venda. A tinta é um produto que o consumidor geralmente vê e compra na hora. Ele não encomenda com antecedência”, conta Ive de Assis.

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Nos primeiros sete dias, apenas três clientes aderiram ao novo formato. Ainda assim, o casal estava disposto a insistir. “Mesmo que fosse necessário ir à fábrica em São Paulo buscar apenas dois ou três produtos, nós iríamos. Precisávamos cumprir o compromisso com o cliente e, naquele momento, essa era a nossa única forma de salvar a loja”, afirma.
A persistência começou a dar resultado rapidamente. Entre a segunda e a terceira semana de operação, o número de encomendas já havia saltado para 20, permitindo que as viagens para reposição fossem planejadas de forma mais eficiente.
“Juntávamos todos os pedidos e programávamos a entrega para, no máximo, 20 dias. As pessoas começaram a entender a dinâmica do serviço e passaram a nos procurar com antecedência quando precisavam comprar. Deu muito certo e foi, sem dúvida, o que nos salvou”, diz Almeida.

A aposta refletiu diretamente nos resultados da empresa. Em março, primeiro mês completo após as enchentes, o faturamento alcançou R$ 116,7 mil, um crescimento de 239,09% em relação a fevereiro, quando a receita havia despencado para R$ 34,46 mil. Na comparação com janeiro, mês anterior à tragédia, o avanço foi de 72,02%.
Abril também manteve o ritmo da recuperação. A empresa registrou faturamento de R$ 98,21 mil, quase três vezes superior ao obtido em fevereiro, período em que as enchentes comprometeram as vendas e provocaram danos à estrutura da loja.
“A crise provocada pelas enchentes abriu caminho para um novo negócio”, resume Almeida. Segundo ele, as vendas por encomenda representam, atualmente, cerca de 75% do faturamento mensal.
Em busca de terreno firme
Além da matriz de Juiz de Fora, os empresários haviam acabado de inaugurar uma filial em Ubá. O estabelecimento, porém, foi completamente destruído pelos alagamentos que atingiram a cidade.
Na madrugada da enchente, um terceiro sócio do grupo, que dormia em um cômodo anexo à loja, acordou com a água já alcançando a cama. Ele só conseguiu sobreviver porque escalou as prateleiras do estabelecimento e se refugiou na laje do imóvel até que a correnteza perdesse força.
“Queremos reabri-la [a loja de Ubá], mas não agora. Só não sabemos se será no mesmo ponto porque o atual fica bem próximo ao rio [rio Ubá] que corta o Centro. Nosso foco, no momento, é levar a nossa loja de Juiz de Fora para um novo endereço, na mesma rua onde estamos, hoje, mas em uma parte mais alta. Assim evitamos que futuras chuvas causem novos estragos, afinal tudo passa, mas o trauma fica”, diz Almeida.
O último cartucho da resistência
Se João Paulo Schetino, Ive de Assis e Menon de Almeida já começam a se reerguer, a realidade de outros comerciantes da região ainda é marcada pela incerteza. A gráfica da pequena empresária Marta Gomides, de 57 anos, no bairro Industrial, em Ubá, corre o risco de encerrar definitivamente as atividades.
Martinha, como é conhecida na cidade, sofreu perda total com as chuvas de fevereiro. Segundo ela, todo o estoque e os serviços finalizados nos dias anteriores à enchente foram arrastados pela água e pela lama, causando prejuízos estimados em R$ 2 milhões.

“Minha principal impressora, responsável pela produção de revistas e dos materiais gráficos de maior valor agregado, opera hoje de forma precária e exige reparos constantes. Cada manutenção custa entre R$ 10 mil e R$ 15 mil”, relata.
Mesmo diante das dificuldades, a empreendedora afirma que não recorreu a empréstimos bancários. Faz questão de manter em dia os pagamentos de fornecedores, dos 15 funcionários e dos impostos. Para isso, tem utilizado as reservas financeiras pessoais acumuladas ao longo dos anos. Enquanto isso, o faturamento da empresa permanece praticamente zerado há três meses.
“Tenho uma folha de pagamento de quase R$ 60 mil. Vai completar a quarta [folha de pagamento] sem produção. Os funcionários estão em casa e, até o momento, tenho conseguido mantê-los. Mas não aguento mais um mês nesse cenário, porém desistir não é uma opção”, diz.
A expectativa da empreendedora é de que o conserto da principal máquina da gráfica e de outros itens da infraestrutura permita uma retomada gradual das atividades. Segundo ela, os reparos de parte dos equipamentos menores foram viabilizados sem custos por técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Na tentativa de manter viva a empresa, Marta Gomides também lançou, nos últimos meses, uma vaquinha on-line que arrecadou R$ 44,5 mil, valor convertido na compra de uma impressora. Um equipamento que, mais do que reforçar a produção, simboliza uma das últimas apostas da empresária para impedir que a história construída ao longo de décadas seja levada pela mesma correnteza que destruiu a gráfica.
Por um fio
Assim como Martinha, o comerciante Anderson Gonçalves, de 50 anos, vê o futuro do negócio ameaçado pelos desafios deixados pela enchente. Proprietário de uma esfirraria no Calçadão Deputado Ibrahim Jacob, principal polo comercial do Centro de Ubá e uma das áreas mais castigadas pelas chuvas, ele precisou manter a loja fechada por 30 dias após as águas invadirem o estabelecimento e danificarem geladeira, freezer, balcões e mercadorias. Desde então, a receita do negócio despencou 70%.
“Vendia, em média, R$ 50 mil por mês. Hoje meu faturamento não passa dos R$ 15 mil”, conta acrescentando que está com o aluguel da lanchonete (R$ 5.800 mensais) atrasado há dois meses. “Estou esperando um recurso da prefeitura que virá agora, de R$ 10 mil, para completar com mais R$ 2 mil do meu bolso e pagar. Mas no início de junho já tem outro [aluguel] vencendo”, relata.
Gonçalves afirma que, se o cenário na região continuar caótico como está, conseguirá manter o negócio por, no máximo, mais três meses.
“Eu me arrependi de ter voltado. Não dá para ficar bancando algo sem uma perspectiva. O Calçadão está em reforma, destruído, tomado por terra e barro, o que afasta o fluxo de pessoas na via”, destaca o empreendedor, que antes das enchentes recebia, em média, 100 clientes por dia e produzia cerca de 200 esfirras. “Hoje, são menos de 30 [clientes] e apenas 60 salgados”, completa, evidenciando o impacto das inundações sobre a atividade.

Por fim, Gonçalves conta ainda que o que tem garantido sua renda e possibilitado arcar com os compromissos financeiros, entre eles o pagamento dos quatro funcionários, é um segundo negócio: uma pizzaria itinerante que atende festas e eventos.
“Estou tirando recursos desta atividade para manter as despesas da lanchonete, até decidir se vou continuar ou não com a loja. Não dá para fechar de imediato, porque tem acerto de funcionários e despesas de encerramento de firma”, diz.
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A enchente, porém, não foi o primeiro golpe enfrentado por Anderson Gonçalves. Há seis anos, uma antiga lanchonete mantida por ele no Centro de Ubá foi destruída por um incêndio. O prejuízo foi total.
Atuando há 18 anos no ramo da alimentação, sendo os dois últimos à frente da esfirraria, ele ainda tentava se recuperar da antiga tragédia quando foi atingido pela atual. “Mas as coisas ruins felizmente passam. É preciso levantar a cabeça, lutar e seguir, recomeçar e reconstruir, quantas vezes forem necessárias”, conclui.
A loja encolheu, a determinação não
Com 30 anos de atuação no mercado, a empresária Dionísia Soraes, de 55 anos, proprietária de uma loja de cama, mesa e banho em Matias Barbosa, precisou reinventar o negócio para evitar o fechamento após as enchentes que atingiram a cidade, localizada a cerca de 20 quilômetros de Juiz de Fora. Depois de ficar 30 dias de portas fechadas por causa da inundação, o estabelecimento passou por uma reestruturação e hoje funciona em apenas metade da área que ocupava anteriormente.
“Perdi cerca de 40% do meu estoque, que contava com quase 16 mil itens”, relata. Apesar das perdas, Dionísia Soraes mantém o otimismo e espera reabrir, até o fim deste ano, a parte da loja que segue inoperante. “Será meu presente de Natal”, afirma. Em nenhum momento, porém, cogitou abandonar o empreendimento construído ao longo de três décadas. “Eu não sei fazer outra coisa. Essa loja é a minha vida”, resume.

Entre os escombros, um plano de reconstrução
A situação de calamidade enfrentada pelos comerciantes da Zona da Mata de Minas Gerais, em fevereiro, mobilizou diversas entidades de apoio ao setor produtivo. Nos últimos meses, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Minas Gerais (Sebrae Minas) vem oferecendo consultorias gratuitas para orientar empresários na elaboração de planos de ação voltados à retomada das atividades.
A iniciativa integra o Programa Plano de Recuperação Empresarial e busca auxiliar os empreendedores na reorganização financeira, retomada das receitas, redefinição de prioridades estratégicas, adequação das operações e fortalecimento da gestão diante de um cenário marcado por perdas, restrições operacionais e incertezas.
Segundo o gerente do Sebrae Minas na regional Zona da Mata e Vertentes, João Roberto Marques Lobo, entre abril e maio foram atendidos cerca de 210 negócios do comércio em Juiz de Fora e Ubá, além de 33 empresas do setor industrial em Ubá, município que abriga o maior polo moveleiro de Minas Gerais e o segundo maior do País, conforme a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Ubá (Aciubá).
“Muitas [empresas] estão começando a respirar agora. No setor industrial, não temos registro de empresas que tenham encerrado as atividades de forma definitiva. A realidade é diferente no comércio, onde os prejuízos foram mais severos”, afirma Lobo.
De acordo com ele, a expectativa é que, até outubro, pelo menos 500 empresas sejam atendidas pelo programa. “Assim, teremos um balanço mais efetivo dos resultados alcançados e das medidas adotadas”, projeta.
Quando o crédito vira ponte
O dirigente do Sebrae Minas revela que a principal demanda apresentada pelos empresários durante os atendimentos está relacionada ao acesso ao crédito para restabelecer os negócios.
“Não apenas orientamos sobre as possibilidades de financiamento, inclusive por meio de um levantamento detalhado das finanças da empresa, como também utilizamos o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), administrado pelo Sebrae. O mecanismo facilita o acesso dos pequenos empresários a linhas de crédito junto aos bancos, oferecendo garantias às instituições financeiras em caso de inadimplência”, explica.
Segundo Lobo, houve ainda uma mobilização tanto de bancos públicos quanto de instituições privadas, especialmente cooperativas de crédito, que passaram a oferecer condições mais favoráveis aos empreendedores afetados. Em muitos casos, as taxas de financiamento foram reduzidas, sobretudo para aqueles que contavam com garantias do Fampe.
“Esperamos encerrar o ano com a maior parte das empresas em plena recuperação. É claro que algumas optaram por não retomar as atividades, situação mais comum entre negócios de pequeno porte que não conseguiram recompor o capital de giro nem restabelecer o fluxo financeiro. Ainda assim, a expectativa é que a maior parte dos empreendedores consiga superar esse período e voltar a crescer”, conclui.
Um horizonte ainda distante
Em meio aos esforços de reconstrução, uma questão continua a inquietar os comerciantes da Zona da Mata: quando a economia regional conseguirá superar os efeitos da tragédia e retomar plenamente a trajetória de crescimento?
Para o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti, 2026 ainda será um ano de recuperação e ajustes.“Acredito que, a partir de janeiro de 2027, os lojistas que recorreram a empréstimos para restabelecer seus negócios já estejam com esses compromissos financeiros mais equilibrados. Só então poderão sentir uma recuperação mais consistente”, analisa.
À frente da Aciubá, o presidente Elias Ricardo Coelho não consegue vislumbrar uma data precisa para o pleno restabelecimento da atividade econômica em Ubá. “As obras públicas de reconstrução estão muito atrasadas. Ainda tem ponte caída dentro do rio e, pelo menos, dois ou três projetos em andamento”, afirma.

Coelho também revela que o comércio atravessa um cenário de dificuldades no pós-tragédia, com apenas 40% dos estabelecimentos restabelecidos. “Muitos comerciantes não voltaram a exercer suas atividades. Vários ainda estão com lojas em reforma. Outros sequer voltarão, seja porque faliram, mudaram de ramo ou simplesmente desistiram do negócio”, diz.
O gestor acrescenta que, mesmo entre aqueles que retomaram as atividades, os relatos comuns são de queda de, pelo menos, 50% das vendas. “Tivemos mais de mil CNPJs afetados. Já no setor de móveis foram 42 indústrias prejudicadas por conta das chuvas”, destaca.
Diante desse cenário, o dirigente disse acreditar que o comércio local precisará de, no mínimo, um ano para recuperar a estabilidade. Já as obras de reconstrução e as medidas necessárias para prevenir novos danos em futuras enchentes, segundo ele, representam um desafio de longo prazo. “Não acredito que a cidade consiga concluir essas ações em menos de cinco anos”, destaca.
A reconstrução passa pelas prefeituras
As prefeituras de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa foram procuradas pela reportagem do Diário do Comércio para informarem as principais medidas de amparo estabelecidas ao setor produtivo local impactado pelas chuvas.
Em nota, o Executivo de Juiz de Fora informou que “a Sala do Empreendedor (espaço de atendimento criado pela prefeitura em parceria com o Sebrae Minas e a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais para simplificar, desburocratizar e melhorar o ambiente de negócios no município) encaminhou comunicação a cerca de 30 mil empresas potencialmente impactadas, com orientações sobre linhas de crédito emergenciais do Governo Federal, operacionalizadas pela Caixa Econômica.”
A prefeitura afirmou ainda que a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, da Inovação e Competitividade (Sedic) também realizou o webinar “Crédito para Recomeçar”, articulou pedidos de benefícios tributários e mantém ações de estímulo à economia, como a campanha Valorize JF, de fomento ao comércio local.
Já a prefeitura de Ubá informou que a principal ação para ajudar a atividade comercial na cidade foi a criação do Fundo de Amparo aos Empresários, Comerciantes e Profissionais Liberais de Ubá (Faeclu), que concedeu auxílio de R$ 10 mil, sem necessidade de devolução, para auxiliar na recuperação de estoques, reformas e capital de giro. A iniciativa beneficiou cerca de 300 empresários. “A administração Municipal segue trabalhando para expandir o número de beneficiados”, declarou em nota o Executivo.
Além disso, segundo a prefeitura, o município contou com apoio do Governo de Minas, que suspendeu temporariamente taxas empresariais, além de iniciativas como o Fundo de Crédito Solidário Abrace Ubá, que oferece empréstimos sem juros aos empreendedores atingidos.
A administração municipal também afirma estar executando obras de reconstrução e revitalização urbana para estimular a recuperação do comércio e preservar empregos. “Uma das principais ações é a recuperação do Calçadão Deputado Ibrahim Jacob, no Centro da cidade, área fortemente atingida pelas enchentes e considerada estratégica para o comércio local. O investimento previsto é de R$ 1,2 milhão e a conclusão estimada para novembro deste ano”.

A prefeitura revela ainda “que está em fase final de contratação de empresas e já se prepara para a recuperação de pontes, ruas e acessos urbanos danificados, buscando melhorar a circulação de pessoas, mercadorias e serviços.”
Por fim, a prefeitura de Matias Barbosa, informa que iniciou, no último dia 25, o pagamento do Auxílio Emergencial Municipal destinado às famílias e comerciantes atingidos pelas fortes chuvas de fevereiro que afetaram a cidade.
As famílias receberão auxílio no valor de R$ 1,5 mil, enquanto os comerciantes terão acesso ao benefício de R$ 5 mil. No total, mais de 400 amparos emergenciais serão concedidos.
Ainda segundo a prefeitura, além do aporte financeiro, “as famílias e comerciantes atingidos seguem recebendo apoio por meio da entrega de cestas básicas, utensílios domésticos e outros itens essenciais.”

Reconstruindo sonhos, não apenas negócios
Entre prejuízos milionários, incertezas e longos caminhos de recuperação, os empresários ouvidos nesta reportagem seguem reconstruindo muito mais do que negócios: tentam resgatar projetos de vida.
João Paulo Schetino lembra que, ainda no telhado onde se refugiou da enchente, a decisão de continuar já estava tomada: “Não tem como uma empresa que vai completar 27 anos parar por conta disso”.
A mesma convicção ecoa nas palavras de Ive de Assis, para quem “até mesmo no meio do caos foi possível se reinventar de forma transformadora”, e na determinação de Marta Gomides, que resume o sentimento de tantos empreendedores atingidos pelas águas: “Desistir não é uma opção”.
No fim das contas, talvez seja essa a principal marca deixada pelas enchentes de fevereiro: a prova de que, quando tudo parece perdido, ainda há quem encontre forças para recomeçar, tal como a fênix da mitologia.
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