Eleições, pessimismo econômico e da melhora financeira fazem confiança do consumidor recuar 0,54% em outubro

Apesar da queda mensal, indicador acumula alta de 5,44% em 2026 e de 9,23% em 12 meses, mas permanece abaixo da faixa de otimismo

O “humor instável” do País, com eleições, tensões econômicas e preocupações com a renda familiar, afetou o Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH) em outubro. Ele recuou 0,54% em outubro, na comparação com setembro, de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). O indicador atingiu 43,60 pontos, em uma escala que varia de 0 a 100.

Apesar da queda em relação ao mês anterior, houve crescimento da confiança na comparação com outubro de 2025, que foi de 39,91 pontos. O índice geral segue em patamar pessimista, pois continua abaixo de 50 pontos. No acumulado de 2026, o índice avançou 5,44% e, no acumulado dos últimos 12 meses, 9,23%.

A leitura de que a efervescência do caldo político, com eleições presidenciais e para cargos estaduais, trouxe mais incertezas para o consumidor mineiro não é equivocada, segundo o gerente de pesquisas da Fundação Ipead, Eduardo Antunes. O recuo da confiança, de acordo com ele, pode ter gerado cautela e ansiedade sobre o que poderia acontecer após as eleições.

“A proximidade do período eleitoral gerou uma certa cautela e incerteza com o cenário político e macroeconômico, global e nacional, como se mostrou ao longo de todo aquele processo. Nesse relatório de outubro, a gente viu que o componente de emprego caiu 3,29% e a pretensão de compra recuou 3,79%, o que refletiu esse ambiente de maior retenção das decisões por parte do consumidor, perante os muitos ruídos e incertezas políticas do período”, disse Eduardo.

“Mas, mesmo com todo esse distúrbio do cenário político, ele não foi suficiente para causar uma queda muito grande no índice de confiança do consumidor em relação a setembro”, completa.

Inflação

Já o Índice de Expectativa Econômica (IEE) cresceu 1,67% em outubro. O indicador foi impulsionado pela melhora da percepção dos consumidores com relação à inflação (6,61%) e à situação econômica do País (5,10%). Por outro lado, houve queda de 3,29% no emprego. Em contrapartida, o Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) caiu 2,38%, puxado pelo recuo de 3,78% na pretensão de compra e de 3,12% na situação financeira atual da família.

O economista do Ipead também afirmou que, mesmo com uma melhora na percepção de inflação, ainda houve pessimismo entre as pessoas, o que reforça a queda na confiança do consumidor, ainda que tenha sido uma retração pouco acentuada. Mas faz um alerta:

“Pode ser que, para os próximos meses, isso venha a deteriorar um pouco mais, pois ainda estamos sofrendo sequelas desse período eleitoral de outubro, do primeiro para o segundo turno, e vamos ver o que vai acontecer até lá”, comenta.

No acumulado do ano, quatro dos seis componentes continuam a apresentar crescimento, com destaque para Situação Econômica do País (23,57%), seguida por Inflação (14,57%) e Emprego (7,90%).

Alívio e esperança

O consumidor parece entender que a tensão de outubro não deve se refletir de forma intensa no seu dia a dia a partir de novembro, pois, com a injeção de dinheiro na economia com 13º salário e bônus, o cenário é de alívio no bolso e esperança no horizonte.

“Houve evolução positiva da expectativa econômica, que avançou 1,67% em outubro. Isso é reflexo desse alívio da expectativa de preço e inflação, e na economia geral do País como um todo. A proximidade dessas injeções de dinheiro no fim do ano, com 13º, algumas gratificações, gera ou cria um ambiente de fôlego financeiro mais iminente para a população. O consumidor percebe que esse poder de compra dele pode aumentar e ganhar um alívio temporário nessas próximas semanas”, explica Antunes.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.