Diesel S-10 fica mais difícil de encontrar e pressiona postos sem bandeira em Minas Gerais
A oferta de diesel S-10 está mais restrita em Minas Gerais, principalmente para postos sem bandeira, em meio ao aumento dos custos de importação e à redução da disponibilidade do produto no mercado brasileiro. O cenário ocorre após o agravamento das tensões no Oriente Médio e já pressiona os preços praticados pelas distribuidoras.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), cerca de 30% do diesel consumido no Brasil, principalmente o diesel S-10, é importado. A dificuldade está no diferencial de preços entre o produto nacional e o combustível adquirido no exterior.
“Hoje, 30% do diesel, principalmente do diesel S-10, é importado. A Petrobras não está importando diesel, e ninguém está importando diesel, porque o diesel externo está na faixa de 40% a 50% mais caro do que o diesel interno. Então, os 70% que a Petrobras produz no Brasil não conseguem atender 100% da demanda”, afirma o presidente do Minaspetro, Fábio Vasconcellos Moreira.
A diferença de preços reduz o interesse das distribuidoras em importar o combustível para complementar a oferta doméstica. “As distribuidoras que importam diesel não vão comprar diesel a 2x para vender a x aqui no Brasil”, diz.
Na avaliação de Moreira, o resultado é uma combinação de menor oferta e demanda ainda elevada, com reflexos sobre os preços. “Então, a consequência disso é a falta de produto, principalmente de diesel S-10, dentro do País e, consequentemente, dentro de Minas Gerais. Quando você tem menos oferta e mais procura, naturalmente os preços vão ser mais salgados para quem está comprando, porque há escassez desse produto no Brasil e em Minas”, esclarece.
Escassez atinge mais postos sem bandeira em Min
Conforme o Sindicato de postos de combustíveis de Minas Gerais, os efeitos da restrição de oferta são maiores entre os postos que não mantêm contratos de exclusividade com grandes distribuidoras. Em períodos de escassez, as empresas tendem a priorizar o fornecimento aos estabelecimentos vinculados às suas redes.
As distribuidoras também podem vender combustível aos postos sem bandeira por meio do chamado mercado spot. Em momentos de oferta restrita, porém, esse canal fica mais caro e menos previsível.
“Como está tendo escassez de produto, a torneira fecha para quem não tem esse contrato de exclusividade. Se está faltando produto no mercado, ela vai vender para aqueles associados dela, para os postos que são da bandeira própria. Ela fecha a torneira para os postos que não são bandeirados, filiados a ela”, esclarece.
Segundo o sindicato, em Minas Gerais, os postos de marca própria representam 47% do varejo de combustíveis, segundo o Minaspetro. No Brasil, a participação chega a aproximadamente 50%.
O cenário atual também reacende as preocupações observadas em março, quando o mercado enfrentou dificuldades de abastecimento e forte especulação comercial. Apesar da pressão sobre a oferta, o Minaspetro afirma que não há, neste momento, risco iminente de desabastecimento generalizado.
Para Moreira, a margem de atuação do setor varejista diante da restrição internacional é limitada.“O único jeito de normalizar isso é voltar a ter o petróleo passando pelo Estreito de Ormuz. Algo entre 15% e 20% do óleo diesel do mundo vem dali, e é justamente onde tem guerra”, pontua.
Segundo ele, o sindicato pode negociar com as distribuidoras para tentar reduzir a pressão sobre os preços, mas as próprias empresas enfrentam custos maiores para recompor seus estoques. O sindicato reforça ainda que a formação de preços segue livre ao longo da cadeia. Os postos representam a etapa final da comercialização e não participam da produção, do refino, da importação ou da distribuição dos combustíveis.
O Diário do Comércio procurou o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis do Estado de Minas Gerais (Sindiminas) para comentar o cenário de oferta e preços do diesel S-10 no Estado e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
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