EuroChem pode paralisar e implementar layoff em Serra do Salitre, no Alto Paranaíba, devido à crise do enxofre
Em razão da crise global do enxofre, a EuroChem poderá reduzir as atividades em Serra do Salitre, no Alto Paranaíba, a partir de setembro, e suspender o contrato de aproximadamente 600 colaboradores por três meses, disseram fontes a par do assunto ao Diário do Comércio.
Em reunião realizada na semana passada na subsede do Sindicato Metabase, em Patrocínio, a diretoria da empresa apresentou para representantes dos trabalhadores a crítica situação enfrentada pelo setor de fertilizantes. No encontro, a companhia teria sinalizado que avalia interromper parte da produção e recorrer ao regime de layoff para preservar empregos.
O movimento seria motivado pela escassez e pela alta de preços do enxofre. Esse mesmo cenário levou, recentemente, a Mosaic a hibernar e paralisar temporariamente unidades na mesma região e também no Triângulo Mineiro, com impacto direto no quadro de pessoal.
As fontes relataram que a EuroChem foi até Brasília para pedir subsídio ao governo federal para a compra da matéria-prima. Os estoques do insumo seriam suficientes para manter as operações normais apenas até setembro, depois seria necessário diminuir a produção.
Inaugurado em março de 2024, com investimentos da ordem de US$ 1 bilhão, o Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre foi projetado para produzir um milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano e está na etapa de escalonamento produtivo.
A companhia e o Metabase devem se reunir novamente em agosto para discutir e negociar eventuais medidas que possam vir a ser tomadas diante da crise no setor.
Atualmente, a EuroChem tem cerce de 1.100 funcionários na planta mineira. Além da possível redução das atividades e suspensão dos contratos de parte dos trabalhadores, a empresa teria planos de demitir em torno de 120 pessoas, mas por ajustes operacionais.
Segundo as fontes, houve um excesso de contratações pela expectativa de desempenho do complexo em Minas Gerais, que ainda não atingiu o resultado esperado. Os cortes teriam começado em junho e estão previstos para ocorrer gradualmente para evitar a caracterização de demissão em massa. No novo encontro com o sindicato, também devem ser debatidas propostas para diminuir o impacto sobre as pessoas que forem desligadas.
Empresa afirma que nenhuma decisão foi tomada e busca soluções junto ao governo
Em nota à reportagem, a EuroChem ressalta que a escassez global de enxofre e alta nos preços atingem toda a cadeia de produção de fertilizantes no Brasil e não se restringe às empresas. A companhia afirma que trabalha junto a entidades do setor, instituições e ao governo federal para endereçar esse problema.
“As tratativas envolvem acesso a novos fornecedores, condições de importação e mecanismos de apoio à produção nacional. O objetivo é manter as operações e reduzir a exposição do País à falta de um insumo essencial para o agronegócio”, pontua.
Enquanto as conversas avançam, a empresa diz que trabalha com diferentes cenários, todos partindo do ponto de preservar a operação mineira, o atendimento ao mercado e os empregos. Segundo a companhia, nenhuma decisão foi tomada e as alternativas em estudo dependem da resposta do governo e das condições de mercado nos próximos meses.
Ainda de acordo com a EuroChem, a unidade no Alto Paranaíba segue com a manutenção dos ativos e o foco na produção que atende os clientes. A empresa salienta que o complexo tem dois anos de funcionamento e está em fase de ramp-up.
“Nesse período, a mobilização e a desmobilização de projetos e frentes de trabalho fazem parte da rotina da empresa e não têm relação com o cenário do setor”, afirma.
Por fim, a EuroChem reitera que qualquer definição será comunicada primeiro aos empregados e que o investimento em Serra do Salitre está mantido. Conforme a empresa, a unidade foi construída para produzir fertilizante fosfatado no Brasil, com minério brasileiro, razão pela qual o abastecimento de matéria-prima precisa de uma resposta do País.
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