‘Inovabilidade’: empresário defende que inovação e sustentabilidade não podem mais caminhar separadas

Fundador da Inovitae alerta que ESG precisa sair da margem e virar o centro das decisões de negócio, sob risco de as empresas não sobreviverem
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O HackTown 2026 foi de 3 a 7 de setembro, em Santa Rita do Sapucaí. Durante o festival, Sílvia Castro entrevistou, para o podcast Na Boa, parceria do Diário do Comércio, Fernando Bertolucci, fundador e CEO da Inovitae e ex-vice-presidente executivo de Sustentabilidade, Pesquisa e Inovação da Suzano. Na conversa, Fernando Bertolucci defendeu que inovação e sustentabilidade precisam ser tratadas como uma coisa só, não como agendas paralelas.

Depois de uma carreira executiva na Suzano, uma virada de rota

Fernando Bertolucci contou que, há cerca de um ano e meio, decidiu mudar de direção depois de uma longa trajetória no setor de papel e celulose, período em que ocupou a vice-presidência executiva de Sustentabilidade, Pesquisa e Inovação da Suzano, trabalhando com o conceito que hoje batiza sua própria empresa. Fundou então a Inovitae, startup construída em torno da ideia de “inovabilidade”: inovação a serviço da vida, unindo um planeta ambientalmente mais saudável a uma sociedade mais justa.

“Eu tenho uma agenda que me move muito, que é essa ideia da inovação a serviço da sustentabilidade. Acho que tem muito o que fazer aí”, afirmou.

De mudança climática a “guerra climática”

Questionado se existe inovação sem sustentabilidade, Fernando Bertolucci foi direto: hoje ainda existe essa separação, mas ela precisa acabar. Para o empreendedor, o mundo já passou da fase de mudanças climáticas e da crise climática, e enfrenta agora o que ele chama de guerra climática, a maior guerra atual. “Para essa guerra, nós vamos ter que subir muito a régua”, disse.

Na avaliação dele, essa não é uma disputa com vencedores e vencidos isolados. “Essa é uma guerra que ou todos ganhamos ou todos perdemos”, resumiu, ao comentar a preocupação com as próximas gerações diante de crises geopolíticas e da falta de lideranças voltadas à preservação da vida.

Soluções existem, mas falta escala

Fernando Bertolucci reconheceu que soluções sustentáveis já vêm sendo criadas ao redor do mundo, inclusive por startups, mas defendeu que o desafio agora é de escala. Para ele, o conceito de inovabilidade exige conectar startups, academia, grandes empresas, institutos de pesquisa e governos em torno da mesma agenda. “Nada contra soluções de nicho, só que elas não resolverão o problema do planeta atualmente”, avaliou.

ESG não pode ser tratado como custo à parte

Um dos pontos centrais da conversa foi a resistência de parte do mercado em enxergar o ESG como investimento, e não como custo. Segundo Fernando Bertolucci, essa confusão vem da forma como a agenda surgiu, como algo paralelo aos negócios. Ele defende o oposto: o ESG precisa estar no centro das decisões das empresas, não à margem delas.

“A partir do momento que você faz isso, percebe que há grandes oportunidades de ganhar dinheiro e fazer bem para o planeta ao mesmo tempo”, afirmou. Para ele, o lucro e a preservação do planeta e das pessoas não estão em lados opostos: é justamente o lucro que financia as ações de transformação.

Empresas que geram valor só para acionistas “não vão sobreviver”

Fernando Bertolucci também defendeu uma mudança de modelo de negócio: empresas que gerem valor apenas para seus acionistas tendem a não sobreviver, na visão dele. Para o empreendedor, é justo que acionistas recebam retorno pelo investimento, mas as empresas também precisam gerar valor para colaboradores, sociedade, fornecedores e investidores como um todo.

Palestra no Inatel apresenta estratégias vencedoras

Na entrevista, Fernando Bertolucci defende a inovabilidade como fio condutor dos negócios. Ele descreveu o tema como um conjunto de “estratégias vencedoras” que já vem observando em empresas grandes e pequenas, e também em governos, com resultados no que chama de ecossistema do bem.

Em sua primeira participação no HackTown, o empreendedor destacou o valor da diversidade de público do festival para difundir essa mensagem. “É colocar todo mundo junto e misturado nessa fervura a favor de coisas melhores”, descreveu, ao comparar o evento a um “mutirão para a transformação”.

Reportagem produzida com base em entrevista conduzida por Sílvia Castro para o podcast Na Boa, parceria do Diário do Comércio, disponível no canal do Diário do Comércio MG no YouTube (@diariodocomerciomg).
Sobre o autor

Luciana Montes

Editora Executiva do Diário do Comércio desde 2019. Atuou como repórter e editora de Economia e Negócios entre 2004 e 2018. Graduada em Comunicação Social pela Fafi-BH, com pós-graduação em Tecnologias da Informação e Marketing em Comunicação. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/luciana-montes

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

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