Economia

Ferrovias da MRS recebem máquinas e serviços da Loram South America em contrato de R$ 1 bilhão

Acordo com a Loram combina serviços e ativos, reduz imobilização de capital e amplia produtividade na malha ferroviária
Ferrovias da MRS recebem máquinas e serviços da Loram South America em contrato de R$ 1 bilhão
Foto: Divulgação/MRS

A MRS Logística recebeu, recentemente, duas novas máquinas esmerilhadoras da Loram South America, em um movimento que reforça os investimentos em eficiência operacional na malha ferroviária que conecta Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Os equipamentos já estão em operação, enquanto a empresa americana assume a gestão e manutenção dos ativos por 15 anos, em um modelo que reduz custos operacionais e aumenta a previsibilidade do serviço.

A entrega marca o início da execução de um contrato de R$ 1 bilhão entre as partes, com perfil majoritariamente voltado à prestação de serviços, que responde por 80% do valor, enquanto os equipamentos representam 20%. A estrutura sinaliza uma mudança na lógica de investimento, com foco em contratos de longo prazo e menor imobilização de capital por parte da MRS.

De grande porte, as máquinas são voltadas à manutenção da infraestrutura ferroviária e atuam diretamente na qualidade dos trilhos, com impacto na produtividade da operação. Ao restaurar o perfil, reduzir desgastes e prevenir falhas, os equipamentos tendem a ampliar a vida útil dos ativos, reduzir custos de manutenção e elevar os padrões de segurança, com reflexos diretos na eficiência logística.

O primeiro equipamento é a RG426, uma esmerilhadora de linha corrida equipada com 90 rebolos, considerada uma das maiores do mundo em sua categoria. O segundo é a RGS27, uma máquina especializada na manutenção de pontos críticos da ferrovia, como aparelhos de mudança de via (AMVs) e passagens de nível (PNs), inédita para a MRS.

Conforme o diretor comercial da Loram para a América do Sul e África, Rafael Araújo, foram gerados em torno de 30 empregos no Estado para atuar com a operação e manutenção das máquinas, além de fomentar a economia local com a compra de peças.

Empresa discute produzir no Brasil e Minas Gerais é a principal opção

Os equipamentos que as ferrovias da MRS receberam da Loram foram produzidos na unidade da empresa nos Estados Unidos. As máquinas levaram em torno de um ano para ficarem prontas e chegaram ao Brasil por via marítima.

Segundo Araújo, existem discussões dentro da Loram sobre ter uma cadeia nacional e fabricar máquinas no País, mas isso depende do volume de demanda, visto que as máquinas custam milhões de dólares. Ele afirma que, caso futuramente a ideia avance, Minas Gerais seria o local ideal para o investimento, devido à sua localização estratégica. Atualmente, a empresa possui um armazém no município de Varginha, no Sul do Estado.

O diretor ressalta que, mesmo sem produzir no Brasil, a Loram já avançou no processo de nacionalização. Neste momento, aproximadamente 70% dos componentes que a empresa precisa consumir nas operações brasileiras, no decorrer dos contratos, são comprados no País, majoritariamente de fornecedores de Minas Gerais.

Benefícios do novo modelo de contrato

O contrato bilionário entre a MRS e a Loram substitui e expande um acordo iniciado em 2024, com duração de três anos, para a operação e manutenção de uma esmerilhadora RG407, de 90 rebolos, fornecida pela empresa americana à brasileira em 2012.

Antes do antigo vínculo, a MRS não apenas comprava como também operava e dava manutenção nos equipamentos. A partir do novo modelo contratual, a Loram assume a responsabilidade pelas máquinas, o que gera benefícios para ambos os lados.

Araújo pontua que, ao fechar contrato no formato full service (serviço completo, em português), a MRS fica livre para focar no transporte de carga, seu principal negócio, enquanto a Loram opera e mantém as máquinas, sua principal frente de atuação.

Outro ponto destacado é que é interessante para a Loram trazer ao Brasil uma prática mundialmente consolidada. A modalidade está presente em mercados como os Estados Unidos, a Austrália e a Europa. Além disso, antes de firmar esse tipo de vínculo com a MRS, a empresa havia obtido bons resultados em um contrato com a Rumo Logística.

Conforme o diretor, esse tipo de estrutura contratual também aumenta a segurança operacional. “Você reduz o risco de paralisações na ferrovia e a mantém o máximo disponível para o transporte de cargas. Com isso, diminui o risco de acidentes”, salienta.

Ele acrescenta que as máquinas que compõem a renovação contratual trazem ganhos de sustentabilidade ao realizar o esmerilhamento com alta precisão, suavizando o contato entre roda e trilho e reduzindo o esforço do motor das locomotivas. “Utiliza-se menos diesel, então emite-se menos CO2”, diz, reforçando que isso reduz as emissões da MRS.

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