Confiança da indústria mineira recua e completa 19 meses em terreno pessimista
Nem os recentes movimentos por uma paz no Oriente Médio nem a sinalização de redução da taxa de juros no Brasil trouxeram novo ânimo para o empresário da indústria mineira. O índice de confiança do empresário industrial de Minas Gerais (Icei-MG), elaborado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), registrou 45,1 pontos em junho de 2026, com recuo de 1,4 ponto em relação a maio, quando estava em 46,5 pontos.
O resultado negativo foi registrado pelo 19º mês consecutivo, pela quinta vez em 2026. Em comparação com junho de 2025, o índice apresentou queda de 2,7 pontos. O resultado também ficou 7 pontos abaixo da média histórica do indicador, que é de 52,1 pontos.
Os motivos? Nada muito diferente dos relatos anteriores: taxa de juros elevada, que sufoca quem depende de crédito para crescer ou mesmo para manter o dia a dia do negócio funcionando, além do cenário externo incerto. O levantamento da Fiemg foi feito antes do anúncio do tratado de paz entre EUA e Irã e do corte na taxa Selic de 0,25 ponto percentual, chegando a 14,25% ao ano.
Mesmo com sinalizações de que as duas situações poderiam ocorrer em breve, elas não foram suficientes para aliviar a tensão do empresariado, que segue cauteloso e em busca de soluções para avançar em 2026.
“A manutenção da confiança em níveis reduzidos reflete a combinação de fatores internos e externos, que seguem limitando a disposição das empresas para ampliar investimentos e expandir a produção. No cenário doméstico, o principal fator é a questão dos juros elevados, que impactam as condições de crédito e reduzem o dinamismo do consumo e dos investimentos. No cenário internacional, as incertezas sobre a política tarifária dos Estados Unidos e os conflitos no Oriente Médio adicionam riscos à atividade econômica global”, explica a coordenadora de pesquisas econômicas da Fiemg, Daniela Muniz.
Icei nacional também cai
No âmbito nacional, o Icei recuou de 47,2 pontos em maio para 46,7 pontos em junho. A queda de 0,5 ponto mantém o índice brasileiro em terreno de falta de confiança pelo 18º mês consecutivo.
A permanência do Icei-MG abaixo dos 50 pontos por um período prolongado reflete a insatisfação do empresariado, que tem enfrentado restrições de crédito, limitando o avanço do consumo das famílias e reduzindo os investimentos.
Soma-se a isso a percepção de riscos relacionados ao quadro fiscal, o que contribui para uma postura mais cautelosa por parte dos empresários. Outro fator que gera desânimo é a possibilidade de alterações na política tarifária dos Estados Unidos, com possíveis novas taxas sobre os produtos brasileiros.
“Para a recuperação da confiança, será necessária a redução das restrições financeiras, um ambiente macroeconômico mais previsível e a diminuição dos riscos associados ao cenário internacional. A trajetória dos juros continuará sendo o fator central nesse processo”, comenta a economista.
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