Economia

Indústria mineira volta a crescer em maio, mas emprego segue em queda

Produção avançou na comparação mensal, mas empresas mantêm cautela com contratações e investimentos diante do cenário econômico
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Indústria mineira volta a crescer em maio, mas emprego segue em queda
Foto: Jorge Silva/Reuters

A indústria mineira voltou a crescer em maio de 2026, mas ainda opera em ritmo mais fraco do que há um ano. É o que mostra a Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O índice de evolução da produção atingiu 50,6 pontos no mês, voltando a ficar acima da linha dos 50 pontos, o que indica aumento da atividade na comparação com abril. O avanço foi de 3,3 pontos em relação ao mês anterior. No entanto, frente a maio de 2025, o indicador registrou queda de 1 ponto, evidenciando perda de ritmo na comparação anual.

“Apesar da melhora mensal, quando comparamos com o mesmo período do ano passado, o desempenho é inferior, o que mostra um ritmo de atividade mais moderado”, explica a economista da Fiemg, Daniela Muniz.

Enquanto a produção avançou, o emprego industrial seguiu em retração na comparação mensal. O índice de evolução do número de empregados ficou em 46,9 pontos em maio, abaixo da linha dos 50 pontos, indicando redução das contratações. O indicador recuou 2 pontos frente a abril e 1,9 ponto na comparação anual.

Segundo a economista, o resultado revela cautela por parte das empresas. “As indústrias seguem mais prudentes em relação às contratações, diante de um ambiente econômico ainda incerto”, afirma.

Outros indicadores reforçam essa leitura. A utilização da capacidade instalada permaneceu abaixo do nível usual para o período, ao registrar 41,6 pontos em maio, recuo de 1,9 ponto em relação a abril (43,5 pontos). Na comparação com maio de 2025 (43 pontos), o indicador caiu 1,4 ponto. Já os estoques de produtos finais ficaram abaixo do planejado pelo décimo mês consecutivo, sinalizando uma gestão conservadora da produção.

Para Daniela Muniz, esse conjunto de dados mostra que o avanço da produção não significa, necessariamente, um aquecimento mais consistente da atividade. “A indústria ainda opera com capacidade ociosa e tem espaço para elevar a produção sem necessidade imediata de investir ou contratar”, destaca.

Expectativas

As expectativas para os próximos seis meses seguem positivas, porém mais moderadas do que em anos anteriores. O índice de expectativa de demanda alcançou 53,1 pontos em junho, acima da linha dos 50 pontos, mas com queda de 1 ponto em relação ao mesmo mês de 2025 (54,1 pontos), registrando o menor resultado para junho em seis anos.

O mesmo movimento foi observado nas compras de matérias-primas, que também indicam perspectiva de crescimento nos próximos seis meses, porém com menor intensidade. O indicador ficou estável em relação a maio e recuou 0,9 ponto na comparação com junho do ano passado (52,6 pontos). Já a expectativa de emprego caiu para 49,5 pontos, sinalizando perspectiva de redução do quadro de pessoal. O indicador recuou 1,1 ponto frente a maio (50,6 pontos) e 2 pontos na comparação com junho de 2025 (51,5 pontos).

A intenção de investimento também caiu em junho, para 55,7 pontos, recuando 4,3 pontos em relação a maio (60 pontos), embora ainda permaneça acima da média histórica (52,9 pontos). O indicador é impulsionado principalmente pelas grandes empresas, que apresentam maior capacidade de acesso a crédito e absorção de riscos.

De acordo com a economista da Fiemg, o cenário é marcado por fatores que limitam uma recuperação mais intensa da indústria. “Ainda temos juros elevados, crédito mais restritivo, aumento de custos e incertezas no cenário internacional, como tensões geopolíticas e desaceleração da economia chinesa”, afirma.

Diante desse contexto, a avaliação de Daniela Muniz é de que a indústria mineira deve seguir em trajetória de crescimento moderado ao longo de 2026. “Os empresários enxergam perspectivas positivas, mas dentro de um ambiente de maior cautela”, conclui.

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