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Economia

Investimento em governança traz mais resiliência em crises

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Crédito: Divulgação

Se você é empresário e acredita que para ser longeva a sua empresa deve pensar apenas em gerar lucros, sem  investir em valores que beneficiem a sociedade como um todo, é hora de rever seus conceitos.

De acordo com Mônica Cordeiro, conselheira certificada e coordenadora-geral do Capítulo Minas Gerais do Instituto Brasileiro de Governança  Corporativa (IBGC), as empresas mais resistentes a diferentes tipos de crises são aquelas que adotam estratégias de governança para promover o crescimento empresarial.

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O alerta foi feito, na segunda-feira, no webinar “Governança Corporativa gera valor – O que você não pode deixar de saber”, promovido pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas). Mônica explicou que a governança deve ser entendida como estratégias de gestão que  convertem princípios governamentais em recomendações objetivas que ordenam a estrutura, o perfil dos funcionários,  ainda estabelecendo processos e práticas que devem ser seguidos por todos da empresa.

Para Mônica, todo tipo de empresa, independentemente do porte, se é ou não uma empresa familiar, se tem ou não capital aberto, pode e deve investir na adoção de estratégias de governança, pois, além de proporcionar maior conhecimento do negócio, elas auxiliam na identificação dos setores que precisam inovar, ajudando a programar o futuro da empresa.

Resistência

Perpassada por princípios que agregam valor à marca como ética e integridade, diversidade e inclusão, a construção de um ambiente social que permita inovação e transformação, a valorização da transparência por meio da publicação de prestação de contas, muitas empresas resistem à implantação de estratégias de governança. 

Alguns fatores como o medo de se distanciar dos ensinamentos dos fundadores, no caso das empresas familiares, e o equívoco de montar conselhos formados por “amigos” e não pessoas “competentes”  explicam a resistência de algumas empresas em adotar  este tipo de estratégia.

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“Algumas empresas são formadas por famílias que acreditam que todos os herdeiros tenham condições de  gerenciar a empresa. Nem todos têm talento para o gerenciamento, alguns atuarão melhor como acionistas, outros não terão interesse”, afirmou.  Segundo Mônica, se os herdeiros não se prepararem, não conhecerem profundamente as peculiaridades do negócio de seus pais, poderão tomar atitudes que podem prejudicar a vitalidade da empresa. 

Critérios 

“Há empresas que, seguindo os princípios de governança, estabelecem critérios para que os herdeiros participem da gestão. Algumas empresas exigem que os familiares desejosos de participar da administração façam MBAs no exterior e atuem em empresas do mesmo segmento por pelo menos três anos para assumirem algum tipo de cargo de administração”. 

Entre as empresas reconhecidas por implantarem os princípios de governança corporativa foram citadas o Banco Inter, a Localiza e o Mater Dei. Outro conselho muito importante para ser bem-sucedido na implantação de estratégias de governança corporativa é dedicar-se a estudar profundamente o assunto. 

Conforme Mônica, só em 2020, foram lançadas sete pesquisas e quatro publicações pelo IBGC. ”É preciso estudar muito, dedicar-se, conversar com muita gente. Tem que conversar, com o CEO, com os  conselheiros, com os acionistas, funcionários”,  afirmou.

“Robinson Crusoé”

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Anchieta da Silva, durante o webinar, recorreu à filosofia e à literatura para explicar sua visão empresarial. Segundo Silva, os princípios de governança são importantes pois, isolados, os indivíduos são incapazes de resolver problemas que afetem a coletividade.  

“É como na história de Robinson Crusoé e Sexta-Feira. Juntos, eles trocaram conhecimentos e resolveram problemas comuns. Da mesma forma, a empresa jurídica, ou seja, as empresas, devem existir para atender e promover avanços para a coletividade”. São pretextos para reconhecer o valor da pessoa natural, da pessoa física, afirmou.

Tal pensamento foi acolhido por Mônica, que destacou a dificuldade que alguns empresários encontram em administrar interesses conflitantes no negócio que administram. Ela ressaltou que os interesses coletivos, como a necessidade de seguir as regras jurídicas, os protocolos empresariais,  e os valores que tornam a empresa e sua marca referência em ética e transparência. 

“Muitos resistem à governança por acreditar que ela é burocrática, serve como um freio. Mas a verdade é que eu só posso correr, só posso voar, se eu tenho um freio, sei quando e como parar”, explicou.

Diretrizes da ESG devem ser consideradas

Inseridas no ambiente social, as empresas que adotam governança como estratégia corporativa não devem se furtar a se posicionarem frente às  diretrizes da Enviromental, Social, Governance (ESG),  sigla que, em uma tradução livre significa governança ambiental e social. Segundo Mônica Cordeiro, conselheira certificada do IBGC, opte por implementar valores que permitam à empresa atuar no mercado com responsabilidade social. 

Ainda conforme Mônica, os gestores devem se perguntar:  “As minhas ações de hoje são avanços reais em direção ao futuro em que acredito, ao futuro no qual quero estar?  Se eu defendo diversidade, é preciso pensar qual o plano de carreira da empresa? Estamos incluindo pessoas da Comunidade LGBTQIA+? Se eu defendo isso como valor, tenho que colocar em prática”, explicou.

O vice-presidente da ACMinas, Cledorvino Belini, presente à reunião, destacou a importância de práticas corporativas pautadas na ética e na transparência.  “É importante criar valores para as empresas. À medida que a empresa é transparente, encontra mais facilidade em captar capitais a melhores custos e melhorar o relacionamento com funcionários e acionistas”, disse.

Para  João Henrique Café, presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Jurídicos da ACMinas, que também participou da webinar, hoje as pessoas estão mais atentas à verdade, ao conteúdo e à essência demonstrada não só pelas empresas, mas pelos profissionais. “O bom advogado não precisa do terno para defender uma boa causa. Precisa de conhecimento. De pautar seus argumentos na verdade. E de acreditar neles”, avaliou.

A transformação dos valores defendidos pelas empresas em boas práticas empresariais é um dos pilares da governança corporativa, segundo explicou Mônica Cordeiro. Ela  argumenta que é preciso ter bom senso e construir um bom relacionamento com a equipe, investindo no treinamento e em uma boa equipe de gestão de recursos humanos. 

“Ouvi falar de empresas que mandam WhatsApp para os seus funcionários  às 3h da manhã. Temos que entender que uma equipe muito pressionada não é criativa ou produtiva. Não é fazer caridade. É ouvir os funcionários, deixar claras as regras das empresas. A ética também passa por aí”, afirmou.

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