IPCA-15 sobe mais que o esperado em setembro sob pressão de energia; alimentos voltam a avançar
O IPCA-15 subiu mais do que o esperado em setembro sob pressão da energia elétrica, passados os efeitos do bônus de Itaipu, e com os preços de alimentos voltando a avançar, o que levou a taxa em 12 meses a aproximar-se do teto da meta.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,70% em setembro, depois de recuar 0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Em 12 meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior. O objetivo para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Os resultados do mês ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,53% na comparação mensal e de 4,30% em 12 meses.
Os dados mais fortes do que o esperado foram divulgados a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, no dia 4 de outubro. O IPCA fechado de setembro sairá no dia 9 de outubro, e o segundo turno da eleição será no dia 25 do mesmo mês.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes.
ENERGIA
Os dados do IBGE mostram que em setembro a maior variação e o maior impacto de alta vieram do grupo Habitação, cujos custos subiram 2,07%. Isso porque a energia elétrica residencial teve alta de 7,42% em setembro, após queda de 6,25% em agosto, uma vez que saiu da conta o alívio proporcionado no mês passado pelo bônus de Itaipu –valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.
Além disso, em setembro a bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O grupo Transportes apresentou avanço de 0,60% no mês com alta de 9,82% das passagens aéreas. Os combustíveis subiram 0,22%, com gás veicular (1,56%) e gasolina (0,30%) apresentando taxas positivas enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) caíram.
Nas contas de Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, o resultado das passagens aéreas levou a alta de serviços a acelerar para 0,59% em setembro, de 0,07% em agosto, elevando a taxa em 12 meses para 6,00%, de 5,50%.
“A reaceleração do índice reflete tanto a devolução pontual de itens voláteis e administrados (energia elétrica e passagens aéreas) quanto uma dinâmica qualitativa ainda pressionada, evidenciada pela alta da média dos núcleos e pelo patamar elevado dos serviços acumulados em 12 meses”, disse ele. “O resultado reforça a cautela necessária em relação à convergência da inflação e valida a postura vigilante da política monetária.”
Já Alimentação e Bebidas deixou para trás a queda de 0,57% em agosto e passou a subir 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio teve alta de 0,38%, após recuar 0,97% no mês anterior, com aumentos do tomate (20,76%), do arroz (2,39%) e das carnes (1,30%).
“A gente tem alertado há algum tempo justamente para os riscos de preços dos alimentos mais pressionados nesse último trimestre do ano, e o que a gente vê agora com essa alimentação nos domicílios já em terreno positivo é justamente o fim dessa sazonalidade mais baixa”, disse Júlio Barros, economista do Daycoval.
Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
Na ata desse encontro, o BC defendeu a manutenção de nível restritivo dos juros básicos no país diante da pressão de demanda, ainda que se observe um arrefecimento em dados de atividade econômica, crédito e inflação.
Um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecem o consumo, ficando no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte.
A projeção de analistas para a inflação neste ano subiu a 4,92% na última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central.
O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
Conteúdo distribuído por Reuters
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