Inflação em BH desacelera em outubro, mas acumula alta de 4,6% em 12 meses; alimentação pesa no bolso dos mineiros
Outubro registrou uma elevação no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) de Belo Horizonte, medido pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). O índice cresceu 0,16% no mês passado e registrou desaceleração em relação à quadrissemana anterior (0,36%) e em relação a setembro (0,21%). Com esse resultado, o IPCA-BH acumula alta de 4,05% no ano e de 4,60% nos últimos 12 meses.
Outra alta de outubro ocorreu no Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH) de Belo Horizonte, que acompanha a evolução dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias com renda de um a cinco salários mínimos. O IPCR subiu 0,20%. O índice desacelerou em relação à quadrissemana anterior (0,54%), mas registrou alta em relação a setembro (0,17%). O IPCR-BH acumula alta de 4,35% no ano e de 4,34% nos últimos 12 meses.
Alimentação ajudou a puxar para cima as alta do IPCA (0,83%) e do IPCR (0,73%) em Belo Horizonte, com 0,14 pontos percentuais (p.p.). Os produtos não alimentares ficaram praticamente estáveis e registraram contribuição de 0,02 p.p. As maiores contribuições positivas para o índice foram refeição fora de casa (1,43%), passagem aérea (30,04%) e cerveja em bares (6,81%). Já as maiores contribuições negativas foram tarifa de energia elétrica residencial (-2,32%), acesso à internet (-10,74%) e torneira/cano/material hidráulico (-6,57%).
No IPCR-BH, a Alimentação contribuiu com 0,16 p.p. Já os produtos não alimentares cresceram 0,05% e tiveram contribuição de 0,04 p.p. no índice geral.
As maiores contribuições positivas para o IPCR-BH foram batata inglesa (19,11%), arroz polido, longo, fino, tipo 1 (7,73%) e refeição fora de casa (1,43%). As maiores contribuições negativas foram tarifa de energia elétrica residencial (-2,32%), refrigerador (-5,72%) e assinatura de telefonia fixa (-2,87%).
Apesar da alta inflacionária, o gerente de Pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, diz que o resultado ficou dentro da margem prevista. “A subida do IPCA foi dentro do patamar esperado e não surpreendeu”, disse Antunes, que explicou o motivo de o índice não ter superado 1%.
“Isso normalmente só acontece no início do ano, em janeiro, quando muitas tarifas e mensalidades são reajustadas. Em outubro, a expectativa é sempre de um patamar mais controlado”, completou.
Acumulados
Mesmo com a variação mais baixa de 0,16% em relação a setembro, a inflação no ano e em 12 meses continua bastante elevada. O IPCA-BH registra 4,05% de janeiro a outubro e 4,60% nos últimos 12 meses, ou seja, acima do teto da meta de inflação nacional utilizada pelo Banco Central (BC).
O IPCR subiu 0,20% em outubro e apresenta acumulados semelhantes no ano e em 12 meses. É provável, portanto, que esses índices também ultrapassem a meta do BC de 4,5% de acumulado até o fim do ano.
Perspectivas para o fim do ano
Embora outubro tenha mostrado alívio em alguns itens administrados, como energia, a tendência é de alta da inflação nos dois últimos meses do ano. Em que patamar, só será possível observar com o avanço do período, mas isso exigirá atenção redobrada.
“Historicamente, o fim do ano registra importantes pressões sazonais, provocadas pelo aumento da demanda por diversos serviços, pelas festas de fim de ano e por reajustes, principalmente no grupo alimentação e nos produtos in natura, que são muito voláteis nesse período. Essa demanda maior pode empurrar a inflação para cima”, explica Eduardo Antunes.
Cenário pós-eleição
Segundo o economista do Ipead, as eleições, apesar de encerradas, ainda terão um papel de influência nos preços e na inflação nos próximos meses.
“Vivemos um momento pós-eleitoral em que os preços aparentemente já devem sofrer alguns impactos. Houve movimentações e instabilidade na moeda estrangeira, que serve de referência para muitas cotações. Isso pode afetar o comportamento dos preços nas gôndolas e impactar diretamente o bolso do consumidor”, conclui Eduardo Antunes.
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