Lucro líquido do grupo MRV&CO recua 71% no segundo trimestre

Com a exclusão do efeito dos ajustes de mercado, valor apurado apresentou alta de 6% de abril a junho
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Lucro líquido do grupo MRV&CO recua 71% no segundo trimestre
Com aumento nos preços acima da inflação, a MRV elevou em 11,06% o tíquete médio das vendas no Programa Casa Verde e Amarela | Crédito: Marcus Desimoni/Nitro

O grupo mineiro MRV&CO – que engloba as empresas MRV, Urba, Luggo, Resia e Sensia – apurou lucro líquido de R$ 58 milhões no segundo trimestre deste exercício, queda de 71% sobre os R$ 203 milhões da mesma época de 2021. Desconsiderando os impactos de Equity Swap, da marcação a mercado e dos resultados da venda da carteira, o desempenho do período chegou a R$ 215 milhões, avanço de 6% no mesmo tipo de comparação. No primeiro semestre, o resultado alcançou R$ 299 milhões, queda de 17,5% sobre os R$ 362 milhões da primeira metade de 2021 – sob a mesma justificativa.

A Receita Operacional Líquida (ROL) foi de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre e chegou a R$ 3,2 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses de 2022. Em ambos os casos, foi registrada baixa sobre igual período do ano anterior, de 11,8% e 4%, respectivamente. Já a geração de caixa do grupo foi de R$ 343 milhões de abril a junho e ficou negativa em R$ 474 milhões no encerramento do semestre.

O Ebitda (lucro líquido antes do Imposto de Renda, contribuição social, despesas financeiras líquidas, despesas de depreciação e amortização) chegou a R$ 441 milhões no segundo trimestre, crescimento de 48% sobre a mesma época do exercício anterior. E no semestre somou R$ 639 milhões – aumento de 26% sobre igual intervalo de 2021.

Operações americanas puxam desempenho do grupo MRV

Segundo o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da MRV, Ricardo Paixão, o lucro foi puxado, mais uma vez, pela operação americana Resia, que teve recorde de venda de mais de R$ 1 bilhão no segundo trimestre, com margem bruta combinada de 37%. Ainda conforme ele, contou a favor também a venda de dois empreendimentos da Luggo, dentro do acordo de investimentos firmado com a Brookfield, pelo valor total de R$ 141,5 milhões.

“Os impactos no lucro líquido são apenas ajustes de mercado, e o resultado foi positivo para o grupo como um todo. Estamos trabalhando na evolução dos preços de maneira a recompor a margem bruta das operações brasileiras e temos conseguido. Com o cenário de inflação desde 2020, não tínhamos conseguido repassar os preços e, mais recentemente, temos conseguido fazer essa recomposição”, explica.

É que o setor de construção tem registrado índices de preços acima da média anual histórica desde o início de 2020, o que resultou em uma forte compressão da margem bruta no segmento de incorporação, que caiu de 30,4% no ano de 2019 para 18,9% no último trimestre. A empresa conseguiu elevar esses preços acima da inflação no decorrer do primeiro semestre de 2022, acumulando um aumento no tíquete médio das vendas destinadas ao Programa Casa Verde e Amarela em 11,06%, contra um índice acumulado no período de 7,53%. Com isso, a margem bruta de novas vendas no final do período alcançou 25%.

“Nossas projeções apontam para um aumento de preço e ganho de produtividade superiores à inflação estimada para o próximo período, fazendo com que a margem bruta de novas vendas volte ao patamar saudável, acima de 30%, a partir do ano que vem”, completa.

Mudanças no Casa Verde e Amarela beneficiam MRV

Por falar no Programa Casa Verde e Amarela, Paixão acredita que as mudanças de financiamento anunciadas pelo governo poderão ajudar inclusive nessa recomposição da margem. As revisões das faixas começaram a impactar as vendas no final de julho e poderão surtir maiores efeitos nos resultados da companhia a partir do próximo trimestre.

Entre as medidas, o ajuste no teto das faixas de renda do programa; incremento do subsídio concedido; expansão do prazo máximo de financiamento para 35 anos; e uso do FGTS consignado.

De forma detalhada, os lançamentos do grupo MRV&CO totalizaram R$ 2,1 bilhões em Valor Geral de Venda (VGV) no trimestre e 9.078 unidades. Nos seis primeiros meses de 2022, foram R$ 3,8 bilhões e 14.562 unidades. Todos os números são menores que os apurados no ano passado.

Já as vendas somaram R$ 2,6 bilhões em VGV e 9.318 unidades entre abril e junho. Enquanto entre janeiro e junho, foram R$ 4,3 bilhões e 18.249, respectivamente. Os valores aumentaram em relação ao ano passado, mas o volume caiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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