Mercado brasileiro de aço dá sinais de recuperação e projeta crescimento de até 2% em 2026
Após um início de ano marcado por dificuldades, o mercado brasileiro de aço começou a apresentar sinais mais consistentes de recuperação em maio. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) nesta quinta-feira (25) mostram melhora nas vendas, redução das importações e uma perspectiva mais positiva para o segundo semestre. A expectativa do setor é encerrar 2026 com crescimento entre 1,5% e 2%.
Segundo o presidente do Inda, Carlos Loureiro, os resultados de maio confirmam uma retomada gradual da atividade. “Há uma pequena recuperação do mercado. A gente acredita que vai conseguir recuperar a queda que tivemos no início do ano e fechar 2026 com um crescimento”, afirmou.
As compras de aço pelos distribuidores cresceram 2,3% em maio na comparação com abril. Apesar disso, o acumulado dos cinco primeiros meses do ano ainda registra queda de 3,1%.
Já as vendas avançaram 8,7% em maio na comparação com o mês anterior, resultado próximo da projeção de 10% feita pelo setor. O desempenho contribuiu para a redução dos estoques e diminuiu as perdas acumuladas. Entre janeiro e maio, as vendas ficaram 1,3% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
De acordo com Loureiro, o quinto mês do ano marcou uma mudança importante na trajetória do mercado. “Foi o melhor mês de maio dos últimos cinco anos. Estamos retomando as nossas vendas”, destacou.
O presidente do Inda ressaltou ainda que o desempenho diário das vendas foi o melhor da última década. “Também foi a melhor venda diária dos últimos 10 anos. Ou seja, há uma recuperação e o setor está conseguindo se recuperar, pelo menos, em volume”, afirmou.
Primeiro semestre deve fechar no azul
A expectativa do Inda é que junho mantenha estabilidade em relação a maio. Caso a projeção se confirme, o setor deverá encerrar o primeiro semestre com crescimento de 0,3% frente ao mesmo período do ano passado.
Os estoques permaneceram praticamente estáveis em maio, totalizando 1,15 milhão de toneladas. O indicador de cobertura (que mede por quanto tempo o estoque disponível atenderia à demanda) ficou em 3,4 meses, acima do nível considerado ideal pelo setor, de três meses.
Importações despencam após medidas antidumping
Um dos principais fatores por trás da melhora do mercado nacional é a forte retração das importações, especialmente de produtos chineses. O resultado é consequência das medidas antidumping adotadas pelo governo federal contra as importações de aço provenientes da China e da Índia, anunciadas em fevereiro. Os efeitos começaram a aparecer em abril e se mantiveram em maio.
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Em maio, as importações de aço caíram 71% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a redução já chega a 21%. “A dificuldade de compra de importação da China está fazendo com que o espaço para o distribuidor de produto nacional cresça um pouco”, explicou Loureiro.
A queda foi observada em praticamente todos os segmentos. As importações de laminados a quente recuaram quase 60% em maio, enquanto os laminados a frio registraram retração de 81%. Os produtos zincados tiveram redução de 75% no período.
Embora a China continue sendo a principal origem das importações, o volume embarcado caiu significativamente. Coreia do Sul, Vietnã e Egito aparecem como fornecedores que podem ganhar espaço nos próximos meses.
Preços podem ganhar força no segundo semestre
Com a redução da concorrência dos produtos importados, o setor acredita que haverá maior espaço para a consolidação dos reajustes promovidos pelas usinas.
Segundo Loureiro, o segmento de galvalume já demonstra esse movimento, beneficiado pelas medidas antidumping que reduziram a entrada de material chinês. “Com a ausência da pressão da importação, acredito que as usinas consigam realmente implantar esse aumento”, afirmou.
Diante desse cenário, a avaliação do Inda é que o segundo semestre deverá apresentar desempenho superior ao primeiro, consolidando a recuperação gradual do mercado brasileiro de aço e permitindo ao setor encerrar 2026 com crescimento moderado.
Juros elevados continuam sendo principal obstáculo
Apesar da expectativa de melhora, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles, a dificuldade de repassar os reajustes anunciados pelas usinas e o impacto dos juros elevados sobre os investimentos e o consumo.
Loureiro destacou que segmentos relevantes para o consumo de aço, como caminhões, máquinas agrícolas e máquinas industriais, seguem com desempenho fraco. “A demanda está bem fraca”, disse.
Para o dirigente, a taxa básica de juros permanece como o principal fator limitador da expansão da atividade. “Enquanto os juros estiverem nessa faixa de 14,5%, é muito difícil o consumo de aço no Brasil crescer. O que realmente importa para a gente é a taxa de juros”, afirmou.
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