Lojas de decoração natalina apostam em promoções e locação para aumentar faturamento
Com a proximidade do fim de ano, o mercado de decoração de Natal chega à reta final de 2026 com expectativas de crescimento e estratégias para atrair consumidores em Belo Horizonte e na região metropolitana. Entre lojas especializadas em vendas de árvores, enfeites e iluminação e empresas que desenvolvem projetos natalinos para cidades, shoppings, condomínios e residências, as perspectivas variam conforme o perfil do negócio, mas apontam para a importância da principal temporada do ano para o setor.

Segundo a gerente da Estrada Real Decorações, no bairro Eldorado, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Patrícia Pereira, a loja pretende faturar entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão no período ante pouco mais de R$ 600 mil no Natal passado. A estimativa considera um aumento de R$ 300 mil a R$ 400 mil nas vendas.
O Natal responde por aproximadamente 40% a 50% do faturamento anual da unidade, que integra uma rede com outras cinco lojas, sendo quatro em Belo Horizonte e uma em Contagem. Embora a expectativa para o período seja positiva, Patrícia observa que o movimento registrado até o momento está abaixo do verificado no mesmo período do ano passado.
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“Já colocamos mais promoções na loja, temos mais itens e produtos com um valor um pouco melhor. Então, esperamos um aumento nas próximas semanas”, afirma.
Ela também acredita que a Black Friday e o pagamento da primeira parcela do 13º salário, ambos na última semana de novembro, devem estimular as compras. A loja trabalha com produtos que vão de R$ 5 a R$ 12 mil. Entre os itens de maior valor estão árvores de Natal de aproximadamente três metros, montadas e decoradas. “Árvores, iluminação, bolas e velas estão entre os produtos mais procurados”, acrescenta.
A gerente afirma ainda que o fluxo de clientes diários deve triplicar durante a temporada natalina, saltando de 50 a 80 para 240 pessoas. Para abastecer as unidades, a rede utiliza um centro de distribuição que recebe mercadorias novas semanalmente. A empresa, porém, não informou o volume total do estoque.
Locação ganha espaço e pode representar até 60% do faturamento
Se a venda de enfeites continua sendo uma frente importante do mercado, a locação de produtos e a execução de projetos decorativos também avançam. Na Casa Maia, empresa com 35 anos de atuação no segmento de decoração residencial, a expectativa é registrar crescimento de 5% a 10% no faturamento natalino em relação a 2025.
A proprietária Cristina Chiari estima que a empresa faturou cerca de R$ 2 milhões entre novembro e dezembro do ano passado e pretende superar esse resultado em 2026, chegando a uma receita de até R$ 2,2 milhões. O avanço dos números também é explicado pela abertura, há menos de um mês, de uma terceira loja, no Belvedere, que se soma às unidades de Lourdes e Santo Agostinho, todas na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
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A Casa Maia também atende empresas, hospitais, laboratórios, supermercados e condomínios, oferecendo projetos, locação e montagem de decorações. Entre os clientes citados pela empresária estão o laboratório Hermes Pardini, a Unimed e a rede de supermercados Verdemar.

Na avaliação da proprietária, a locação tem ganhado participação por oferecer praticidade e permitir que os clientes renovem a decoração a cada ano sem precisar armazenar os itens depois das festas. “A modalidade, que já teve uma participação menor no negócio, hoje chega a responder por 50% a 60% do nosso faturamento natalino”, destaca. As vendas de produtos continuam relevantes, com destaque para árvores, bolas e fitas decorativas.
O estoque da Casa Maia inclui, pelo menos, 50 mil itens armazenados em um galpão no bairro Calafate. Os preços dos produtos vendidos nas lojas variam de R$ 20, no caso de bolas de Natal, a R$ 5 mil, para grandes adornos iluminados destinados a jardins. No ano passado, a empresa vendeu aproximadamente 400 árvores de Natal de diferentes tamanhos.
A expectativa, conforme a empresária, é que o fluxo de clientes nas três lojas aumente mais de 100% durante novembro e dezembro. Para acompanhar a demanda, a empresa amplia a equipe: o quadro, que costuma ser de cerca de dez colaboradores durante o ano, pode chegar a 30 funcionários na temporada, um aumento de 200%.
“Todo ano, a gente tem que estar renovando o mix. O consumidor está disposto a gastar, mas está mais exigente, quer mais serviço, atendimento e qualidade”, afirma Cristina Chiari.
Projetos para cidades e empresas exigem planejamento antecipado
Assim como Cristina Chiari, a empresária Cláudia Travesso projeta crescimento de 5% a 10% neste Natal, em comparação com 2025 para a Futuro Natal. A empresa, com cinco galpões em Belo Horizonte, especializada em projetos natalinos e locação de materiais, atende aproximadamente 20 cidades mineiras, além de empresas, concessionárias, hotéis, shoppings e residências.
Segundo ela, a carteira inclui cerca de 80 clientes, considerando as decorações residenciais. Entre os municípios atendidos estão Congonhas, Mariana e São João del-Rei, todos na região Central. Neste ano, os trabalhos também vão chegar a Conselheiro Lafaiete, onde a empresa desenvolverá e executará um projeto de decoração em seis espaços públicos.
A maior parte da receita vem de projetos para cidades, que representam entre 60% e 70% do negócio. “Empresas privadas respondem por aproximadamente 25%, enquanto as decorações residenciais equivalem a cerca de 15% do nosso faturamento”, revela.

A empresária afirma ainda que o volume de materiais varia conforme o tamanho do projeto: pequenas decorações, como as de uma praça, podem demandar de 50 a 60 itens, enquanto projetos maiores podem utilizar de 1 mil a 1,7 mil peças.
A preparação começa ainda no primeiro semestre. Projetos mais robustos podem ser iniciados em março, enquanto a maior parte dos trabalhos começa em julho, antes do período de maior movimento do varejo.
“É desafiador ter uma empresa voltada só para o Natal. Você tem um faturamento muito acumulado em um período só e todo o atendimento precisa ser feito muito rapidamente, sem atrasos. O Natal tem que estar pronto antes de chegar”, diz.
Ainda segundo ela, a operação exige planejamento antecipado e reforço expressivo de mão de obra. A empresa mantém 25 funcionários durante o ano para recuperação de materiais, logística e preparação dos itens. Na temporada natalina, o quadro pode chegar a aproximadamente 100 colaboradores, segundo a proprietária.
13º salário e estabilidade do emprego reforçam otimismo do varejo
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, afirma que o comércio da capital mineira chega ao Natal com otimismo e boas expectativas. O encerramento do ano, segundo ele, é a data mais aguardada pelo setor varejista
“Na comparação com o Natal de 2025, estimamos uma expansão sustentada no faturamento e no volume de vendas, impulsionada pela maior estabilidade do emprego na capital, pela entrada do 13º salário na economia mineira e pelo fortalecimento do consumo das famílias”, destaca.
Souza e Silva acredita que os segmentos do comércio varejista da Capital que devem liderar o crescimento em volume de vendas neste fim de ano abrangem diferentes áreas do mercado.
“O setor de vestuário, calçados e acessórios historicamente desponta em preferências de presentes natalinos. Na sequência, o segmento de supermercados, alimentos e bebidas atua como um dos grandes motores do varejo no período, registrando forte alta nas vendas devido à tradição das ceias e confraternizações”, diz.
Ainda segundo o dirigente, a área de cosméticos, perfumaria e cuidados pessoais também ganha destaque pelo custo-benefício em kits presenteáveis e pela ampla diversidade de preços. Já o setor de eletrônicos e eletrodomésticos é alavancado pela procura por smartphones, smart TVs e eletroportáteis, aproveitando a atração iniciada nas promoções da Black Friday. “Por fim, a categoria de brinquedos e artigos infantis mantém seu forte apelo tradicional de Natal, movimentando expressivamente o comércio de bairro e os centros comerciais da cidade”, conclui.
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