Mercado imobiliário de BH apresenta maturidade em 2025, com destaque para médio-alto padrão
O mercado imobiliário de Belo Horizonte encerrou 2025 com maior maturidade e pragmatismo, devido a ajustes estratégicos na oferta e a uma demanda cada vez mais racional. De acordo com dados do Anuário DataZap, o bom resultado ocorreu apesar da redução de 23% no número de empreendimentos e de 5% nas unidades totais lançadas na comparação com o ano anterior.
O grande destaque positivo foi o segmento de médio-alto padrão, que apresentou um crescimento expressivo de 51% no número de unidades lançadas. Além disso, a velocidade de venda desse grupo de unidades subiu de 46% para 55% no ano passado, enquanto o número de novos empreendimentos teve alta de 8% no período.
O médio-alto padrão tornou-se o principal motor de crescimento do mercado imobiliário local. O gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX, Coriolano Lacerda, relata que os incorporadores ajustaram o perfil dos lançamentos à demanda da cidade em um cenário de crédito mais restrito.
“O que acabou se refletindo nos preços, especialmente no médio-alto padrão, mantendo a aderência entre produto e capacidade de compra”, completa.
Na visão do especialista, o ponto mais relevante não é apenas o ajuste de preço, mas sim o encaixe entre oferta e demanda. “O crescimento expressivo de vendas nesse segmento mostra que o mercado não desacelerou, mas ficou mais seletivo”, diz.
Para efeito de comparação, a velocidade de vendas das unidades do segmento econômico recuou de 73%, em 2024, para 25% no último exercício. Já no caso do mercado de luxo, a redução foi de 43% para 35% nos últimos dois anos.
Além disso, o setor de médio-alto padrão teve alta de 73% nas vendas, contribuindo para o avanço de 5% no mercado geral, enquanto os segmentos econômico (-85%) e de luxo (-13%) encerraram o ano em queda. Ele reúne 2.775 das 3.493 unidades vendidas em 2025.
Quanto ao preço de lançamento, o destaque ficou para as unidades de luxo, com uma variação positiva de 6%, fechando com R$ 18.956 por metro quadrado (m²). Ele seguiu na contramão do observado nos segmentos de médio-alto padrão (-5%) e econômico (-7%), que encerraram o último exercício com R$ 12.948 o m² e R$ 6.439 o m², respectivamente.
Desempenho do mercado secundário

O estudo do DataZap ainda demonstra que o mercado imobiliário secundário – sem a intermediação de uma construtora – da Capital exibiu uma das relações mais saudáveis entre estoque e procura entre as cidades analisadas. O grupo de imóveis com três dormitórios segue equilibrado, com 44% da oferta e 43% da demanda.
No caso daqueles com dois quartos, eles representam 43% das buscas, o que representa uma tendência de avanço da procura por este tipo de imóvel. No entanto, eles respondem por apenas 26% da oferta disponível, indicando uma clara oportunidade de negócio.
Já o grupo com quatro ou mais dormitórios corresponde a 26% do estoque de Belo Horizonte, mas apenas 11% da demanda. Os imóveis com apenas um dormitório encerraram 2025 com 4% de participação tanto na oferta quanto na demanda, permanecendo como um nicho específico no mercado local.
A demanda por unidades de dois dormitórios e metragens entre 45 metros quadrados (m²) e 90m² avança na região como um vetor de oportunidade. De acordo com o estudo, esse novo perfil de consumidor demonstra racionalidade avaliando itens tipológicos e o custo de aquisição.
Para os responsáveis pelo levantamento, esse ajuste entre o que se deseja e o que se pode pagar mantém a engrenagem do mercado secundário girando com consistência, mitigando os riscos de estoques parados.
Setor de locação

O consumidor do mercado secundário está focado em funcionalidade e custo-benefício, mas é no setor de locação que a demanda por imóveis compactos e funcionais na capital mineira fica ainda mais evidente. Os imóveis com dois dormitórios lideram o ranking de demanda, com 47% das buscas frente a 37% da oferta disponível.
A procura por unidades de um dormitório é de 21%, superando a oferta, que é de 13%. Já o grupo com três quartos responde por 37% do estoque e 29% da demanda; enquanto aqueles com quatro ou mais dormitórios possuem 15% da oferta e 3% da busca.
A preferência por metragens entre 45m² e 90m² também contribui com a tese de um consumidor que avalia criteriosamente o custo de aquisição e a funcionalidade do imóvel. As residências na faixa entre 60m² e 90m² concentram a maior participação tanto na oferta (31%) quanto na demanda (32%). Em seguida vêm os imóveis de 45m² a 60m², com 27% da demanda e 16% da oferta disponível.
De acordo com Lacerda, Belo Horizonte não depende de uma única região para movimentar seu mercado. “Para venda, bairros como Buritis e Castelo são protagonistas tanto na oferta quanto na procura. Já no mercado de locação, a dinâmica muda, e a demanda se desloca para outras áreas, com o bairro Sagrada Família assumindo a liderança no interesse dos inquilinos”, relata.
A dinâmica de BH foge da monocentralidade, distribuindo valor entre polos estratégicos como o eixo Savassi-Buritis e as regiões de fronteira com Nova Lima, na Região Metropolitana. De maneira geral, o estudo mostra que o ano de 2025 revela a força do mercado imobiliário da cidade e o equilíbrio entre demanda e oferta de imóveis.
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