Economia

Meteoric capta R$ 142 milhões para acelerar projeto de terras-raras no Sul de Minas

Os recursos foram garantidos por meio de uma colocação de 235 milhões de novas ações ordinárias a 0,17 dólar australiano cada na Australian Securities Exchange (ASX)
Meteoric capta R$ 142 milhões para acelerar projeto de terras-raras no Sul de Minas
Foto: Reprodução / Site Meteoric

A Meteoric Resources anunciou a captação 40 milhões de dólares australianos (R$ 142 milhões, no câmbio atual), por meio da emissão de 235 milhões de novas ações ordinárias a 0,17 dólar australiano cada na Australian Securities Exchange (ASX). A liquidação está prevista para a próxima terça-feira (28), com a entrega dos papéis no dia seguinte (29).

Os recursos financiarão o avanço e as atividades de pré-desenvolvimento do Projeto Caldeira, no Sul de Minas Gerais, visando a Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês) ainda em 2026. Atualmente em fase de licenciamento ambiental, a planta que a empresa construirá no município de Poços de Caldas, voltada à produção de carbonato de terras-raras, tem previsão de início de operação em 2028.

Após a liquidação, o saldo de caixa pro forma da mineradora australiana subirá para 58 milhões de dólares australianos (R$ 206 milhões, no câmbio atual), considerando o balanço de 31 de março. O montante será aplicado em diversas frentes:

  • Estudos de desenvolvimento: finalização do Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS, na sigla em inglês) e do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), estudos de engenharia de valor e front-end (Feed, na sigla em inglês) e trabalhos de design;
  • Aquisição de terras: áreas para a planta, áreas de mineração e obrigações ambientais;
  • Custos de desenvolvimento e perfuração: engajamento antecipado de empreiteiros e perfuração de preenchimento próxima à mina;
  • Custos da planta-piloto e laboratório: operação contínua da planta-piloto (no município de Caldas) e construção/operação de um laboratório no local;
  • Capital de giro: custos corporativos, operacionais e custos relativos à colocação (das ações).

“Os recursos desta colocação apoiam as atividades atuais e nos permitem ampliar nossos estudos de engenharia e trabalhos de design, incluindo a avaliação de oportunidades de separação [dos minerais]”, afirmou o diretor-executivo e CEO da Meteoric, Stuart Gale, em comunicado divulgado pela empresa na quarta-feira (22).

Forte interesse do mercado no ativo

Como reflexo da confiança no potencial do Projeto Caldeira, a Meteoric estruturou a operação sem garantia firme. Outro ponto de destaque foi a ausência de desconto sobre o valor de tela: as novas ações foram ofertadas pelo mesmo preço do fechamento anterior, registrado na última sexta-feira (17), reforçando o forte apetite dos investidores pelo ativo.

Segundo a empresa, a colocação atraiu investidores institucionais e de alto patrimônio, tanto nacionais quanto internacionais, incluindo fundos globais dedicados a minerais críticos. A companhia disse que a demanda superou amplamente a oferta.

O CEO salientou que existe um interesse significativo no setor de terras-raras, como evidenciado por diversas aquisições recentes, inclusive no Brasil. Cabe dizer que, na segunda-feira (20), a empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde, única mineradora de terras-raras em operação no Brasil, com mina em Goiás, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões, combinando pagamento em dinheiro e ações.

Gale ressaltou que, embora isso seja relevante e gere um sentimento positivo, a mineradora continuará focada no desenvolvimento do projeto no Sul do Estado por meio de atividades de redução de risco, que incluem o DFS e os pedidos de licenciamento. Ao mesmo tempo, seguirá trabalhando com parceiros estratégicos para estabelecer uma solução de financiamento de projeto totalmente garantida para construir o Caldeira.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas