Metrô de BH será leiloado no dia 22 de dezembro

Investimentos projetados em 30 anos de contrato estão estimados em R$ 3,7 bilhões
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Metrô de BH será leiloado no dia 22 de dezembro
Prometida há décadas, a expansão do metrô de Belo Horizonte poderá ser viabilizada por meio de uma concessão | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Depois de décadas de promessas e anúncios, a expansão do metrô de Belo Horizonte finalmente pode estar próxima de acontecer. O edital para a concessão do meio de transporte foi publicado pelo governo de Minas Gerais e o leilão está previsto para ocorrer no dia 22 de dezembro, na B3, em São Paulo. Esta é a primeira vez que a concessão do metrô da Capital tem data marcada.

Vencerá o leilão o investidor que oferecer o maior valor pelas ações de parte do braço regional da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Brasil. O lance mínimo é de R$ 19,3 milhões e o investimento projetado, ao longo de 30 anos de contrato, é de R$ 3,7 bilhões.

A empresa que ganhar a concorrência será responsável pela gestão, operação e manutenção das linhas 1 e 2. Isso inclui a expansão da Linha 1 (Novo Eldorado-Vilarinho) e a construção da Linha 2 (Nova Suíça-Barreiro).

Atualmente, há apenas uma linha com 19 estações e 28,1 quilômetros de extensão, que atende também a Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Com a concessão, será feita a requalificação e ampliação da linha existente em mais uma estação e a construção da Linha 2, cuja obra havia começado em 2004, mas depois foi paralisada. Estão previstas 7 novas estações e 10,5 km de extensão.

A população aguarda a modernização e a expansão do modal por anos e o projeto já foi objeto de diversos anúncios de presidentes e políticos em passagens pela capital mineira.

Cronograma

De acordo com o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, as novas estações serão inauguradas a partir do quarto ano da concessão, ou seja, em 2027. Já a plena operação deverá ocorrer até o sexto ano da concessão, em 2029.

“O leilão está marcado para ocorrer dia 22 de dezembro. Um presente de Natal para a população. Depois, são estimados dois meses para assinar o contrato, ou seja, deve ocorrer entre janeiro e fevereiro. Mas sendo conservadores, devido ao tempo de transição, podemos esperar para que em abril do próximo ano a empresa assuma e comece a fazer os investimentos”, detalha.

Expansão do metrô depende da desestatização

Porém, existe todo um trabalho a ser realizado para que o cronograma seja cumprido. A começar pela desestatização da CBTU, que pertence ao governo federal, e que está sendo transferida para o governo do Estado. Neste cenário, as subsidiárias CBTU-MG e Veículo de Desestatização MG Investimentos S/A (VDMG) foram criadas como braços regionais da CBTU e serão transferidas ao futuro concessionário.

Governos federal e estadual estruturaram o projeto, tendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como coordenador dos estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental e jurídica.

Assim, vencerá o leilão do metrô a proponente que oferecer o maior valor para a aquisição das ações da VDMG. O valor mínimo é de R$ 19,3 milhões. As propostas deverão ser entregues em 19 de dezembro.

Já em relação aos investimentos, o secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos do Ministério da Economia, Bruno Westin, explica que o investimento projetado, ao longo de 30 anos do contrato de concessão, é de cerca de R$ 3,7 bilhões. Desse montante, R$ 2,8 bilhões já estão assegurados pela União, o governo do Estado vai aportar R$ 440 milhões e o concessionário ficará responsável pelo restante.

“Os 2,8 bilhões referentes ao governo federal já foram aportados na VDMG. O dinheiro já está depositado na conta garantidora dedicada exclusivamente aos investimentos para a modernização da Linha 1 e construção da Linha 2 do metrô. Há, inclusive, uma uma cláusula para colocar em alienação fiduciária em favor do governo do Estado, garantindo a concretização dos investimentos. O parceiro privado ficará responsável pelo restante, por meio de aporte de capital e recuperação de tarifa”, explica.

Obrigações do futuro operador do metrô

O edital também prevê a renovação da frota de trens e a modernização dos sistemas e da infraestrutura do metrô da Capital. Estão listados ainda disponibilização sanitários gratuitos nas estações, melhoria na conexão com as linhas de ônibus municipais e intermunicipais, e a redução do intervalo entre as viagens.

Os estudos indicam que, após os investimentos, o sistema deve beneficiar aproximadamente 270 mil passageiros diariamente. Destes, 50 mil devem utilizar a nova Linha 2. O contrato não prevê nenhuma alteração no modelo tarifário existente, mas não impede os reajustes anuais.

Por fim, a manutenção dos empregos pelo período mínimo de 12 meses também está prevista. É que o processo de venda vem sendo fruto de inúmeros movimentos grevistas por parte dos funcionários da CBTU. Segundo o Sindicato dos Metroviários (Sindimetro-MG), há 1,6 mil cargos em risco devido ao processo de privatização.

Neste sentido, o secretário Marcato ressalta que a prioridade é entregar um serviço de qualidade aos usuários, mas que a empresa poderá aproveitar funcionários.

“Será oferecido um ano de estabilidade e a ideia é que, ao longo deste período, a concessionária conheça os profissionais. Ou seja, que a empresa contrate aqueles que tiverem um bom desempenho”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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