Economia

Comércio de Minas tem queda de 3,3% em abril, mas cenário geral segue estável, diz IBGE

Resultado de retração forte veio após dois meses de alta, incluindo um recorde na série histórica do levantamento do IBGE
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Comércio de Minas tem queda de 3,3% em abril, mas cenário geral segue estável, diz IBGE
O segmento de livros, jornais, revistas e papelaria apresentou retração de 13% | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Luciana Montes

Após altas nos meses de fevereiro e março, o volume de vendas do comércio varejista em Minas Gerais apresentou recuo de 3,3% em abril, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado nacional foi de retração de 1,5%.

Após atingir o maior patamar da série histórica em fevereiro de 2026 e registrar um discreto avanço de 0,2% em março, Minas Gerais registrou queda expressiva de 3,3% em abril.

“No mês passado, o setor de comércio tinha atingido o maior patamar histórico da série e estava no ponto mais alto. Pode ser que estejamos vendo uma espécie de barreira para esse crescimento. Atingiu o ponto mais alto da série histórica e recuou. É preciso acompanhar os próximos meses. Foi um recuo depois de dois meses consecutivos de alta, em que o setor atingiu o maior patamar e então recuou, como um efeito de rebote”, disse o analista do IBGE Daniel Dutra.

Já o economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio, acredita em uma série de fatores atuando ao mesmo tempo para explicar os motivos da queda acentuada no volume do comércio mineiro após uma alta de 3% em fevereiro.

“O que se observa é que as vendas no Estado estão oscilando em torno de um patamar que já se mantém elevado nos últimos 12 meses. Esse nível tem sido sustentado, porém sem avanços expressivos. Isso se deve a alguns fatores limitantes: o dinamismo na geração de empregos está um pouco menor este ano, a renda também cresce em ritmo inferior ao do ano passado e a inflação deu uma acelerada, com choque nos preços dos combustíveis, o que contribuiu para conter parcialmente o consumo”, explica.

Acumulados recentes e comparações

Nos últimos 12 meses, Minas Gerais registrou seis taxas positivas e seis negativas. Com o resultado de abril, o Estado acumula redução de 0,7% em seis meses e de 0,1% em 12 meses, resultados abaixo dos registrados no Brasil: recuo de 0,2% em seis meses e avanço de 1,1% em 12 meses.

De março para abril, 20 das 27 unidades da Federação apresentaram recuos. Os maiores foram registrados no Piauí (-3,9%), Goiás (-3,8%), Santa Catarina (-3,6%) e Amazonas (-3,6%). A retração média nacional foi de 1,5%.

Em comparação ao mesmo mês do ano anterior, 20 das 27 unidades da federação apresentaram avanços. Os destaques foram Pernambuco (8,9%), Tocantins (8,0%), Distrito Federal (6,5%) e Rio Grande do Norte (4,8%). Minas Gerais registrou recuo de 0,1% nesse comparativo, enquanto o resultado nacional foi de crescimento de 1,0%.

No acumulado do ano em relação ao mesmo período do ano anterior, predominaram novamente os resultados positivos, com crescimento em 24 unidades da federação. Os destaques foram Pernambuco (11,9%), Distrito Federal (7,3%) e Acre (6,3%). Minas Gerais variou 1,6% no período, ante crescimento de 2,0% no Brasil.

“Em seis meses, houve um recuo de 0,7%, mas em 12 meses o recuo foi de apenas 0,1%. Isso é quase estabilidade. O comércio voltou mais ou menos ao mesmo patamar de abril do ano passado. Em 12 meses, o cenário é de mais estabilidade do que de resultado negativo ou positivo expressivo. A queda de abril é quase um ponto fora da curva, porque foi mais acentuada”, comenta Daniel Dutra.

Desempenho por atividade em Minas Gerais

De acordo com o levantamento de abril, seis das oito atividades investigadas no comércio varejista mineiro apresentaram redução na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Os maiores recuos foram registrados em livros, jornais, revistas e papelaria (-13,0%) e putros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,5%). O maior avanço foi registrado na atividade de equipamentos e materiais para escritório, informática e computação (47,0%).

“O comportamento das vendas no Estado é heterogêneo. Embora o comércio varejista esteja no mesmo patamar de 12 meses atrás, alguns setores cresceram de forma expressiva. O setor de perfumaria, cosméticos e farmácias cresceu cerca de 9% acima do patamar do ano anterior. Equipamentos de escritório e informática registraram crescimento acima de 40% nas vendas. Veículos também se destacaram, com alta superior a 13% em relação a abril do ano passado. O atacado de alimentos e bebidas ficou próximo de 10% acima do patamar do mesmo período”, explica Miglio.

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