Mineração recua 23% e indústria mineira acumula queda no faturamento

Pesquisa da Fiemg aponta retração de 5,7% no faturamento industrial em um ano; indústria extrativa também registra queda nas horas trabalhadas
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Mineração recua 23% e indústria mineira acumula queda no faturamento
Foto: Reprodução J. Mendes

O faturamento da indústria mineira caiu 5,7% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, pressionado principalmente pelo desempenho da indústria extrativa mineral, que registrou retração de 23% no período. No resultado geral, que reúne os segmentos extrativo e de transformação, o indicador recuou 2,1% em relação a agosto e passou a acumular queda de 0,5% nos nove primeiros meses de 2026, segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O levantamento de setembro foi realizado com 178 empresas.

A queda da mineração, entretanto, não representa uma tendência de enfraquecimento do segmento ao longo do ano. Apesar do resultado negativo de setembro, a indústria extrativa ainda acumula crescimento de 1% no faturamento em 2026, enquanto a indústria de transformação registra retração de 0,7%. A diferença é explicada, em parte, pelo peso de cada atividade na composição do indicador geral.

“Quando olhamos o acumulado do ano, a indústria extrativa mineral está apresentando um desempenho melhor do que a indústria de transformação”, comenta o analista de pesquisas econômicas da Fiemg, Arthur Augusto Dias de Oliveira.

Segundo o analista, a indústria de transformação tem participação maior no índice a longo prazo e, por isso, exerce influência mais expressiva sobre o resultado geral. Ele comenta que na composição do indicador, a ponderação dos segmentos se aproxima de 60% para a transformação e 40% para a extrativa. Em setembro, embora a retração mensal da mineração tenha sido mais intensa, seu impacto sobre o resultado agregado foi apenas um pouco superior ao da transformação.

Mineração concentra retração

Na indústria extrativa mineral, a queda do faturamento foi acompanhada por uma redução de 27,1% nas horas trabalhadas, ambas na comparação com setembro de 2025. O indicador de atividade também apresenta retração de 8,9% no acumulado de 2026, enquanto o faturamento ainda registra crescimento de 1% nessa base de comparação.

De acordo com Oliveira, a principal justificativa apresentada pelas empresas do setor para o resultado de setembro foi a redução dos pedidos em carteira, o que indica uma diminuição da demanda no período. O analista ressalta, entretanto, que o resultado mensal interrompe uma sequência de indicadores positivos. Antes da divulgação de setembro, o faturamento acumulado da indústria mineral chegou a registrar crescimento entre 6% e 7%.

“Se fosse traçar um panorama, diria que a indústria extrativa funciona como uma âncora positiva, sendo praticamente o único segmento que vem contribuindo para puxar a indústria para cima. Já a indústria de transformação exerce um efeito negativo, porque tem um peso muito grande na composição do índice e não apresenta um desempenho satisfatório”, afirma.

Na indústria de transformação, o faturamento recuou 3,9% em setembro, na comparação anual, e acumula queda de 0,7% em 2026. O segmento, entretanto, mantém indicadores positivos de atividade e emprego: as horas trabalhadas cresceram 2,8% e o número de empregados avançou 2,6% nos nove primeiros meses do ano.

Para Oliveira, o desempenho da transformação está relacionado, entre outros fatores, às condições de crédito e ao comportamento do consumo interno. Como o segmento atende principalmente à demanda doméstica, os juros elevados encarecem os financiamentos e podem levar os consumidores a adiar compras de bens duráveis.

“Quando os juros brasileiros estão elevados, isso acaba inibindo o consumo. Isso afeta principalmente os bens duráveis, que geralmente exigem algum tipo de financiamento”, avalia. A indústria extrativa, por sua vez, é menos diretamente afetada por esse mecanismo, uma vez que atende principalmente à demanda externa.

Emprego e salários

No conjunto da indústria mineira, o emprego recuou 0,4% em setembro, na comparação com agosto, influenciado por ajustes no quadro de funcionários das empresas de transformação. Apesar da queda mensal, o indicador acumula crescimento de 2,4% em 2026.

A massa salarial real avançou 0,8% no mês, enquanto o rendimento médio real aumentou 1%. Segundo a Fiemg, os resultados foram influenciados, principalmente, pelo pagamento de verbas rescisórias e de participações nos lucros e resultados pelas empresas da indústria de transformação. No acumulado do ano, a massa salarial registra alta de 4,3%, e o rendimento médio, de 1,9%.

Oliveira esclarece que os desligamentos podem provocar um aumento pontual da massa salarial, já que os pagamentos de rescisões, férias não usufruídas e multas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) entram no cálculo do indicador. O efeito, porém, tende a ser temporário, uma vez que os trabalhadores desligados deixam de integrar a folha de pagamento nos meses seguintes.

No acumulado do ano, a massa salarial real registra alta de 4,3%, e o rendimento médio, de 1,9%. Para os próximos meses, o analista avalia que a redução do número de empregados poderá se refletir em uma queda da massa salarial, à medida que os pagamentos extraordinários deixarem de influenciar o indicador

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.