Mobilidade urbana e eletrificação pautam debate na Expert XP 2026

Especialistas discutem mudanças de comportamento, eletrificação da frota e investimentos em infraestrutura para transporte sustentável
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Mobilidade urbana e eletrificação pautam debate na Expert XP 2026
George Santoro, ministro dos Transportes; Paulo Toledo, diretor de comunicação da BYD; e Breno Campolina, diretor da Localiza participaram de um painel conduzido por Rafael Furlanetti, diretor institucional da XP Foto: Paulo Bareta

A mobilidade urbana e a transição para um transporte mais eficiente, sustentável e conectado pautaram um dos debates da Expert XP 2026, realizada na semana passada, em São Paulo. Mediado pelo diretor institucional da XP, Rafael Furlanetti, o painel reuniu o diretor de Comunicação e Branding da BYD, Pablo Toledo, o ministro dos Transportes, Jorge Santoro, e o diretor-executivo de Gestão de Frotas e Assinaturas da Localiza&Co, Breno Campolina, para discutir as mudanças no comportamento dos consumidores, a eletrificação da frota e os investimentos em infraestrutura necessários para acompanhar essa transformação.

O painel abordou não apenas a mobilidade nas cidades, mas também os desafios das rodovias e ferrovias brasileiras, em um cenário de rápida evolução tecnológica. Segundo Campolina, a principal mudança não está apenas nos veículos, mas na forma como as pessoas encaram a mobilidade. Ele afirmou que o consumidor passou a valorizar o uso do carro, e não necessariamente a posse do bem. “A gente vem passando por essa transição. As pessoas olham para o ativo muito mais como benefício de uso de se mover do que como propriedade”, afirmou.

O executivo explicou que a Localiza tem ampliado a oferta de soluções como aluguel e carros por assinatura, permitindo que clientes tenham acesso ao veículo sem assumir todos os custos de aquisição e manutenção. Segundo ele, em cerca de 80% a 85% dos modelos disponíveis no mercado, a assinatura apresenta melhor custo-benefício do que a compra.

Campolina também ressaltou que essa mudança de comportamento não se restringe aos mais jovens. “Quem experimenta gosta, é feliz e indica, porque vê o quanto é diferente. Na mobilidade não é diferente do que aconteceu com a música, quando o streaming substituiu a necessidade de ter CDs ou discos e ninguém achou ruim de desapegar das suas coleções”, comparou.

Outro destaque foi a parceria entre Localiza e BYD, que prevê a incorporação de 10 mil veículos elétricos e híbridos à frota da locadora. Segundo Campolina, a iniciativa amplia o acesso dos consumidores à nova tecnologia, permitindo que experimentem os veículos antes de decidir por uma compra.

Representando a BYD, Pablo Toledo relembrou que a operação da empresa no Brasil começou em 2014 com ônibus elétricos e painéis solares, mas foi a partir de 2022 que a montadora iniciou sua expansão no segmento de automóveis de passeio.

Ele afirmou que a empresa precisou superar três grandes desafios: combater o preconceito em relação aos produtos chineses, recuperar a confiança do consumidor em marcas asiáticas de automóveis e apresentar ao mercado brasileiro a tecnologia dos veículos eletrificados. “Tínhamos que tirar o estigma de produto chinês, mostrar que a eletrificação era viável e responder todas as dúvidas do consumidor sobre autonomia, revenda, manutenção e infraestrutura”, disse.

Toledo destacou o ritmo acelerado de crescimento da companhia no País. Segundo ele, a BYD vendeu apenas 260 veículos em 2022, chegou a 112 mil unidades em 2025 e já contabilizava 99 mil automóveis comercializados apenas na primeira metade deste ano.

O executivo também afirmou que a empresa está próxima de avanços importantes na direção autônoma. Segundo ele, a BYD conta com cerca de 120 mil profissionais dedicados exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo e pretende instalar três centros de pesquisa no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Entre as novidades, Toledo anunciou a ampliação da fábrica de Camaçari (BA), que passará a contar com áreas de pintura, soldagem e estamparia para ampliar a nacionalização da produção. “A gente acabou de celebrar 100 mil carros produzidos na fábrica de Camaçari em menos de 280 dias. Estamos chegando a seis mil colaboradores brasileiros e seguimos investindo em pesquisa e desenvolvimento no País”, afirmou.

Já o ministro dos Transportes, Jorge Santoro, defendeu que a transformação da mobilidade depende diretamente da modernização da infraestrutura brasileira. Segundo ele, o governo passou a destinar 3% da receita das concessões rodoviárias para projetos ligados à infraestrutura resiliente e à transição energética. “Isso representa hoje quase R$ 1 bilhão por ano para criar infraestrutura de abastecimento para veículos elétricos, movidos a gás natural e outras soluções de transição energética”, afirmou.

Santoro também defendeu a retomada dos investimentos ferroviários. Para ele, o Brasil precisa reduzir a dependência do transporte rodoviário de cargas e ampliar significativamente a participação das ferrovias. “A gente precisa sair dos atuais 15% de participação das ferrovias para pelo menos 30% ou 35% do transporte de cargas. Isso reduz custo logístico e aumenta a competitividade do País”, destacou.

O ministro afirmou ainda que a reforma tributária deve alterar a lógica da logística nacional, reduzindo distorções tributárias que estimulavam deslocamentos desnecessários de mercadorias entre estados. Com isso, segundo ele, o diferencial competitivo passará a ser a eficiência logística.

Ao fazer um balanço da gestão, Santoro afirmou que o Ministério dos Transportes deverá encerrar o ciclo atual com cerca de R$ 350 bilhões contratados em investimentos por meio de concessões e mais de 50 novos projetos estruturados para os próximos governos.

“Vamos deixar contratado talvez R$ 300 bilhões, talvez R$ 350 bilhões em investimentos em infraestrutura de transportes e mais de 50 projetos estruturados para que o Brasil continue ampliando esse ciclo de investimentos”, concluiu.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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