Um armazém será instalado em Patrocínio, no Alto Paranaíba, com capacidade para 400 mil sacas de café - Crédito: Divulgação

O Grupo Montesanto Tavares (GMT) vai investir cerca de R$ 55 milhões em armazéns no Estado e em uma nova sede da Atlantica Coffee em Varginha, no Sul de Minas. A ação faz parte dos planos de expansão da companhia para o ano de 2020.

A empresa atua desde o cultivo do grão até a exportação de blends e tem um forte trabalho de divulgação do café especial brasileiro fora do País. Para isso, reúne as empresas Atlantica Coffee, Cafebras e Ally Coffee e conta com escritórios próprios na América do Norte, América Central, América Latina, Europa, Ásia e África.

Em Minas Gerais, marca presença na capital mineira e em outros municípios como Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, entre outros locais, somando 600 colaboradores ao todo.

Parte dos aportes será destinada especificamente à construção de um novo armazém da Atlantica Coffee em Caparaó, na Zona da Mata mineira, que deverá, já a partir de fevereiro do ano que vem, passar de uma capacidade de 80 mil para 200 mil sacas de armazenagem.

Outro armazém deverá ter as suas obras iniciadas em 2020. Este, em Patrocínio, na região do Alto Paranaíba, com uma capacidade para 400 mil sacas de café. O local totalizará 2,25 milhões de sacas de capacidade estática de armazenamento no Estado, de acordo com as informações divulgadas pela empresa.

O presidente do Grupo Montesanto Tavares, Ricardo Tavares, ressalta que a escolha pelos locais é estratégica, uma vez que essas regiões são grandes produtoras de café. Ele lembra, ainda, que os investimentos não devem parar por aí, já que a empresa espera também se expandir por meio da aquisição de fazendas em produção e de terras para o cultivo, embora ainda não exista uma projeção de quanto serão esses investimentos.

Nos últimos 12 meses, os plantios nas propriedades do grupo foram de 800 hectares em novas áreas nas fazendas de Mimoso, na Bahia, e de Primavera, em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha.

Consumo crescente – O grupo pretende encerrar este ano com um faturamento de R$ 1,9 bilhão, o que representa um crescimento de cerca de 5% em relação ao ano passado. Ricardo Tavares avalia que a expansão não foi maior motivada por situações como a queda do preço do café. No entanto, ele se mostra bastante otimista em relação à expansão do produto no Brasil e no exterior.

“Esse mercado é um negócio em que o mundo está de olho, pois vem apresentando um consumo crescente, o que não ocorre com muitos produtos agrícolas. O café tem tudo a ver com essa nova onda de tecnologia, em que as pessoas gostam de sentar em frente ao computador para tomar uma xícara, por exemplo. Além disso, as cafeterias também trouxeram um novo foco para o produto”, avalia.

O mercado de cafés especiais é outro ponto importante destacado por ele. O café geisha, produzido na fazenda Primavera, foi considerado no ano passado, inclusive, o melhor do mundo, ocupando o primeiro lugar no concurso Cup of Excellente, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais. Neste ano, levou o segundo lugar na mesma competição.

Para que profissionais de diversas partes do globo possam conhecer mais acerca dos produtos comercializados pela companhia, o grupo traz ao Brasil atuantes do mercado de vários países para que possam entrar em contato com toda a cadeia de produção, lembra Ricardo Tavares.

Por falar em relações internacionais, o presidente do Grupo Montesanto Tavares também comentou sobre a declaração do ministro da economia, Paulo Guedes, acerca de negociações relacionadas a uma área de livre comércio entre o Brasil e a China. A declaração de Guedes foi feita na abertura do seminário NDB e o Brasil: Parceria Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável, em Brasília.

“Tudo o que é para abrir o mercado, para a gente, é bom. Principalmente quando se trata da China, que é um país que vem apresentando crescimento no consumo”, ressalta Ricardo Tavares.