MPMG concorda com repasse de R$ 4,3 mi para empresas de ônibus

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MPMG concorda com repasse de R$ 4,3 mi para empresas de ônibus
SetraBH anunciou ontem que duas empresas de ônibus da capital mineira não têm mais recursos para comprar o óleo diesel | Crédito: Charles Silva Duarte - Arquivo DC

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) concordou que as empresas de ônibus de Belo Horizonte tenham acesso à reserva de R$ 4,3 milhões do Fundo Garantidor do Equilíbrio Econômico Financeiro (FGE). Na última semana, duas concessionárias que integram o sistema de transporte público de passageiros da cidade anunciaram colapso e uma delas chegou a deixar de rodar. O acesso ao fundo é previsto em contrato, mas o prefeito Alexandre Kalil (PSD) afirmou, em coletiva, que só autorizaria a transferência do dinheiro com o aval da Justiça.

O MP mediou audiência entre Kalil, representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL) na sexta-feira (14), quando ficou acordado também que a Prefeitura, por meio da Controladoria-Geral e a Procuradoria-Geral do Município, irá instaurar Procedimento Administrativo para apurar as circunstâncias atuais que justificam ou não o desbloqueio para acesso ao fundo, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual prazo mediante fundamentação.

Também haverá a suspensão, pelas concessionárias, do recolhimento mensal para o fundo, no valor de R$ 600 mil, equivalente a 1% do faturamento, previsto no contrato de concessão, a partir do mês de fevereiro, pelo prazo de 90 dias ou até que haja a aprovação ou rejeição do projeto de lei que será enviado no próximo mês pelo Executivo municipal, que versa sobre gratuidade e tarifas sociais. As informações são do MPMG.

O procurador adjunto institucional da Justiça, Carlos André Bittencourt, comentou que o montante disponível não é expressivo, principalmente em comparação à forte variação dos preços do combustível nos últimos anos, e que esta é uma solução provisória, emergencial e cautelar. E garantiu que toda a circunstância de desequilíbrio financeiro será apurada por meio de um Procedimento Administrativo.

“Esse procedimento tem como objetivo apenas apurar o desequilíbrio momentâneo, não se trata de um procedimento em vistas à revisão tarifária, por exemplo. Isso é muito mais complexo. Após o Procedimento, as conclusões serão enviadas ao Ministério Público para que possamos acompanhar e assegurar o serviço de transporte público à população”, esclareceu.

Em relação ao projeto de lei relacionado à gratuidade e tarifas sociais, o próprio prefeito adiantou o assunto na última quarta-feira (12), quando disse, em coletiva de imprensa, que pretende enviar o PL para apreciação da Câmara no mês que vem. A proposta é de um repasse mensal para as empresas de ônibus – para custear o valor das gratuidades – em troca de uma diminuição no preço da tarifa: de R$ 4,50 para R$ 4,30.

Paralisação do transporte de passageiros

Na última quinta-feira (13), 88 ônibus da Viação Transoeste chegaram a ficar sem circular, em função da situação de colapso externada pelo SetraBH. Segundo representantes do setor, o último reajuste dos combustíveis, anunciado pela Petrobras, foi apenas a gota d’água de uma série de problemas que as empresas vêm enfrentando.

Procurado, desta vez, o sindicato não comentou o assunto nem a decisão do MP. Mas já tinha dito que já havia solicitado o acesso ao fundo em setembro de 2020. Mas, a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) negou o repasse “contribuindo ainda mais para o estrangulamento financeiro das empresas”.

Isso porque, segundo o Setra-BH, a modernização do contrato de concessão já vem, há muito, sendo solicitada tendo em vista o exaurimento do modelo licitado em 2008, ancorado exclusivamente no usuário pagante e que são cada vez menos pessoas. O sindicato ressaltou ainda que os acordos sofreram diversas alterações unilaterais nos últimos anos e que os danos e prejuízos causados pela pandemia devem ser repartidos entre o poder concedente e as concessionárias. Entretanto, isso ainda não ocorreu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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